Operação cumpre 13 mandados de prisão contra núcleo do PCC que atuava como “Tribunal do Crime” no Tocantins
30 junho 2026 às 13h32

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Uma operação realizada nesta terça-feira, 30, pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), teve como alvo integrantes apontados como responsáveis por um dos principais núcleos de atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. Conforme as investigações, o grupo seria encarregado de impor regras da organização criminosa, aplicar punições e manter o controle territorial da facção em diferentes municípios tocantinenses.
Durante a ação, foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o sequestro de aproximadamente R$ 1 milhão em ativos financeiros, medida voltada à interrupção da movimentação de recursos atribuídos à organização criminosa. As diligências ocorreram simultaneamente em Araguaína, Gurupi, Guaraí, Paraíso do Tocantins e Porto Nacional, após decisão judicial baseada em representação apresentada pelo Gaeco.
A operação é resultado das investigações da Operação Regresso II, que dá continuidade a uma ação anterior responsável por identificar integrantes da facção no Tocantins. Segundo o Ministério Público, esta nova fase foi desenvolvida a partir da análise de aparelhos celulares apreendidos durante a primeira operação. O material revelou uma estrutura criminosa mais ampla e organizada do que a inicialmente identificada.
De acordo com as investigações, foi identificada a atuação de um núcleo ligado ao chamado “Tribunal do Crime”, mecanismo utilizado pela organização criminosa para julgar integrantes, estabelecer regras internas e aplicar punições que incluem espancamentos, torturas e execuções. Os investigados desempenhavam a função conhecida na facção como “disciplina”, responsável por fiscalizar o cumprimento das normas do grupo, cobrar condutas dos membros e assegurar o controle territorial em diferentes regiões do estado.
Além da atuação ligada à imposição de regras da organização criminosa, a investigação também identificou um esquema de lavagem de dinheiro destinado a ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas. Conforme o Gaeco, os valores eram movimentados por meio de diversas transferências eletrônicas, principalmente via PIX, para contas utilizadas na concentração e circulação do dinheiro da facção.
Segundo a representação apresentada pelo Ministério Público e acolhida pela Justiça, os elementos reunidos durante a investigação apontam para a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções, atuação permanente e mecanismos próprios de controle interno, além da prática de crimes relacionados ao tráfico de drogas, lavagem de capitais e violência organizada.
A operação foi deflagrada pelo Gaeco do Tocantins com apoio dos Gaecos de Goiás e do Pará. Também participaram equipes da Polícia Militar do Tocantins, por meio do Grupo de Operações com Cães (GOC) e dos 5º e 8º Batalhões; da Polícia Penal, com a Superintendência, a Diretoria de Operações e o serviço reservado; e da Polícia Civil, com a DRACCO, o GOTE e delegacias de Gurupi, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins, Guaraí e Araguaína.
