“Quem trouxe a violência para o debate não fui eu”, diz Dorinha ao afirmar que Vicentinho tentou intimidá-la
24 outubro 2026 às 12h37

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A candidata ao governo do Tocantins, Professora Dorinha (União Brasil), afirmou neste sábado, 24, que não foi responsável por introduzir na campanha eleitoral o episódio envolvendo um laudo do Instituto Médico Legal (IML) de 2009, que registra lesões na então esposa de Vicentinho Júnior (PSDB) e o relato de uma suposta agressão. Durante coletiva de imprensa, a senadora declarou que o próprio adversário antecipou o assunto durante um debate, ao mencionar a existência de um dossiê e de um pendrive com informações que poderiam ser divulgadas, em uma atitude que ela interpretou como tentativa de intimidação.
“Quem trouxe a violência para o debate não fui eu. Quem anunciou previamente foi o candidato, que, na tentativa de me intimidar, trouxe o tema”, declarou Dorinha. Segundo a candidata, Vicentinho teria feito referências a possíveis publicações envolvendo sua campanha e mencionado familiares durante o confronto. Dorinha afirmou que não havia utilizado questões familiares do adversário na disputa e questionou a iniciativa do próprio deputado de abordar o assunto publicamente.
A senadora também relacionou o episódio ao tratamento que afirma ter recebido ao longo dos debates eleitorais, sustentando que o adversário frequentemente direcionava suas manifestações a outros integrantes de seu grupo político, em vez de discutir diretamente com ela. Para Dorinha, essa postura reflete práticas de machismo que, segundo sua avaliação, também são enfrentadas por vereadoras e deputadas em espaços de representação política.
Outro ponto abordado pela candidata foi a participação da filha de Vicentinho em um vídeo divulgado no contexto da controvérsia. Dorinha afirmou que a exposição da família partiu do próprio parlamentar e criticou a utilização da filha para tratar publicamente do episódio. A senadora também associou a situação ao conceito de alienação parental, avaliação apresentada por ela durante a coletiva.
Laudo do IML e repercussão eleitoral
A manifestação de Dorinha ocorre na reta final da campanha para o segundo turno, marcado para domingo, 25, e dá continuidade ao confronto entre os candidatos durante o debate da TV Anhanguera, na quinta-feira, 22. Na ocasião, Vicentinho questionou a divulgação de documentos relacionados a uma ocorrência de violência doméstica registrada em 2009 e atribuiu a circulação do material à campanha adversária, sem apresentar provas dessa participação durante o debate. Dorinha negou ter levado o episódio à discussão e afirmou que o deputado havia sido o primeiro a mencionar o assunto.
O laudo, emitido pelo IML de Palmas em 4 de maio de 2009, registra que Carina Leão Oliveira, então esposa do parlamentar, relatou ter recebido tapas e sido atingida por um molho de chaves durante uma discussão. O exame identificou hematomas nas duas coxas e uma lesão na mão direita, com conclusão pericial pela existência de lesões corporais provocadas por instrumento contundente. O documento também identifica Vicentinho como suposto autor, conforme o relato registrado à época.
Na sexta-feira, 23, o secretário da Segurança Pública do Tocantins, Luciano Barbosa de Sousa Cruz, confirmou que a cópia divulgada corresponde aos registros originais do IML. Durante entrevista coletiva, ele informou que, conforme os dados disponíveis, não houve instauração de inquérito policial sobre o episódio e anunciou a abertura de um procedimento na Corregedoria-Geral para apurar o possível vazamento do documento.
Vicentinho nega ter agredido a ex-esposa e contestou a veracidade do documento divulgado. Carina também se manifestou em vídeo, no qual negou a agressão e classificou a divulgação como notícia falsa. Alice Leão, enteada do parlamentar, publicou uma gravação em defesa dele, afirmando que as informações divulgadas não correspondiam à convivência familiar que presenciou.
Na sexta-feira, Dorinha já havia se manifestado publicamente sobre o episódio, defendendo o acolhimento de mulheres que relatam situações de violência e criticando tentativas de intimidação. Na coletiva deste sábado, a senadora ampliou as críticas à postura do adversário, relacionando o episódio ao tratamento que afirma ter recebido durante a campanha e reiterando que não foi responsável por levar a discussão sobre violência doméstica ao confronto eleitoral.
