A Receita Federal tornou pública a primeira relação de contribuintes classificados como devedores contumazes após a conclusão dos processos administrativos previstos na Lei Complementar nº 225/2026. A iniciativa está relacionada ao combate à inadimplência tributária estruturada, à ampliação da transparência fiscal e ao enfrentamento de práticas de concorrência desleal.

Os primeiros contribuintes enquadrados pertencem ao setor fumageiro. De acordo com a Receita, os débitos identificados nesse segmento ultrapassam R$ 25 bilhões.

A classificação como devedor contumaz ocorre nos casos de inadimplência substancial, reiterada e sem justificativa. Antes do enquadramento, os contribuintes foram notificados e receberam prazo de 30 dias para regularizar as pendências ou apresentar defesa.

Quem não quitou os débitos nem apresentou manifestação dentro do período estabelecido foi considerado revel e passou a integrar oficialmente a lista divulgada pelo órgão.

Pelas regras federais, o enquadramento considera, entre outros critérios, dívida tributária superior a R$ 15 milhões, valor acima do patrimônio declarado, além da manutenção da inadimplência por períodos consecutivos ou alternados dentro de um intervalo de 12 meses.

Setores afetados

Segundo a Receita, as ações tiveram início no setor fumageiro e foram ampliadas para o segmento de combustíveis, cujos débitos ultrapassam R$ 30,6 bilhões, considerando informações do órgão e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

A estratégia integra as ações de fiscalização voltadas para grandes devedores que utilizam o não pagamento de tributos como prática recorrente de negócio.

Restrições previstas

Após o reconhecimento da condição de devedor contumaz, os contribuintes ficam sujeitos às sanções estabelecidas na legislação, entre elas o impedimento de receber benefícios fiscais, participar de licitações públicas e aderir a programas específicos de regularização.

Também podem ser aplicadas restrições relacionadas à recuperação judicial, à declaração de inaptidão da inscrição no cadastro de contribuintes e ao cancelamento de selos obtidos em programas de conformidade.

Nova plataforma

A Receita Federal disponibilizou uma página específica para reunir informações sobre o tema, incluindo os critérios de enquadramento, as etapas do processo administrativo e as alternativas para regularização dos débitos.

O órgão informou que a medida não tem como objetivo atingir empresas em dificuldades financeiras temporárias, mas combater casos em que a inadimplência é utilizada de forma planejada para obtenção de vantagem competitiva.

Defesa garantida

A Receita Federal informou que o contribuinte somente é considerado devedor contumaz após a conclusão de processo administrativo que assegura o direito ao contraditório e à ampla defesa.

As empresas notificadas podem:

  • quitar integralmente os débitos;
  • solicitar o parcelamento das dívidas;
  • apresentar documentos que comprovem situação regular;
  • demonstrar patrimônio suficiente para afastar o enquadramento;
  • contestar a classificação por meio de defesa administrativa;
  • recorrer da decisão caso o pedido seja negado.

Casos excluídos

A legislação estabelece situações em que a empresa não deve ser enquadrada como devedora contumaz. Entre as exceções estão:

  • débitos parcelados e regularmente pagos;
  • tributos com exigibilidade suspensa por decisão judicial;
  • valores em discussão administrativa;
  • controvérsias jurídicas relevantes;
  • empresas atingidas por calamidades públicas ou crises comprovadas.

A regulamentação também determina que juros, multas e encargos legais não integram o cálculo principal da dívida utilizado para fins de enquadramento.