Tocantins registra alto risco de crescimento de vírus que causa bronquiolite em bebês, aponta Fiocruz
15 maio 2026 às 07h48

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O Tocantins está entre os estados brasileiros com tendência de aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas próximas semanas, segundo dados do boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira, 14, pela Fundação Oswaldo Cruz. O estado também aparece na lista das unidades da federação classificadas em situação de alto risco para doenças respiratórias.
O levantamento aponta crescimento das infecções por Influenza A no Tocantins, cenário que também é observado nos estados da Região Sul, além de Roraima, São Paulo e Espírito Santo. Nas últimas quatro semanas, a Influenza A foi responsável por 51,7% das mortes por SRAG com resultado laboratorial positivo no país, principalmente entre idosos.
Além do avanço da gripe, o boletim chama atenção para o aumento dos casos de SRAG em crianças menores de dois anos em todo o Brasil. O principal responsável é o vírus sincicial respiratório (VSR), causador da bronquiolite, doença que afeta principalmente bebês e crianças pequenas.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o VSR respondeu por 41,5% dos casos de SRAG associados a vírus respiratórios. Na sequência aparecem Influenza A, com 27,2%, e rinovírus, com 25,5%. Segundo a Fiocruz, todos os estados brasileiros estão em situação de alerta para SRAG. Em dez deles, incluindo o Tocantins, o cenário é considerado de alto risco. Também integram essa lista Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraíba.
O Tocantins ainda está entre os 14 estados com tendência de crescimento de casos nas próximas semanas. A lista inclui Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Dados nacionais mostram que o Brasil registrou 57.585 casos de SRAG em 2026. Desse total, 45,7% tiveram confirmação para algum vírus respiratório. O rinovírus foi o mais identificado ao longo do ano, presente em 36,1% das amostras positivas, seguido por Influenza A (26,3%), VSR (25,3%) e covid-19 (7,4%).
Em relação aos óbitos, foram contabilizadas 2.660 mortes por SRAG no país em 2026. Entre os casos com resultado laboratorial positivo, a Influenza A respondeu por 39,6% das mortes, seguida por covid-19 (26%), rinovírus (21,3%) e VSR (6,4%). No fim de abril, a Organização Pan-Americana da Saúde alertou para o início do período de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com destaque para Influenza A H3N2 e VSR.
A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do boletim InfoGripe, destacou que a vacinação segue sendo a principal medida para evitar agravamentos e mortes causados pelos vírus respiratórios.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacina contra a gripe para grupos prioritários, como idosos, gestantes, crianças menores de seis anos e pessoas com comorbidades. O SUS também disponibiliza vacinação contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez e anticorpo monoclonal para bebês prematuros com maior risco de complicações.
