Mesmo com a declaração de apoio de Irajá Abreu (PSD) a Ronaldo Dimas (Podemos), Carlos Gaguim (União Brasil) é quem começa a ocupar parte do espaço político deixado pelo senador após desistir da reeleição. À reportagem, integrantes da campanha de Gaguim afirmam que o deputado já conseguiu atrair a maior parte das lideranças que estavam com Irajá. O movimento aparece principalmente entre prefeitos e lideranças que haviam fechado com Irajá a partir da relação construída ao longo de seu mandato, marcada pela destinação de emendas e recursos aos municípios. É também nesse campo que Gaguim sustenta boa parte de sua candidatura ao Senado.

Paraíso do Tocantins deu o primeiro exemplo. O prefeito Celso Morais (MDB) tinha Eduardo Gomes (PL) e Irajá como seus candidatos ao Senado. Com a desistência de Irajá, anunciou apoio a Gaguim para a segunda vaga e levou para a composição o vice-prefeito e 13 vereadores. Ao justificar a escolha, Celso citou justamente recursos e entregas do deputado ao município. Gaguim já vinha trabalhando uma rede própria de gestores e divulgou, ainda antes das convenções, apoios de prefeitos de diferentes regiões do Estado.

A aproximação também encontra menos obstáculos dentro do grupo governista. Gaguim e Eduardo Gomes participaram desde o início da construção da candidatura de Dorinha Seabra (União Brasil) e apareceram juntos em agendas com prefeitos e lideranças. Parte da base de Irajá já tinha Gomes como um dos dois votos para o Senado. Sem Irajá na disputa, Gaguim passa a disputar justamente a segunda vaga dessas composições, com a possibilidade de formar uma dobradinha de candidatos ligados ao mesmo núcleo político de Dorinha.

O apoio pessoal de Irajá dá a Dimas um ativo político, mas a rede municipal construída pelo senador não segue necessariamente a mesma lógica. O espaço deixado por ele está entre gestores e lideranças acostumados a uma relação política baseada no mandato parlamentar, emendas e entregas aos municípios — terreno no qual Gaguim também atua. Paraíso mostrou essa convergência na prática. A questão agora é saber quantos dos antigos aliados de Irajá repetirão o movimento e trocarão a dobradinha Gomes-Irajá por Gomes-Gaguim.