Quaest mostra abismo entre Lula e Laurez no Tocantins
26 agosto 2026 às 09h21

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A primeira pesquisa Quaest da eleição no Tocantins colocou em números um dos principais problemas da candidatura de Laurez Moreira (PSD): a distância entre seu desempenho e o de Lula (PT), seu principal aliado nacional. No cenário estimulado para presidente, Lula aparece com 37% das intenções de voto no estado. Laurez, candidato ao governo apoiado pelo presidente e pelo PT, registra 7%. São 30 pontos percentuais de diferença entre os dois no mesmo eleitorado.
O contraste indica que, até aqui, o voto em Lula não se transfere automaticamente para Laurez. O PT integra sua coligação e a campanha passou a apresentar a chapa como parte do “Time do Lula” no Tocantins. Laurez também reforçou essa associação, esteve com o presidente e incorporou a parceria com o governo federal ao discurso eleitoral. Ainda assim, os números permitem duas leituras que podem coexistir: parte do eleitorado lulista ainda pode não identificar Laurez como o candidato apoiado pelo presidente; outra parcela pode conhecer essa ligação e simplesmente não acompanhá-la na escolha para o Palácio Araguaia.
Há ainda um componente particular na campanha presidencial no Estado. A ex-senadora Kátia Abreu, que coordena a campanha de Lula no Tocantins, mantém uma agenda própria de mobilização pelo presidente sem associá-la necessariamente à candidatura de Laurez. Kátia já reuniu jovens, advogados e outros segmentos e percorreu municípios do Bico do Papagaio em atividades voltadas à candidatura presidencial. Laurez não é apresentado nessas agendas como adversário de Lula, mas também não aparece como consequência natural do voto no presidente. Essa separação pode ajudar a explicar por que Lula consegue alcançar um eleitorado muito mais amplo que o candidato ao governo formalmente apoiado pelo PT.
A distância estabelece uma medida para as próximas semanas. Laurez parte de 7%, enquanto Dorinha Seabra (União Brasil) tem 37% e Vicentinho Júnior (PSDB), 28%. Para entrar na disputa pelas duas vagas de um eventual segundo turno, precisará buscar votos muito além de sua base atual, e o eleitorado de Lula é o reservatório mais evidente. Se conseguir transformar parte dos 30 pontos que hoje os separam em voto estadual, Laurez pode reduzir a distância para os dois primeiros. Se não conseguir, a eleição poderá mostrar um fenômeno politicamente incômodo para sua campanha: um Lula competitivo no Tocantins sem que seu candidato ao governo consiga, até aqui, acompanhar esse desempenho.
O desafio da campanha de Laurez passa não apenas por “avermelhar” a campanha, mas convencer o eleitor lulista de que a candidatura estadual ligada ao presidente é a sua.
