Tilápias invadem Córrego Neblina e ameaçam repovoamento do Lago Azul em Araguaína
23 setembro 2026 às 17h42

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A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Araguaína começou, na terça-feira, 22, a uma ação de contenção de tilápias identificadas no Córrego Neblina. Equipes técnicas montaram uma barreira de rede próxima à Avenida Tocantins, ponto a partir do qual será feita a captura dos exemplares, numa tentativa de impedir que a espécie avance rumo a outras áreas da bacia e comprometa o processo de recuperação ambiental do Lago Azul.
A descoberta da invasão só veio à tona depois que um morador flagrou os peixes em vídeo, o que levou o prefeito Wagner Rodrigues a acompanhar pessoalmente o início dos trabalhos. Segundo ele, duas hipóteses estão sendo investigadas pelos biólogos do município: a possibilidade de rompimento de algum criatório durante o período chuvoso, ou o deslocamento dos peixes no sentido inverso, partindo do próprio Lago Azul em direção ao córrego.
Falha na criação pode estar por trás do problema
De acordo com o biólogo municipal Aníbal de Souza Neto, criar e comercializar tilápia é atividade permitida no Tocantins, mas sujeita a uma exigência técnica importante: os alevinos precisam passar por reversão sexual, procedimento que assegura predominância de machos nos plantéis e, assim, reduz o risco de reprodução fora de controle. A presença de fêmeas em fase reprodutiva entre os peixes capturados sugere que essa etapa pode não ter sido cumprida corretamente por algum fornecedor, configurando possível comercialização irregular de alevinos.
Espécie ameaça equilíbrio conquistado em quase uma década
O que preocupa as autoridades não é apenas a presença da tilápia, mas seu potencial reprodutivo. A espécie desenvolveu estratégias que aumentam consideravelmente a sobrevivência dos filhotes, entre elas, o próprio cuidado parental, além de revolver o leito dos cursos d’água, disputar espaço com espécies nativas e se alimentar de ovas de outros peixes. Na avaliação de Aníbal, esse ritmo de reprodução supera em muito o de predadores naturais como pintado, tucunaré e piranha, colocando em risco o trabalho de repovoamento tocado há quase dez anos na região. Os exemplares capturados na operação serão encaminhados a um criadouro.
Projeto Lago Vivo já devolveu mais de 200 mil peixes
A iniciativa de contenção ocorre em meio ao andamento do Projeto Lago Vivo, responsável pela reintrodução de mais de 200 mil peixes de espécies nativas antes extintas no Lago Azul, entre elas tambatinga, pacu-caranha, piau, surubim, matrinxã, pintado e curimatã, todas originárias das bacias do Rio Lontra e afluentes. Somente desde a Semana Santa, cerca de 2 mil peixes foram soltos no lago, com pesos que variam de 500 gramas a 12 quilos, parte deles destinada a eventos de pesca esportiva e alimentação. O projeto também mantém frentes de limpeza e conservação, incluindo remoção de lixo e manutenção da orla e da Via Lago.
A pesca no local segue regras específicas: o decreto municipal 161/2019 veda a pesca predatória, permitindo apenas a modalidade esportiva, mediante cadastro e carteira de pescador esportivo emitidos pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Meio Ambiente e Turismo.
