Com a popularização das “canetas emgrecedoras” nas redes sociais, médico alerta para os riscos da automedicação
11 outubro 2026 às 17h00

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A popularização de medicamentos para emagrecer e a divulgação de novas substâncias nas redes sociais ampliaram o debate sobre o tratamento da obesidade, suas possibilidades e os cuidados necessários para o uso dessas terapias. Neste domingo, 11 de outubro, quando é celebrado o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, a discussão envolve tanto medicamentos já aprovados, como os à base de semaglutida e tirzepatida, quanto peptídeos que ainda não possuem autorização para uso terapêutico em determinados países.
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o médico tocantinense especialista em nutrologia, Jhones Araújo, que participou, nos Estados Unidos, de um curso de atualização sobre novas estratégias terapêuticas com peptídeos, explica que existem diferenças entre as substâncias já estudadas e aprovadas e aquelas que ainda estão em fase de investigação. Segundo ele, embora alguns medicamentos tenham eficácia comprovada, outros ainda não contam com evidências suficientes para confirmar seus resultados e sua segurança.
“Nós temos um peptídeo, que é o mounjaro, tirzepatida, ozempic, semaglutida, são peptídeos que eles são comprovados, estudados e ajudam a emagrecer. A nova onda que está surgindo, de outros peptídeos que já existiam, mas ainda estão em fase de estudos nos Estados Unidos. O FDA ainda não autorizou”, afirma.

O médico cita substâncias como GHK-Cu e BPC-157, divulgadas por possíveis efeitos relacionados à pele, ao ganho de massa magra, à recuperação e à longevidade. Ele ressalta, porém, que esses produtos não devem ser confundidos com medicamentos que já possuem autorização para uso médico.
“Um dos pontos importantes dos peptídeos é a melhora na pele, nos resultados do ganho de massa magra, saúde, longevidade. Então, toda essa gama de medicamentos está vindo com resultados incríveis nos estudos. Qual é o ponto negativo, que até nos Estados Unidos foi citado, é que no Brasil e em outros países, já estão utilizando mediante a molécula. E isso é um risco, porque tem todo um estudo antes para que possa ir para a população”, diz.
Substâncias em estudo e diferenças regulatórias
A atualização realizada nos Estados Unidos permite ao especialista acompanhar discussões sobre substâncias peptídicas e suas possibilidades de utilização terapêutica. Em julho de 2026, um comitê consultivo da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, discutiu sete substâncias peptídicas no contexto da possibilidade de inclusão em uma lista que permite a determinados estabelecimentos de manipulação utilizá-las na preparação de medicamentos.
A discussão envolve questões relacionadas à segurança, à eficácia e à quantidade de evidências científicas disponíveis. Uma análise publicada pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health também abordou o tema e destacou que uma eventual autorização para manipulação não equivale à aprovação das substâncias como medicamentos pela FDA. A instituição também diferencia peptídeos já estudados e aprovados, como a insulina e os medicamentos que atuam sobre o GLP-1, daqueles que ainda apresentam evidências limitadas.

Ao comparar os cenários regulatórios dos dois países, Jhones destaca que as regras precisam ser consideradas individualmente. O fato de uma substância estar em discussão ou ter alguma permissão em determinado contexto nos Estados Unidos não significa que ela esteja autorizada para uso em saúde no Brasil.
No país, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que produtos apresentados como GHK-Cu, BPC-157, TB-500, CJC-1295 e ipamorelina não possuem registro na agência como medicamentos. Sem a regularização correspondente, esses produtos não têm autorização para uso em saúde no Brasil.
Por outro lado, medicamentos à base de peptídeos ou relacionados a esses mecanismos possuem registros e indicações aprovadas no país. É o caso de medicamentos com semaglutida e tirzepatida, cujo uso deve seguir as condições estabelecidas pela Anvisa.
A semaglutida possui medicamentos registrados no Brasil, e novas apresentações foram aprovadas pela agência em 2026. O Mounjaro, à base de tirzepatida, tem registro no país desde 2023.
Ao explicar a importância de distinguir as regras de cada país, o médico afirma que a divulgação de novas substâncias exige atenção às informações sobre sua situação regulatória.
“Quando comparamos o Brasil e os Estados Unidos, é importante entender que cada país tem seus próprios critérios para avaliar e regulamentar essas substâncias. O que está sendo estudado, discutido ou permitido em determinado contexto nos Estados Unidos não significa necessariamente que tenha a mesma autorização no Brasil. Por isso, essa diferença precisa ser muito bem esclarecida, principalmente quando estamos falando de tratamentos que chegam ao conhecimento das pessoas pelas redes sociais”, afirma.
Medicamentos para emagrecer e acompanhamento profissional
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras ampliou o acesso da população a informações sobre tratamentos farmacológicos para a obesidade. Ao mesmo tempo, diferentes substâncias passaram a ser divulgadas nas redes sociais com promessas relacionadas ao emagrecimento, ao ganho de massa muscular, à recuperação e a efeitos estéticos, nem sempre acompanhadas do mesmo nível de evidência científica.
Os peptídeos são moléculas formadas por cadeias de aminoácidos que participam de diferentes processos do organismo. Alguns são produzidos naturalmente pelo corpo, enquanto outros podem ser utilizados na medicina como medicamentos. A categoria reúne substâncias com diferentes mecanismos de ação e níveis de evidência, por isso não é possível atribuir as mesmas características ou indicações a todos os compostos.
A semaglutida e a tirzepatida ganharam espaço no debate público por sua utilização no tratamento de condições relacionadas ao metabolismo e ao controle do peso, conforme as indicações aprovadas. A Anvisa reforça que esses medicamentos devem ser utilizados de acordo com as indicações autorizadas e com acompanhamento profissional.
Jhones Araújo também chama atenção para os riscos da utilização de produtos sem conhecimento sobre a procedência, a composição e a autorização para uso. Para ele, a indicação deve considerar as condições de cada paciente e a avaliação de um profissional habilitado.
O médico orienta que pessoas interessadas em utilizar medicamentos para emagrecer procurem avaliação profissional antes de iniciar o tratamento. Ele também destaca a importância de verificar se a substância possui autorização para a finalidade pretendida e se há indicação para o paciente.
“E a consciência de que se você está sobrepeso, você precisa mudar algo, procure um profissional, seja responsável com a sua saúde. Não é só conseguir com um amigo tem um medicamento, que vai aqui mais barato e você colocar a medicação no seu corpo e você não sabe a origem, que você não sabe como foi criado. A importância de você ter bons resultados vem atrelado a um bom acompanhamento”, diz.
“Então, vá a um profissional médico, veja se você tem indicação de utilizar tais medicamentos e se elas são autorizadas, tanto lá nos Estados Unidos que está anos-luzes estudando, o FDA está aí, é um um órgão regulador muito importante e responsável, assim como a Anvisa no Brasil, que está sempre de olho para que a população não sofra consequências futuras”, conclui.
