O candidato a deputado estadual Eduardo Andrade (PSDB), número 45100, citado em um flagrante por suspeita de compra de votos nesta sexta-feira, 3, em Gurupi, recebeu recursos da direção nacional do partido e das campanhas de Vicentinho Júnior, candidato ao governo, e Iratã Abreu, que disputa uma vaga de deputado federal. Dados da prestação de contas eleitoral mostram R$ 11.608,70 em receitas declaradas pela campanha de Andrade.

Do total registrado, R$ 10 mil foram repassados pela Direção Nacional do PSDB. Outros R$ 1.196 aparecem como recursos estimáveis provenientes da campanha de Vicente Alves de Oliveira Júnior, o Vicentinho Júnior, candidato do PSDB ao governo do Tocantins. A campanha de Iratã Abreu Silvestre, candidato a deputado federal pela mesma legenda, aparece com R$ 412,70. Os dados são do TSE e correspondem à prestação parcial disponível em setembro.

O nome de Eduardo Andrade aparece no caso registrado nesta sexta em Gurupi. Segundo as informações do flagrante, Migne Thiago de Oliveira Cabral foi preso sob suspeita de oferecer e entregar dinheiro com o objetivo de obter votos para Eduardo, número 45100. Duas mulheres também foram presas depois de, segundo o registro, receberem R$ 300 cada. Os repasses teriam ocorrido nas imediações de um estabelecimento na avenida São Paulo, esquina com a rua 10, no setor Central.

A Polícia Federal confirmou que três pessoas foram presas em flagrante em Gurupi por suspeita de corrupção eleitoral. De acordo com a corporação, um homem teria repassado dinheiro a duas eleitoras em troca do compromisso de voto. A investigação busca esclarecer as circunstâncias do episódio, a origem do dinheiro e a possível participação de outras pessoas.

Eduardo Andrade tem 33 anos, é psicólogo e concorre pela primeira vez a um cargo eletivo. Ele declarou R$ 20 mil em bens à Justiça Eleitoral, referentes a participação societária em uma clínica. O registro de sua candidatura está deferido.

O candidato integra a chapa proporcional do PSDB no Tocantins. O partido lista oficialmente Eduardo Andrade entre seus candidatos à Assembleia Legislativa e Vicentinho Júnior como candidato ao governo. Os dois também participaram juntos de agenda política em Gurupi durante a pré-campanha, ao lado de Iratã Abreu, em encontro dedicado a propostas para famílias atípicas.

Até o momento, as informações tornadas públicas sobre o flagrante não apontam que Eduardo Andrade tenha sido preso nem demonstram que ele tenha ordenado, financiado ou tivesse conhecimento do suposto pagamento aos eleitores. A apuração deverá esclarecer a relação de Migne Thiago de Oliveira Cabral com a campanha e a origem dos valores apreendidos.

Iratã Abreu

Em nota, Iratã Abreu afirmou que os R$ 412,70 registrados em favor da candidatura a deputado estadual correspondem à produção de material de propaganda eleitoral utilizado conjuntamente pelas duas campanhas. Segundo ele, a operação foi declarada à Justiça Eleitoral e não tem relação com o episódio de suspeita de compra de votos investigado em Gurupi. O candidato afirmou ainda que não participou do caso e que não há, no registro da operação, elemento que estabeleça vínculo entre sua candidatura e a suspeita apurada pelas autoridades.

Nota de Iratã na íntegra

Nota de esclarecimento

O valor de R$ 412,70 citado na reportagem corresponde a uma operação regular de campanha realizada por Iratã Abreu para a produção de material de propaganda eleitoral utilizado conjuntamente com o candidato a deputado estadual.

A operação foi registrada e declarada à Justiça Eleitoral, conforme as regras de prestação de contas de campanha. A legislação eleitoral permite doações e o compartilhamento de material de propaganda entre candidaturas, desde que observadas as regras de registro e contabilização.

A prestação de contas é pública justamente para assegurar transparência sobre a origem e a aplicação dos recursos utilizados nas campanhas eleitorais. Os dados das candidaturas podem ser consultados no sistema oficial da Justiça Eleitoral.

O valor mencionado não possui qualquer relação com o episódio de suspeita de compra de votos ocorrido em Gurupi, que está sendo apurado pelas autoridades competentes.

Associar uma operação regular e declarada de campanha ao episódio investigado cria uma relação que não corresponde aos fatos. Iratã Abreu não participou do episódio e não há, na operação mencionada, qualquer elemento que estabeleça vínculo entre o candidato e a suspeita investigada.

Foto: DivulgaCand/TSE