PF mira esquema de R$ 7,6 bilhões do PCC no setor de combustíveis em oito estados, incluindo Tocantins

28 agosto 2025 às 10h14

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A Polícia Federal e órgãos parceiros realizam nesta quinta-feira, 28, a Operação Carbono Oculto, considerada a maior ação contra o crime organizado da história do país, para desarticular um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) que teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos no setor de combustíveis. Mandados de busca, apreensão e prisão estão sendo cumpridos em pelo menos oito estados e o Tocantins aparece com irregularidades apontadas pela Receita Federal.
No estado, auditores da Receita Federal identificaram postos de combustíveis que recebiam dinheiro em espécie ou por cartão e repassavam os valores à organização criminosa. Entre 2020 e 2024, a movimentação financeira desses estabelecimentos em todo o país chegou a R$ 52 bilhões, com recolhimento de tributos muito abaixo do esperado. Somente em autuações, foram registrados mais de R$ 891 milhões.
A investigação aponta que os criminosos importavam nafta, hidrocarbonetos e diesel usando distribuidoras ligadas ao PCC. Parte do combustível e do metanol importado era desviada, transportada clandestinamente e adulterada antes de chegar aos postos, prática que envolveu mais de 300 estabelecimentos.
O esquema também utilizava fintechs controladas pelo crime organizado, que movimentaram bilhões de reais entre 2020 e 2024, dificultando o rastreamento dos recursos pelas autoridades. Entre 2022 e 2023, apenas uma dessas fintechs recebeu mais de 10,9 mil depósitos em espécie, totalizando R$ 61 milhões.
Além de Tocantins, a operação atua em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Os suspeitos podem responder por crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
Participam da ação a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério Público de São Paulo e Federal, a Polícia Civil e Militar, a Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, a ANP e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo.
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