MPTO investiga possível circulação antecipada de prova e diferenças na fiscalização de concurso em Araguaína
26 agosto 2026 às 14h46

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Relatos encaminhados ao Ministério Público do Tocantins (MPTO) após a realização do concurso público da Prefeitura de Araguaína deram origem a uma apuração sobre possíveis irregularidades na aplicação das provas. A 6ª Promotoria de Justiça de Araguaína requisitou documentos e esclarecimentos ao Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (IDIB), responsável pela organização do certame, à Prefeitura de Araguaína e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Araguaína. Os órgãos têm dez dias para apresentar as respostas.
As provas objetivas e discursivas foram aplicadas no domingo, 23. Conforme o MPTO, foi instaurado um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar o concurso após manifestações registradas pela Ouvidoria e o recebimento de relatos e documentos pela Promotoria nos dias 23 e 24 de agosto.
Entre os pontos analisados está a possível circulação antecipada de um arquivo atribuído ao caderno de questões do cargo de Analista Administrativo.
Segundo a documentação recebida pela Promotoria, o arquivo teria sido compartilhado em grupos de WhatsApp por volta das 11h39 do dia 23 de agosto, antes da disponibilização oficial dos cadernos de prova pela banca organizadora.
O promotor de Justiça Saulo Vinhal da Costa ressaltou que, neste momento da apuração, não é possível confirmar a autenticidade, a origem ou a efetiva circulação antecipada do material.
Diante disso, o IDIB deverá informar se o arquivo corresponde, total ou parcialmente, ao caderno de questões entregue aos candidatos. A instituição também deverá esclarecer como ocorreram as etapas de elaboração, acesso, impressão, transporte e distribuição das provas.
O MPTO solicitou ainda a preservação de logs, registros de downloads, impressões, compartilhamentos e outros dados eletrônicos relacionados ao caderno de questões.
Fiscalização das salas
O procedimento inclui relatos sobre possíveis diferenças nos procedimentos adotados para fiscalizar os candidatos nos diferentes locais e salas de aplicação.
Conforme as informações encaminhadas ao Ministério Público, alguns candidatos teriam recebido orientação para entrar apenas com garrafas transparentes e sem rótulo, enquanto outros teriam utilizado garrafas térmicas e levado sacolas de supermercado.
A Promotoria pediu ao IDIB informações sobre as orientações repassadas aos candidatos e aos fiscais, além de esclarecimentos sobre a adoção de procedimentos padronizados para a fiscalização desses materiais.
Horários de início da prova
Outro aspecto sob análise é o horário de início da avaliação. Um dos relatos recebidos pelo MPTO aponta que candidatos de determinada sala teriam começado a responder às questões após assinarem a lista de presença, enquanto outros ainda aguardavam ser chamados para realizar a assinatura.
Por isso, a Promotoria requisitou a ata da sala, as folhas de presença, os registros da fiscalização e os horários efetivos de início e término da prova. O IDIB também deverá informar se situações semelhantes ocorreram em outras salas, com candidatos iniciando a avaliação em horários diferentes.
A apuração também abrange possíveis inconsistências no cartão-resposta, problemas relacionados às condições de acesso aos locais de prova, situações registradas durante o período de espera antes da abertura dos portões e eventuais falhas na atuação dos fiscais.
O Ministério Público solicitou, ainda, esclarecimentos sobre as sucessivas retificações realizadas nos quatro editais do concurso.
A atuação da OAB no acompanhamento do concurso também faz parte do procedimento administrativo, especialmente em razão da existência de vaga para o cargo de procurador do Município.
O IDIB, a Prefeitura de Araguaína e a OAB, Subseção de Araguaína, têm prazo de dez dias para encaminhar os documentos e esclarecimentos solicitados pelo Ministério Público.
Depois do fim do prazo, os autos serão encaminhados novamente à 6ª Promotoria de Justiça para análise das informações apresentadas e definição das medidas que poderão ser adotadas. Entre as possibilidades estão a expedição de recomendação e o ajuizamento de Ação Civil Pública (ACP).
