A Polícia Civil do Tocantins aponta que a influenciadora digital Elizabeth Melo, investigada por lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar, movimentou mais de R$ 3,5 milhões em saques fracionados entre março de 2023 e março de 2024. Segundo o relatório da Operação Sorte Falseada, a estratégia consistia em realizar retiradas sempre inferiores a R$ 50 mil para evitar alertas automáticos dos órgãos de controle financeiro.

De acordo com os investigadores, a prática, conhecida como smurfing, é utilizada para dificultar o rastreamento de recursos e reduzir a possibilidade de comunicação das operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A movimentação fragmentada teria somado R$ 3,5 milhões no período analisado.

O relatório também sustenta que a investigada mantinha um padrão de vida incompatível com a renda declarada, que variava entre R$ 1,9 mil e R$ 5 mil mensais. Entre os elementos apontados pela Polícia Civil estão viagens internacionais para destinos como Dubai, Ilhas Maldivas, Paris, Londres, Las Vegas e Curaçao, classificadas como “sinais exteriores de riqueza”.

Além das viagens, a investigação registra a compra de um apartamento em Palmas, avaliado em R$ 300 mil e pago integralmente em dinheiro, bem como a posse de um SUV e duas caminhonetes modelo 2024. Os veículos foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados judiciais.

Segundo a Polícia Civil, a movimentação financeira ocorria por meio de empresas que, conforme a investigação, não desenvolviam atividade comercial efetiva, mas recebiam recursos de processadoras de pagamento ligadas a plataformas de cassinos on-line. A corporação apura se essas empresas eram utilizadas para ocultar a origem dos valores.

A Operação Sorte Falseada foi deflagrada nesta sexta-feira, 26. Elizabeth Melo é investigada por promover o chamado “jogo do tigrinho” e realizar sorteios de dinheiro e celulares sem autorização do Ministério da Fazenda. A investigação também apura suspeitas de ameaças contra pessoas que manifestaram intenção de denunciar as plataformas de apostas.

Durante as buscas em Gurupi, policiais apreenderam dinheiro em espécie, inclusive dólares, cartões bancários, aparelhos eletrônicos e documentos. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,4 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de imóveis e veículos para garantir eventual reparação de danos.

O outro lado

Em manifestação publicada em uma conta reserva nas redes sociais, Elizabeth Melo afirmou que a investigação ainda está em andamento e negou ter ocultado patrimônio ou utilizado terceiros para registrar bens.

“É uma investigação, não sou condenada. As minhas coisas sempre foram no meu nome. Eu não tenho laranja, não tenho rabo preso com ninguém, não ocultei patrimônio. Então não tenho o que temer”, declarou.

A Operação Sorte Falseada integra uma mobilização nacional de combate ao crime organizado coordenada pelo Ministério da Justiça. No Tocantins, as investigações são conduzidas pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC). A Justiça também autorizou a suspensão dos perfis da influenciadora nas redes sociais e a análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos.