O Tocantins está entre os estados incluídos no plano de prevenção a incêndios florestais elaborado pelo governo federal para o período de estiagem de 2026. Um levantamento apresentado pela União aponta que três municípios tocantinenses foram classificados em uma faixa intermediária de risco para ocorrência de queimadas, em um cenário que também considera os possíveis impactos do fenômeno El Niño e o contexto eleitoral do próximo ano.

As informações foram discutidas em reuniões da sala de situação contra incêndios, grupo que reúne diferentes ministérios e órgãos federais para monitorar áreas consideradas mais vulneráveis durante a seca. O tema deverá voltar à pauta em um novo encontro previsto para junho.

Segundo o mapeamento do governo federal, além de três municípios do Tocantins, outras 18 cidades foram classificadas em nível intermediário de risco: quatro no Pará, seis no Amazonas e cinco no Mato Grosso. Aproximadamente cem municípios em diferentes regiões do país também aparecem em níveis menores de preocupação.

O objetivo é direcionar ações preventivas e reforçar a atuação de órgãos de fiscalização e investigação. A proposta prevê participação da Polícia Federal, das forças de segurança, do Ministério da Defesa e de outros órgãos federais em áreas consideradas prioritárias.

O planejamento ocorre em meio ao monitoramento das condições climáticas para os próximos meses. O governo federal acompanha a possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño, fenômeno associado ao aumento das temperaturas e à redução das chuvas em parte do país, fatores que podem favorecer a ocorrência de incêndios florestais.

As projeções apresentadas por especialistas indicam uma possibilidade de cerca de 70% de ocorrência de um El Niño forte ou mais intenso. No entanto, as previsões ainda apresentam elevado grau de incerteza e um cenário mais preciso deverá ser conhecido a partir de julho.

Enquanto acompanha a evolução das condições climáticas, o governo mantém ações preventivas em diferentes regiões do país. Entre elas estão as chamadas queimas prescritas, técnica utilizada para reduzir o material combustível que pode alimentar incêndios de grandes proporções.

Conforme o Ministério do Meio Ambiente, a estratégia passou a ser adotada em 2025 e contribuiu para uma “queda de 39% na área queimada no território nacional” naquele ano “na comparação à média dos oito anos anteriores”.

Outra frente considerada fundamental envolve a cooperação com estados e municípios. Os corpos de bombeiros são responsáveis pelo combate a incêndios em propriedades privadas, locais onde se inicia a maior parte das ocorrências. Um plano integrado envolvendo os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal está em elaboração.

Também está prevista uma parceria com as Polícias Militares ambientais de todo o país. O efetivo estimado é de cerca de 8 mil agentes para atuação ostensiva em áreas consideradas mais suscetíveis aos incêndios.

Neste ano, o Ibama já emitiu 574 notificações preventivas a proprietários rurais. O instrumento permite responsabilização futura em casos de incêndios quando não forem adotadas medidas mínimas de prevenção, como a formação de brigadas próprias.

Até o momento, o governo federal mobilizou 4.410 brigadistas distribuídos em mais de 200 equipes do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O plano também prevê a participação de mais de 200 integrantes da Força Nacional em ações de fiscalização e combate ao fogo.

Além disso, o Executivo avalia o uso de aeronaves do Ministério da Defesa para apoio às operações e estuda ações de cooperação internacional em áreas de fronteira. Campanhas de conscientização voltadas a produtores rurais e à população também estão previstas, juntamente com iniciativas de capacitação de brigadistas e limpeza de rodovias.

O Ibama e o ICMBio estimam a necessidade de aproximadamente R$ 200 milhões em crédito extraordinário para execução de parte dessas medidas e recomposição de perdas orçamentárias.