A participação da madrasta de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, é um dos pontos que ainda precisam ser esclarecidos pela Polícia Civil no inquérito que investiga a morte da criança. Segundo o delegado Eduardo Menezes, responsável pelo caso na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas, não há, até o momento, elementos que indiquem que Kathellen Moreira tenha participado diretamente das agressões, mas a investigação apura uma possível omissão.

De acordo com o delegado, Kathellen exercia funções de cuidado sobre Gustavo durante os períodos em que o menino permanecia na residência do pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa. Em depoimento à polícia, segundo Menezes, ela afirmou que era responsável por atividades como dar banho na criança, organizar horários das refeições e prestar cuidados cotidianos.

A partir desses relatos, a Polícia Civil avaliou que ela poderia ser considerada uma garantidora, pessoa que tinha o dever de proteção sobre a criança, e que poderá ser responsabilizada por eventual omissão caso seja comprovado que deixou de impedir agressões.

A investigação também busca esclarecer qual era a dinâmica familiar e a participação de cada envolvido nos dias em que Gustavo permanecia com o pai.

Segundo a Polícia Civil, o relacionamento entre Igor Gustavo e Kathellen passou a ser investigado após a morte da criança. A madrasta acompanhava o pai durante os períodos de convivência com Gustavo e, conforme o depoimento prestado, participava da rotina de cuidados do menino.

Relato da madrasta será apurado pela investigação

Durante a coletiva, Eduardo Menezes afirmou que outro ponto chamou a atenção dos investigadores: um relato apresentado por Kathellen em seu primeiro depoimento na delegacia.

Segundo o delegado, a madrasta afirmou que, na manhã de segunda-feira, após Igor Gustavo acordar, ele teria ido até outro quarto, onde ela dormia com a filha do casal, e os dois teriam mantido uma relação sexual enquanto Gustavo já estaria morto em outro cômodo.

A Polícia Civil informou que a declaração ainda será confirmada por meio de diligências e exames, e que as circunstâncias relatadas serão analisadas dentro da investigação.

“Ela fazia questão de ressaltar a existência dessa relação sexual e muito provavelmente essa relação ocorreu com o menino morto na cama no quarto do lado”, afirmou Menezes.

Prisão preventiva

Kathellen Moreira e Igor Gustavo Veloso de Sousa foram presos preventivamente pela Polícia Civil por suspeita de envolvimento nos crimes de homicídio qualificado e tortura.

O delegado afirmou que, embora a investigação ainda não tenha concluído a extensão da participação da madrasta, a prisão foi solicitada diante dos elementos reunidos até o momento, especialmente pela possibilidade de omissão diante das agressões.

O inquérito segue em andamento, com novas perícias e depoimentos previstos para esclarecer a dinâmica da morte e a responsabilidade de cada investigado. A defesa dos investigados ainda não se manifestou ao Jornal Opção Tocantins.