O Tocantins registrou a terceira maior alta proporcional de suicídios indígenas do Brasil entre 2023 e 2024, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. O número de casos no estado passou de três para oito em apenas um ano, representando crescimento de 166,7%.

Os dados integram levantamento nacional divulgado no Relatório Institucional elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que analisa a série histórica entre 2014 e 2024.

No ranking nacional de crescimento percentual, o Tocantins aparece atrás apenas de Pernambuco, que registrou aumento de 400%, e do Acre, com alta de 200%.

Apesar de o Tocantins ainda apresentar números absolutos inferiores aos estados com maior concentração de casos, como Amazonas e Mato Grosso do Sul, o avanço recente chamou atenção dos pesquisadores.

O relatório destaca que o crescimento dos suicídios indígenas no estado “acende um alerta” e pode indicar o surgimento de novos fatores de risco, exigindo investigações específicas nas comunidades afetadas.

Segundo o estudo, o fenômeno do suicídio indígena no Brasil se concentra principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde fatores como conflitos territoriais, pressão sobre modos de vida tradicionais, precariedade social e dificuldades de acesso a políticas públicas contribuem para o agravamento do sofrimento psicossocial.

Os pesquisadores também alertam que estados com populações indígenas menores, como o Tocantins, podem apresentar oscilações bruscas nas taxas a partir de pequenas variações no número de casos. Ainda assim, o aumento recente é considerado significativo e demanda atenção das autoridades de saúde pública.

Em nível nacional, o Brasil registrou 211 suicídios indígenas em 2024, maior número da série histórica iniciada em 2014. O crescimento foi de 14,1% em relação a 2023 e de 80,3% na comparação com o início da série.

Onde procurar apoio

Pessoas que estejam enfrentando sofrimento emocional, pensamentos suicidas ou sinais de desesperança devem buscar ajuda e acolhimento junto à rede de apoio, como familiares, amigos, professores e profissionais de saúde.

O Ministério da Saúde orienta que conversar com alguém de confiança pode ser um passo importante, além de procurar atendimento especializado sempre que necessário.

Entre os serviços disponíveis estão:

  • Centros de Atenção Psicossocial (Caps);
  • Unidades Básicas de Saúde (UBS), postos e centros de saúde;
  • UPA 24 horas, Samu 192, pronto-socorros e hospitais.

Também é possível procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia, todos os dias da semana. O atendimento pode ser feito pelo telefone 188, além de chat, e-mail e VoIP.