Lectícia Figueiredo: “Parque Pequi aposta em inovação para aproximar UFT do mercado e impulsionar novos negócios no Tocantins”
30 agosto 2026 às 08h00

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O primeiro parque tecnológico do Tocantins começa a estruturar suas ações com a proposta de aproximar a produção científica da Universidade Federal do Tocantins (UFT) das demandas do mercado e estimular o desenvolvimento de negócios inovadores no Estado. Criado como Parque de Empreendedorismo, Qualidade Socioambiental e Inovação Tecnológica (Pequi), o ambiente de inovação terá como foco inicial três áreas estratégicas: Agritech, Biotech e Foodtech.
Segundo a coordenadora de Habitats de Inovação do Pequi, Lectícia Figueiredo, o parque nasce com a missão de transformar conhecimento produzido dentro da universidade em soluções aplicadas aos desafios econômicos e sociais do Tocantins, especialmente relacionados ao agronegócio, à biodiversidade e à tecnologia de alimentos.
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, a bióloga e especialista em ambientes de inovação explicou como o Pequi vai funcionar, quais projetos pretende receber, a estrutura prevista para o espaço físico e os impactos esperados para o desenvolvimento econômico do Estado.
O que é o Parque Pequi e por que a UFT decidiu criar esse espaço?
O Pequi é um ambiente de inovação que nasce aqui dentro da Universidade Federal do Tocantins. É o Parque de Empreendedorismo, Qualidade Socioambiental e Inovação Tecnológica, por isso o nome Pequi. Ele vem com o objetivo de promover a conexão da academia com o mercado.
Esse é o principal papel do Parque Tecnológico: abrir as portas da universidade, quebrar as barreiras, quebrar o muro da universidade para fazer essa conexão entre mercado e academia.
Então, é um ambiente que vai fazer essa principal conexão, porque hoje é papel da universidade fazer toda a produção de conhecimento, capacitar, formar e fazer a formação desses estudantes. O Pequi vem com essa proposta de trazer um olhar para o mercado.

Qual o problema ou necessidade do Tocantins que o parque pretende ajudar a resolver?
Hoje, o principal desafio que o Pequi vem para buscar soluções são os desafios relacionados ao agro. O parque nasce com três verticais, que são Biotech, Foodtech e Agritech.
São ações voltadas para soluções com tecnologia para resolver problemas, principalmente do agronegócio e da agricultura de uma forma geral. Então, viemos buscar soluções, buscar startups e ideias inovadoras para resolver esses tipos de desafios dessa economia que é uma das principais do Estado do Tocantins, que é o nosso agro.
Como o parque vai funcionar na prática? Quais serão as áreas de atuação?
O parque já está funcionando na prática, porque falamos que não precisa de uma estrutura física para fazer funcionar esse ambiente de inovação. O Pequi está instalado aqui no Hub da Inovato, que é a agência de inovação da UFT.
O Pequi já está com um plano de ação enorme.Brincamosentre a equipe que já tem várias ações começando a ser implementadas. Uma delas é o programa UFT Startups, que lançamos recentemente. Já estamos iniciando uma trilha com 20 startups na pré-incubação.
Vai ser uma jornada de inovação em que esses empreendedores vão passar para estruturar o modelo de negócio, ter acesso a clientes e fazer validação no mercado.
Então, o Pequi já está fazendo esse tipo de ação para fomentar o empreendedorismo dentro da universidade e fazer essa conexão universidade e mercado, como eu falei.
As ações vão muito além da incubação, que também está prevista no nosso plano de ação. Teremos eventos de inovação, eventos para o ecossistema, Ideathon, Hackathon, onde vamos estar fazendo também essa conexão da universidade com a comunidade externa.
Todos os programas e ações que o Pequi vai desenvolver terão sempre essa conexão entre a comunidade interna da UFT e a comunidade externa, que são os empreendedores externos também.

Quem pode participar do projeto?
O projeto é para todos. O ambiente de inovação só se encontra instalado dentro da UFT. Hoje ele está aqui na Inovato, no Hub da Inovato.
Vamos ganhar uma estrutura física também aqui dentro da UFT. Nos próximos 18 meses, vamos ter uma estrutura física do Pequi dentro da Universidade Federal, no campus de Palmas, mas ele é um ambiente aberto para todos.
Como eu disse, tanto para a comunidade interna como para a comunidade externa.
Então, empreendedores podem participar como residentes, como incubados, como parceiros para fazer network, para fazer conexão, trazer desafios reais do mercado, da sua empresa, do seu setor, para dentro do Pequi, para buscarmos uma solução dentro da universidade e fazer essas trocas e conexões.
O que vai existir dentro do espaço físico do Pequi?
A parte física do Pequi está estruturada tanto para um ambiente de coworking, onde receberemos startups, esses pré-incubados e incubados.
Vai ter um espaço para receber esses empreendedores e eles participarem ativamente daquele ambiente físico.
Também vamos ter um espaço para trocas e pequenos eventos, um espaço que chamamos de multiuso, onde podemos ofertar capacitações, receber eventos e fazer nosso grande network, que também é um papel desse ambiente de inovação.
Então, teremos espaço para incubados, para incubação e também para atração de empresas residentes, que são empresas que chamamos de estruturas mais âncoras.
São empresas que vão trazer desafios reais para o Pequi. Elas também vão se instalar nesse ambiente, onde podemos trazer desafios para startups.
Então, é um ambiente para empreendedores. É um ambiente físico onde vamos recepcionar esses empreendedores na divisão de ambientes desse espaço físico.
Que tipo de projetos vocês esperam receber quando o Pequi estiver implantado fisicamente?
Tudo está dentro do plano de ação. O Pequi tem áreas prioritárias de atuação, que são Biotech, Foodtech e Agritech. Mas não necessariamente vamos fechar para outras áreas.
Tanto é que o programa UFT Startups, essa pré-incubação, recebeu projetos de diversas áreas. Área de negócios, área de tecnologia da informação. A tecnologia da informação hoje é uma área que permeia todas as outras áreas.
A maioria das startups nascentes hoje vem com essa pegada de tecnologia. Mas não queremos somente empresas de tecnologia, muito pelo contrário. A tecnologia faz parte de forma transversal de todas as áreas.
Então, vamos receber empresas de tecnologia, empresas voltadas para soluções globais, para alimentos. Essa é uma área forte aqui do Tocantins, e queremos também trazer empresas startups voltadas para Foodtech, que são alimentos com base também em tecnologias.
Então, temos essas três verticais, mas o Pequi está aberto para receber empreendedores, ideias e startups que venham realmente trazer um modelo inovador. Ele está aberto para relacionar e fazer conexões com esse tipo de empreendimento.
Por que essas três áreas: agrotecnologia, biotecnologia e tecnologia de alimentos?
Porque hoje o Estado do Tocantins tem uma vocação. Ele tem a vocação do agro em si, mas também temos desafios para serem solucionados nessa área.
Na questão da biotecnologia, temos uma riqueza da biodiversidade da região. Temos a região Amazônica, o Cerrado, a região do Matopiba, mas temos desafios é explorar a biodiversidade com sustentabilidade dessas áreas.
Como o Parque Pequi pretende aproximar a universidade da sociedade?
Esse é um desafio, mas é algo que já iniciamos. No edital de pré-incubação, por exemplo, permitimos a participação de empreendedores externos, não apenas da comunidade interna da UFT, que são estudantes, técnicos e professores.
Inclusive, a maioria desses empreendedores é de fora da universidade. Então, já fizemos essa conexão. Hoje temos 20 startups participando e mais de 10 delas são da comunidade externa, não são apenas da UFT.
Esses empreendedores vão passar por uma jornada de capacitações e mentorias. Vamos ajudar esses empreendedores a tirar a ideia do papel, modelar o negócio e testar as soluções.
Essa conexão já está acontecendo e todos os programas que lançarmos, seja de pré-incubação, incubação ou empresas residentes, vão atender também a comunidade externa.
O Parque Pequi é da UFT, mas ele vai atender a todos. Pessoas que tenham uma ideia, que tenham um modelo de negócio e queiram testar poderão participar dos nossos editais e dessa jornada.
Também temos um plano de ação para realização de eventos que vão atender essa comunidade externa. Todas as ações e editais serão abertos para as duas comunidades: interna e externa.

Qual impacto econômico vocês esperam gerar para o Tocantins?
Hoje já temos estados que mudaram o PIB a partir da implementação de empresas inovadoras. Temos o exemplo de Santa Catarina, onde o principal setor econômico era o turismo e, atualmente, as empresas de base tecnológica têm grande destaque devido ao fomento às startups e aos ambientes de inovação.
Esse movimento foi tão significativo que, nesta semana, está acontecendo o Summit Floripa, reunindo startups e ambientes de inovação para discutir soluções e ações voltadas ao desenvolvimento desse setor.
Com um ambiente de inovação implementado aqui na UFT e no Estado do Tocantins, buscamos acelerar o desenvolvimento de empreendedores e empreendimentos inovadores.
Porque, quando uma empresa gera serviço, produto e movimenta a economia local, ela gera desenvolvimento econômico. Esse impacto não acontece no curto prazo.
Estamos plantando agora, capacitando empreendedores e acelerando startups para que elas desenvolvam soluções inovadoras dentro do Estado.
Quando essas empresas crescerem, venderem seus produtos e serviços, emitirem notas fiscais e gerarem impostos, isso retorna para a economia local e fortalece o desenvolvimento econômico.
O desenvolvimento científico, que é produzido na academia, junto ao desenvolvimento tecnológico e à inovação, resulta em desenvolvimento econômico.
Como o Matopiba pode se integrar ao Pequi?
Ele já está integrado ao nosso plano de ação. O Tocantins está em uma posição estratégica dentro do Matopiba e precisamos nos relacionar com essa região porque temos uma vocação semelhante nesses estados, que é o próprio agronegócio.
Brincamos, mas é uma afirmação ousada: queremos ser o parque tecnológico do agro do Matopiba. Somos o primeiro parque com esse olhar e com um planejamento voltado para essa região. Então, temos essa responsabilidade de integrar os ambientes de inovação e fazer com que toda a região do Matopiba seja conectada.
Isso já está no nosso plano de ação. Vamos conversar com esses estados e desenvolver ações conjuntas para fortalecer esse ecossistema regional.
Qual o próximo passo para a construção da estrutura física do parque?
O projeto já está pronto e a ordem de serviço deve ser emitida nos próximos dias, porque o processo de contratação já está em andamento.
Quando a população poderá ver os primeiros resultados do Pequi?
Já começamos a divulgar nossas ações, tanto eventos quanto atividades que temos realizado junto aos programas de pós-graduação.
No final de novembro, teremos a primeira rodada de negócios com essas startups que entraram na trilha de pré-incubação.
Elas vão passar por toda essa jornada e, ao final, vamos apresentar essas startups para uma banca de investidores e parceiros. Então, já vamos começar a ter um grau de maturidade das empresas que estarão aqui pré-incubadas no Pequi.
Qual a diferença do Pequi em relação a outros parques tecnológicos do país?
Posso falar também pela minha experiência, porque participei da implantação de outro parque tecnológico no Mato Grosso. Lá era um ambiente que nasceu fora da academia, ligado ao governo estadual. O Pequi nasce dentro de uma universidade.
Esse é o grande diferencial. Eu sempre brinco que tenho um pé lá e cá, porque participei da implementação de outro parque, mas o diferencial do Pequi é que ele já nasce com pessoas. Nós já temos pesquisadores, especialistas e uma equipe dentro da universidade. O parque já nasce povoado, e isso é fundamental.
Não basta ter apenas uma estrutura física. Precisamos ter pessoas. Sem pessoas, o parque não existe. As ações não acontecem se não houver pessoas circulando, ocupando o espaço, desenvolvendo projetos e criando conexões.
Outros parques têm como grande desafio justamente trazer pesquisadores e empresas para dentro do ambiente. Mesmo quando estão próximos de universidades e institutos federais, essa conexão pode ser mais difícil.
Existem vários modelos de parques tecnológicos. Temos modelos totalmente privados, que conseguem acelerar processos porque possuem maior capacidade de investimento, e modelos públicos, que enfrentam etapas burocráticas.
O Brasil possui exemplos de parques tecnológicos de muito sucesso, como São José dos Campos e o Porto Digital, em Recife. Mas eu vejo que o grande diferencial do Pequi é justamente estar dentro de uma universidade. Temos uma base de especialistas e pessoas capazes de se conectar e buscar soluções para os desafios do mercado.
O Pequi é o primeiro parque tecnológico do Tocantins?
Sim. É o primeiro parque tecnológico do Tocantins.
De onde surgiu a ideia do Pequi?
O projeto do Pequi foi aprovado em um edital da Finep, que hoje é uma das principais financiadoras de iniciativas de ciência, tecnologia e inovação no país.
O coordenador do projeto é o professor Silon Procath, que também tem experiência na gestão de outros ambientes de inovação. Mas o Pequi é resultado do trabalho de uma equipe de pesquisadores e especialistas.
Foram esses pesquisadores que idealizaram o projeto, buscaram consultorias, fizeram um planejamento e realizaram um estudo de viabilidade. Porque não basta ter uma ideia. É preciso avaliar se ela é viável para o Tocantins e para a UFT.
Todo gestor precisa analisar essa viabilidade. Não é simplesmente criar um projeto porque existe uma vontade. É preciso entender se ele faz sentido, se atende às necessidades da região e da instituição.
Esse grupo estruturou o projeto e ele foi aprovado no edital nacional de parques tecnológicos da Finep. Com isso, ele já nasceu com recursos e estruturado para ser desenvolvido e implementado dentro da Universidade Federal do Tocantins.
