Nesta semana, uma professora foi vítima de injúria racial em Araguaína. Eliete de Santana, de 50 anos, sofreu discriminação em frente à Escola Estadual Professor João Alves Batista, inferida pelos próprios estudantes. Após o ocorrido, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (Sintet) emitiu nota de solidariedade à profissional nas redes sociais. A gestão escolar denunciou e registrou um boletim de ocorrência como medida e aguarda a aplicação de disciplina cabível pelas autoridades.

Para o sindicato, episódios como esse evidenciam as consequências do racismo estrutural. “Apesar dos avanços legais, como as leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, e de políticas públicas como a PNEERQ (política nacional de equidade, educação para as relações étnico-raciais e educação escolar quilombola) do ministério da educação (MEC), focada em combater o racismo e desigualdades no sistema educacional brasileiro, lançada em 2024, ainda é recorrente a reprodução de práticas e discursos discriminatórios”, diz a publicação.

A nota do Sintet ainda aponta que o enfrentamento ao racismo passa por uma educação intercultural, descolonial e libertadora, comprometida com a superação de todas as formas de opressão.

O racismo é crime inafiançável e imprescritível no Brasil, conforme a Constituição Federal de 1988. A Lei 7.716/1989 pune atos de segregação por raça, cor, etnia, religião ou origem. Desde 2023, a injúria racial foi equiparada ao racismo, com penas de 2 a 5 anos de reclusão.

Confira a nota do Sintet na íntegra:

NOTA DE SOLIDARIEDADE: RACISMO É CRIME E NÃO TERÁ NOSSO SILÊNCIO 

​O SINTET manifesta total solidariedade à professora Eliete de Santana, de 50 anos, vítima de injúria racial em Araguaína.

O episódio ocorreu em frente à Escola Estadual Professor João Alves Batista, onde a educadora foi alvo de insultos proferidos por estudantes.

Repudiamos veementemente qualquer forma de racismo, especialmente no ambiente que deveria ser de formação e respeito.

​Parabenizamos a gestão da unidade escolar pela condução firme e responsável, acolhendo a denúncia, registrando o boletim de ocorrência e aplicando as medidas disciplinares cabíveis.

Casos como este reforçam a urgência de uma educação antirracista e do cumprimento rigoroso das leis que promovem a equidade étnico-racial (Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008).

​O SINTET Regional de Araguaína reafirma seu compromisso na luta contra o racismo estrutural e coloca-se à inteira disposição da professora Eliete e de todos os profissionais que enfrentarem qualquer tipo de discriminação.

Não daremos um passo atrás na defesa de uma educação libertadora e livre de opressões!