A movimentação de uma distribuidora ligada à esposa do deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), pré-candidato ao governo do Tocantins, está entre os pontos investigados pela Polícia Federal em um caso que voltou à pauta nacional nesta quarta-feira, 14, em reportagem da revista Veja. Os investigadores apuram se a empresa foi utilizada para receber valores relacionados a um suposto esquema de favorecimento da Larclean Saúde Ambiental em contratos públicos.

A suspeita envolve R$ 420 mil em pagamentos que, conforme a apuração policial descrita pela revista, teriam sido destinados ao parlamentar em troca de apoio à empresa em contratos com a Secretaria Estadual da Educação. A investigação integra os desdobramentos da Operação Overclean.

Um dos elementos analisados pela PF é o caminho percorrido pelo dinheiro. De acordo com as informações divulgadas, os recursos saíam da BRA Teles e chegavam à GMD Borba Distribuidora, registrada em nome de Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira, mulher do deputado. Os investigadores também identificaram o registro “VIC” em uma planilha apreendida durante a apuração e o relacionaram a transferências sob suspeita. A Veja informa que os pagamentos investigados incluíam parcelas mensais de R$ 20 mil.

A relação entre a Larclean e contratos estaduais também está no centro do caso. A empresa celebrou contratos e aditivos com a Secretaria da Educação entre 2021 e 2024, em valores que chegaram a R$ 59,2 milhões. A PF apura se houve favorecimento nos procedimentos de contratação.

Outro aspecto examinado é o volume de dinheiro movimentado pela distribuidora ligada à família do parlamentar. Em reportagem publicada em dezembro de 2025, o UOL informou que a empresa registrou R$ 170 milhões em movimentações financeiras entre janeiro de 2019 e abril de 2025. O montante corresponde a R$ 85 milhões em entradas e R$ 85 milhões em saídas, apesar de o capital social registrado ser de R$ 100 mil.

Para os investigadores, a movimentação é um dos elementos que levantaram suspeitas sobre a possível utilização da empresa como intermediária de recursos. Os valores, por si só, não comprovam a origem ilícita do dinheiro nem a participação do deputado em irregularidades.

Em setembro de 2025, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal medidas relacionadas à investigação, incluindo bloqueio de bens e buscas. O ministro Nunes Marques, relator do caso, negou os pedidos por considerar insuficientes os elementos apresentados para justificar as medidas contra o parlamentar.

Até a publicação da reportagem da Veja, a apuração permanecia aberta, sem indiciamento de Vicentinho Júnior pela PF ou apresentação de denúncia pelo Ministério Público. Procurado pela revista, o deputado não respondeu. Em manifestações anteriores, negou irregularidades e declarou ser “ficha limpa”.

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