O delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), exibiu ao advogado Igor Veloso de Sousa, durante um novo interrogatório, um vídeo em que Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, aparece chorando ao saber que iria para a casa do pai. Segundo o delegado, na gravação, o menino dizia que não queria ir porque o pai batia nele.

O episódio foi relatado por Menezes durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 28, na apresentação das conclusões do inquérito sobre a morte da criança. Gustavo morreu enquanto estava na residência do pai e da madrasta, Kathellen Moreira, em Palmas.

De acordo com o delegado, a gravação foi feita na manhã do domingo em que Gustavo iria para a casa de Igor. O vídeo passou a integrar os elementos analisados durante a investigação.

“O menino, na manhã de domingo, antes de ir até a casa dele, chora quando toma conhecimento que iria para a casa do pai e diz que não queria ir porque o pai batia nele”, relatou Menezes.

Vídeo foi mostrado durante novo interrogatório

Segundo Menezes, o vídeo foi apresentado a Igor durante o interrogatório realizado cerca de 50 dias após a prisão. O delegado afirmou acreditar que aquele teria sido o primeiro contato do investigado com uma imagem do filho desde a morte da criança.

Durante a coletiva, Menezes também descreveu a reação de Igor ao assistir à gravação. Conforme o relato do delegado, o advogado teria questionado o choro do menino e dito: “Olha, doutor, tá vendo aí? […] não caiu uma lágrima”.

O delegado afirmou que a reação chamou sua atenção e leu um trecho do relatório policial no qual registrou sua própria avaliação sobre o comportamento do investigado. Menezes disse que Igor teria elevado o tom ao comentar a gravação e repreendido o filho como se ele ainda estivesse vivo.

Gravação integra histórico analisado pela polícia

O vídeo foi analisado junto a outros elementos reunidos pela Polícia Civil para reconstruir a relação entre Igor, Gustavo e a mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa.

Durante a investigação, a polícia analisou fotografias, vídeos e relatos sobre episódios anteriores em que Gustavo teria apresentado ferimentos depois de períodos de convivência com o pai. Esse histórico também foi considerado para a mudança do enquadramento da morte de homicídio qualificado para vicaricídio.

No novo interrogatório, Igor também apresentou sua versão sobre o que ocorreu antes da morte. Segundo a Polícia Civil, ele relatou que Gustavo teria pulado na piscina e começado a se afogar. Após retirar a criança da água, teria perguntado por que ela havia entrado na piscina e ouvido do menino que a mãe teria autorizado.

Conforme Menezes, Igor admitiu ter ficado irritado e agredido o filho com chutes e socos na barriga e na cabeça. A Polícia Civil sustenta que as agressões continuaram posteriormente dentro da residência.

Com a conclusão do inquérito, Igor foi indiciado por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen foi indiciada por vicaricídio e fraude processual.