Eli Borges nacionaliza campanha ao Senado e busca apoio de nomes da direita fora do Tocantins
09 setembro 2026 às 10h09

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A menos de um mês da eleição, o deputado federal Eli Borges (Republicanos) passou a dar um caráter nacional à campanha pelo Senado no Tocantins. Nos últimos dias, o candidato publicou uma sequência de vídeos com nomes da direita e do campo conservador de outros estados, ao mesmo tempo em que aumentou o espaço dedicado a temas nacionais em suas redes sociais.
A estratégia ocorre num cenário particular dentro da base da candidata ao governo Professora Dorinha Seabra (União Brasil). Embora o Republicanos seja presidido no estado pelo governador Wanderlei Barbosa e tenha Atos Gomes como candidato a vice de Dorinha, Eli disputa espaço com outros candidatos ao Senado ligados ao mesmo campo político. Carlos Gaguim (União Brasil) e Eduardo Gomes (PL) mantêm relação mais próxima com a candidata ao governo e com o núcleo da campanha governista. Ronaldo Dimas (Podemos) também iniciou a eleição nesse conjunto de candidaturas ao Senado.
Com duas vagas em disputa, a concorrência ocorre também dentro da própria base. Eli precisa buscar um dos dois votos do eleitor que apoia Dorinha enquanto enfrenta candidatos que ocupam espaço semelhante no campo de centro-direita e direita. O deputado resistiu, ainda durante a montagem das chapas, às pressões para deixar a disputa e teve sua candidatura mantida pelo Republicanos.
É nesse ponto que a nacionalização aparece como uma alternativa para diferenciar sua candidatura.
Nos últimos dias, Eli levou às redes sociais vídeos de apoio de Michelle Bolsonaro, da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) e do senador Carlos Viana (PSD-MG). As gravações seguem uma mesma linha: apresentam o tocantinense como representante de pautas conservadoras e procuram associá-lo a lideranças conhecidas nacionalmente pela identificação com a direita.
O apoio de Michelle tem uma particularidade. A ex-primeira-dama já havia declarado apoio à reeleição de Eduardo Gomes, adversário direto de Eli por uma das duas vagas. No vídeo com o deputado do Republicanos, divulgado na quinta-feira, 3, Michelle afirmou que Eli “comunga dos nossos valores” e pediu votos para o candidato.
A presença de Michelle, portanto, não significa exclusividade do apoio bolsonarista no Tocantins. Ao contrário: mostra uma das dificuldades de Eli em ocupar sozinho esse espaço. Eduardo Gomes preside o PL no estado, foi líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso e mantém relação política antiga com a família do ex-presidente.
De Michelle a Damares
A campanha de Eli ampliou a sequência. Em outro vídeo, Damares Alves pede votos ao deputado tocantinense e relaciona sua candidatura à defesa da família e de pautas conservadoras. Gustavo Gayer, deputado federal por Goiás e candidato ao Senado naquele estado, também gravou manifestação de apoio. Carlos Viana, senador por Minas Gerais, aparece em outra publicação pedindo votos para Eli.
Não são apoios escolhidos ao acaso. Eli construiu parte da carreira política a partir do eleitorado evangélico, foi presidente da Frente Parlamentar Evangélica e tem atuação parlamentar associada a temas religiosos e conservadores. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, em 2019, passou pela Câmara de Palmas e pela Assembleia Legislativa do Tocantins.
A sequência de vídeos permite à campanha tentar transformar essa identidade, já conhecida no estado, numa credencial nacional: Eli procura apresentar ao eleitor tocantinense não apenas o deputado do Republicanos, mas um nome conectado a parlamentares e lideranças que atuam no debate nacional da direita.
STF e discurso anticorrupção entram na campanha
O movimento não ficou restrito aos apoios.
Eli também passou a usar com maior frequência assuntos nacionais em sua propaganda. Em uma das publicações recentes, defendeu a cassação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e criticou decisões da Corte. Em outra, vestido com a bandeira do Brasil, associou sua candidatura ao discurso de combate à corrupção e afirmou que o país precisa ser “liberto” de corruptos.
A pauta contra Moraes ganhou novamente espaço entre lideranças bolsonaristas nesta semana. No ato de 7 de Setembro na avenida Paulista, aliados de Flávio Bolsonaro voltaram a fazer críticas ao ministro do STF. Gustavo Gayer, um dos nomes que declarou apoio a Eli, participou da manifestação.
Eli tenta, assim, levar para a disputa tocantinense uma divisão que ultrapassa as alianças estaduais. Nas redes sociais, apresenta-se como representante de uma direita mais identificada com pautas conservadoras, religiosas, críticas ao STF e ao campo político do presidente Lula (PT).
A campanha também passou a sustentar a ideia de que Eli seria o candidato “de direita de verdade” na disputa pelo Senado. A frase tem função eleitoral clara: diferenciar o deputado justamente de adversários que também reivindicam votos desse eleitorado.
