Laurez não segura eleitor de Lula e voto da esquerda pode migrar para Dorinha
09 setembro 2026 às 12h47

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A aliança com o PT ainda não fez de Laurez Moreira (PSD) o candidato natural do eleitor de Lula no Tocantins. Em terceiro lugar nas principais pesquisas para o governo, o ex-prefeito de Gurupi e vice-governado do estado enfrenta resistência dentro de uma parcela da esquerda que, mesmo identificada com o presidente, não incorporou a candidatura estadual. Dirigentes sindicais e pessoas ligadas a esse campo ouvidos pela reportagem relatam que parte desse eleitorado considera votar em Dorinha Seabra (União Brasil), adversária de Laurez e candidata apoiada pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), desafeto de Laurez.
O movimento não transforma Dorinha numa candidata de esquerda. A senadora, que chegou a ser indicada como vice-líder do governo Lula no início do terceiro mandato do presidente, construiu sua trajetória em partidos de centro e centro-direita e hoje está no União Brasil. O que pesa, segundo os relatos colhidos pela reportagem, além de ser mulher e professora, é a atuação de Dorinha no Congresso e sua posição favorável a propostas de interesse do governo Lula em determinadas votações. Para esse eleitor, a distância política em relação à senadora acaba sendo menor do que a composição formal das chapas poderia sugerir.
Laurez enfrenta justamente o problema inverso. Ter o PT na coligação, Paulo Mourão como candidato ao Senado e Lula como referência nacional não foi suficiente, até agora, para criar uma identificação entre sua candidatura e o eleitorado de esquerda. Sua trajetória não foi construída nesse campo político, e a aproximação ocorreu tarde para que dirigentes, sindicatos, movimentos e eleitores passassem a tratá-lo naturalmente como representante local do projeto de Lula.
O momento em que a composição foi fechada também pesa. O PT chegou à candidatura de Laurez depois de outras possibilidades discutidas ao longo da pré-campanha e quando boa parte das relações políticas da eleição já estava estabelecida. A menos de um mês da votação, a campanha tenta produzir em poucas semanas uma associação que não foi construída durante os meses anteriores. A fotografia com Lula ajuda, mas não substitui uma relação política formada no tempo.
Há ainda uma dificuldade própria do PT tocantinense. Lula tem força eleitoral no estado, mas o partido não conseguiu transformar esse desempenho presidencial em representação proporcional equivalente. Nas eleições de 2022, não elegeu deputado federal nem estadual pelo Tocantins. Isso deixou a legenda sem mandatos parlamentares locais capazes de funcionar como pontos permanentes de organização e mobilização entre uma eleição e outra. Sindicatos, movimentos sociais e dirigentes municipais continuam importantes, mas não necessariamente seguem de maneira uniforme uma composição definida pela direção partidária.
Esse descompasso ajuda a explicar o problema eleitoral de Laurez. Lula tem votos no Tocantins; Laurez ainda precisa convencer uma parcela desses eleitores de que eles também são seus. Enquanto essa ligação não ocorre, Dorinha encontra espaço onde, pela composição formal da eleição, Laurez poderia esperar vantagem. O risco para o candidato do PSD é chegar a outubro com Lula no palanque, Paulo Mourão na chapa e uma parte do eleitor de esquerda votando na principal adversária.
