Deputado dos EUA diz que “perder as eleições não é motivo para asilo” a Flávio Bolsonaro e cobra Trump
28 outubro 2026 às 16h13

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A concessão de visto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi alvo de críticas do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados norte-americana. O grupo, ligado aos democratas, questionou nas redes sociais o tratamento dado ao parlamentar e à família dele em comparação com a política migratória aplicada a pessoas que tentam deixar países afetados por guerras e conflitos.
Em publicação na rede social X, o comitê comparou a situação de pessoas que buscam proteção internacional com a concessão de visto ao senador brasileiro.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.
Na mesma publicação, o grupo afirmou que a negativa de resultados eleitorais estaria sendo tratada de maneira diferente da fuga de situações de violência. O texto também mencionou os planos do Departamento de Estado dos Estados Unidos de conceder vistos a Flávio Bolsonaro e aos familiares dele.
“Aparentemente, fugir da violência não qualifica [o migrante a entrar nos Estados Unidos]. Negar resultados eleitorais, sim”, continuou o post, ao citar que o Departamento de Estado planeja conceder vistos a Flávio e sua família.
Em publicação no Instagram, o deputado democrata Joaquin Castro também se manifestou sobre o caso. Ao mencionar a derrota de Flávio na disputa pela Presidência da República, cujo resultado foi definido no último domingo (26), o parlamentar afirmou que “perder as eleições não é motivo para asilo”.
“Ainda assim, o governo Trump está concedendo refúgio a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No Brasil, ele está sob investigação por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e foi ordenado a entregar seus passaportes”, postou.
Castro também declarou que o governo norte-americano precisa prestar esclarecimentos ao Congresso sobre a participação na saída do senador brasileiro do país. Para o deputado, o governo Trump deve explicações ao Congresso norte-americano “por seu papel em ajudar [Flávio] Bolsonaro a fugir do Brasil, violando a legislação brasileira”.
Entenda
Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas chegaram a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 28. A família deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e seguiu de avião para o território norte-americano. Durante o trajeto, a aeronave privada fez uma parada no Equador.
Na terça-feira, 27, um aliado próximo do senador e uma fonte do governo dos Estados Unidos confirmaram à agência Reuters que Flávio havia viajado para o país. A saída ocorreu após o parlamentar não cumprir o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes à Polícia Federal.
No dia anterior, depois de ser intimado pelo Judiciário, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais no qual negou que pretendesse deixar o Brasil. Na gravação, afirmou que permaneceria no país para, segundo ele, organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo.
Lula venceu o senador no segundo turno da eleição presidencial por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
Investigação por lavagem de dinheiro
A determinação para que Flávio Bolsonaro entregasse os passaportes foi tomada por Alexandre de Moraes no âmbito de um inquérito que investiga o senador por suspeita de lavagem de dinheiro. O advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar, também é investigado no caso. Os dois negam qualquer irregularidade.
A decisão do ministro do STF ocorreu após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, afirmar durante uma transmissão nas redes sociais que o senador deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição presidencial. Na ocasião, Eduardo defendeu que o irmão passasse a liderar a oposição brasileira a partir do exterior.
