Novos depoimentos revelam confissão do pai sobre agressões contra Gustavo e relato da madrasta à polícia
29 outubro 2026 às 08h22

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A demora para procurar a polícia, as agressões admitidas pelo pai e os relatos sobre o comportamento da família na noite do crime são alguns dos pontos detalhados nos novos depoimentos sobre a morte de Gustavo Veloso, de 3 anos, em Palmas. Igor Gustavo Veloso de Sousa confessou ter espancado o filho, enquanto a madrasta, Kathellen Moreira da Silva, descreveu uma sequência de episódios de tensão antes de encontrar o menino deitado na manhã seguinte.
O caso ocorreu em 2 de agosto, na residência do pai da criança. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna provocada por lesões graves em diferentes partes do corpo, além de hematomas na cabeça e no intestino e laceração anal. Os exames também identificaram sinais de violência sexual.
Em interrogatório de aproximadamente duas horas, Igor atribuiu as agressões a um episódio envolvendo a piscina da residência. Segundo ele, ficou irritado ao encontrar Gustavo no local sem autorização, após a criança quase se afogar. Ao relatar o que fez em seguida, admitiu ter sacudido o menino, provocado uma batida da cabeça contra a parede e desferido chutes e pisões na região das costas e da barriga.
O pai reconheceu que os golpes provocaram lesões, mas negou ter praticado violência sexual. “Essas lesões foram dos chutes que eu dei, e eu não vou assumir uma coisa que eu não fiz”, declarou.
A investigação também apura a conduta dos dois adultos após as agressões. Questionado sobre a demora de aproximadamente seis horas para procurar a polícia, Igor afirmou que passou parte do período dirigindo e relacionou sua reação a conflitos anteriores com Sabrina, mãe de Gustavo, com quem mantinha uma disputa judicial.
“Eu fiquei rodando de carro, e, se eu pudesse, eu estava rodando nesse carro até hoje”, disse. Ele acrescentou que não sabia o que dizer à mãe da criança e, por isso, saiu de casa.
Igor também foi questionado sobre ter deixado o menino vestido e enrolado em um cobertor. Segundo sua versão, percebeu que Gustavo não reagia depois de notar que os pés estavam frios e tentar acordá-lo. O pai negou ter arrumado o corpo para simular que a criança dormia.
O relato de Kathellen apresenta outra parte da sequência de acontecimentos. Ela afirmou que, naquela noite, Igor ficava autoritário quando bebia e que houve uma tentativa de entrar no quarto onde ele estava com Gustavo e o outro filho, de 11 anos.
De acordo com a madrasta, o menino mais velho ouviu barulhos de pancadas, o que a levou a bater à porta. Igor não teria aberto. Mais tarde, segundo ela, o companheiro telefonou para perguntar quem estava batendo, e os dois trocaram ofensas. Kathellen relatou que, depois disso, foi dormir no quarto da filha, de quatro meses.
Na manhã seguinte, ela entrou no quarto para buscar um medicamento para dor de cabeça e viu Gustavo deitado de lado. Ao acender a luz, percebeu um movimento nos olhos da criança, mas afirmou que não prolongou a situação e saiu do cômodo.
Os depoimentos integram a investigação que levou ao indiciamento dos dois em 28 de setembro. Em outubro, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público do Tocantins (MPTO), tornando pai e madrasta réus.
Igor responde por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen responde por vicaricídio, sob a acusação de omissão diante das agressões contra o enteado, e fraude processual.
A defesa de Igor informou que os fatos serão esclarecidos nos autos e defesa de Kathellen foi procurada, mas não se manifestou.
*Com informações da TV Anhanguera
