Alda Conti: “Os cuidados com a pele precisam ser diários, especialmente na estiagem”
07 junho 2026 às 08h00

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Com a aproximação do período de estiagem, caracterizado pela baixa umidade do ar e pelo aumento das temperaturas, o Tocantins intensifica as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. Após registrar um dos cenários mais críticos de queimadas dos últimos anos, o estado reforça o monitoramento ambiental, a capacitação de brigadistas e a estrutura operacional para enfrentar a temporada de fogo, que poderá ser agravada pela influência do fenômeno El Niño sobre as condições climáticas.
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, a dermatologista Alda Conti falou sobre os principais cuidados com a pele durante o período de estiagem no Tocantins. Médica formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), é especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e professora da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Palmas. Com ampla experiência na área, atua no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças da pele, aliando a prática clínica à atividade acadêmica na formação de novos profissionais.
Durante a entrevista, a especialista destacou que o período de estiagem, caracterizado pela baixa umidade do ar e pelas altas temperaturas, favorece o ressecamento da pele e pode agravar doenças dermatológicas, como dermatite e eczema.

O Tocantins entra novamente em um período de estiagem. Quais os principais impactos da baixa umidade e das altas temperaturas para a saúde da pele?
O principal é a desidratação da pele e, claro, a incidência solar. Então, nessa época do ano, devemos reforçar o uso do filtro solar e também da hidratação da pele. Isso deve ser feito diariamente.
Palmas registra frequentemente temperaturas acima dos 35 graus. Como essa combinação de calor intenso e tempo seco pode impactar a pele?
A principal consequência, como eu já havia falado, é a desidratação da pele, deixando-a extremamente seca. Com isso, você diminui sua proteção, porque a barreira cutânea fica alterada. Além disso, com a alta incidência solar e as temperaturas elevadas, os raios ultravioletas estão mais intensos. Isso pode levar também a danos na pele, como o câncer de pele a longo prazo.
Quais são os sinais mais comuns de que a pele está sofrendo com os efeitos da estiagem e precisa de mais cuidados?
Você sente que a sua pele está mais seca, às vezes descama, pode apresentar vermelhidão, irritação e até coceira.
Durante esse período, quais problemas dermatológicos costumam aparecer ou se agravar com mais frequência?
O mais comum, além desses efeitos da pele seca, é o aparecimento de lesões causadas por fungos. Com a alta temperatura, você transpira mais e isso pode levar ao surgimento de lesões fúngicas, como impingem e também o que popularmente é chamado de pé de atleta. São situações em que o aumento da transpiração e o ambiente abafado favorecem o aparecimento dessas doenças.
Para tratar esses problemas é necessário acompanhamento médico?
Se você já tiver a doença instalada, sim. Será necessário atendimento médico para realizar o tratamento.
Quais são as formas de prevenção?
Resposta: No caso do pé de atleta, ao usar sapatos fechados, é importante manter os pés secos, usar talcos, trocar as meias com frequência e, após o banho, secar bem entre os dedos.
Em relação às micoses da pele, é importante manter a pele seca. Isso é um pouco diferente do que as pessoas entendem por pele seca e pele hidratada. Não quer dizer sem hidratação; significa sem excesso de água ou umidade.
A baixa umidade pode comprometer a barreira de proteção natural da pele. Quais consequências isso pode causar?
A principal consequência é a alteração da barreira cutânea, que é a nossa proteção. Com isso, a pessoa fica mais predisposta a alergias, fungos e até ao câncer de pele, porque acaba diminuindo a proteção natural da pele. As consequências são derivadas dessa redução da barreira cutânea.
Muitas pessoas acreditam que apenas quem tem pele seca precisa se preocupar com hidratação. Esse cuidado também é importante para quem tem pele oleosa?
Sim. Mesmo a pele oleosa necessita de hidratação. O que muda é o tipo de creme indicado. Para uma pele oleosa, são utilizados cremes com menor quantidade de óleo e maior quantidade de água. Assim, é possível hidratar sem aumentar a oleosidade.
Isso acontece porque antigamente os cremes eram praticamente iguais. Hoje a cosmética permite personalizar os produtos de acordo com a necessidade da pele. Se a pele é seca, utilizamos cremes com mais óleo do que água. Se é oleosa, fazemos o contrário, proporcionando hidratação sem aumentar a oleosidade.
Além disso, existem produtos chamados matte, que contêm substâncias capazes de absorver o óleo da pele. Assim, ela não fica oleosa.
Como uma pessoa leiga pode escolher o produto correto para sua pele?
Hoje, de maneira geral, os rótulos já oferecem essas informações. Eles indicam se o produto é oil-free ou se possui maior capacidade de hidratação.
Às vezes, a pessoa consegue comprar sem orientação. Mas, na dúvida, o ideal é passar por uma consulta para que o médico possa orientar melhor. É difícil afirmar que alguém conseguirá chegar à farmácia e escolher exatamente o produto ideal para sua pele. Porém, os rótulos oferecem um certo esclarecimento.
Existe o risco de um produto causar alergia?
Exatamente. É muito difícil afirmar que o que funciona para uma pessoa também funcionará para outra sem uma avaliação clínica.
Quais hábitos comuns do dia a dia podem agravar o ressecamento da pele durante a estiagem?
O principal deles, que é um hábito muito forte entre os brasileiros, é o uso das buchas. Elas retiram o pouco de óleo que uma pele seca produz. Mesmo em uma pele oleosa, removem totalmente a oleosidade.
Isso agride a barreira cutânea, porque a oleosidade funciona como uma proteção. Na época seca, essa proteção já está reduzida. Se você usa buchas ou esfoliantes, acaba piorando a situação.
Outra questão muito importante é a hidratação oral. As pessoas precisam aumentar o consumo de água nesse período do ano, porque isso também reflete na saúde da pele.
E as esponjas vegetais?
Pior ainda. A esponja vegetal é mais abrasiva. Ela possui fibras que, ao serem passadas sobre a pele, acabam causando uma espécie de arranhão e removendo a camada córnea.
O ideal é não utilizar esse tipo de esfoliante. Caso a pessoa queira esfoliar a pele, hoje existem sabonetes esfoliantes corporais que podem ser usados, no máximo, duas vezes por semana. E, no dia da esfoliação, é importante hidratar a pele logo em seguida.
Além do rosto, quais áreas do corpo merecem atenção especial?
Os braços e as pernas. Falo muito dos braços porque eles recebem uma incidência solar muito intensa. Sabemos que uma pele bem hidratada também tem um aumento na sua proteção.
Por isso, os braços devem ser hidratados todos os dias, assim como as pernas. Os pés também merecem atenção, pois nessa época do ano ficam muito ressecados e podem até apresentar fissuras por falta de hidratação.
Os lábios costumam ressecar bastante nesse período. Quais cuidados ajudam a evitar rachaduras e feridas?
O primeiro deles é o uso de hidratante labial.
Hoje existem várias opções no mercado. Não basta usar apenas manteiga de cacau ou produtos que não mantêm uma hidratação eficaz. É necessário hidratar e proteger. A hidratação deve ser feita várias vezes ao dia, associada ao uso de protetor solar labial.
Pessoas que utilizam medicamentos como o Roacutan precisam de cuidados diferenciados?
Sim. Elas precisam ser acompanhadas durante todo o tratamento. Em relação à pele, são prescritos hidratantes para o corpo, rosto, lábios e também filtro solar. Essas são orientações que devem ser seguidas durante todo o tratamento.
Para quem trabalha exposto ao sol, quais medidas são indispensáveis para proteger a pele?
A primeira delas é o uso do filtro solar. Também são importantes roupas com proteção solar, chapéus e bonés, embora o chapéu ofereça uma proteção melhor.
À noite, é fundamental hidratar a pele. Como eu disse no início, uma pele bem hidratada tem um pouco mais de proteção do que uma pele desidratada. Isso deve ser feito diariamente.
Quem trabalha diretamente sob o sol também precisa reaplicar o filtro solar duas, três ou até quatro vezes ao dia. Dependendo do fator utilizado, a reaplicação deve ocorrer a cada três ou quatro horas. Não basta aplicar pela manhã e acreditar que estará protegido o dia inteiro.
Como as altas temperaturas e a forte incidência solar influenciam o risco de câncer de pele?
O risco aumenta principalmente porque muitas pessoas não têm o hábito de usar o filtro solar adequadamente. A radiação solar aqui tem uma capacidade maior de penetração na pele, o que acaba elevando os riscos de desenvolvimento do câncer de pele.
Quais sinais devem servir de alerta para um possível câncer de pele?
Em geral, são manchas ou feridas que não cicatrizam.
Toda lesão que surge recentemente, especialmente em áreas expostas ao sol, apresenta crescimento rápido e não está cicatrizando, deve ser avaliada por um médico.
Outro sinal importante são pintas escuras que mudam de cor, coçam ou doem. Isso também pode indicar uma lesão com potencial para ser câncer de pele.
Esses sinais são os mesmos para adultos e crianças?
Sim. Tanto para adultos quanto para crianças.
Nas crianças, porém, é mais raro, porque a incidência solar acumulada é muito menor do que em adultos ou idosos.
O mais comum, quando ocorre, são lesões melanocíticas, que são essas pintas que sofrem transformações. Geralmente aparecem mais na adolescência ou a partir dos 20 ou 25 anos. Em crianças, é muito raro.
Existe uma relação entre o câncer de pele na vida adulta e a exposição solar durante a infância?
Sim. O efeito do sol na pele é acumulativo.
Por isso, a criança deve começar a usar protetor solar desde cedo, para evitar que, na fase adulta ou na velhice, desenvolva câncer de pele. Muitas pessoas apresentam câncer de pele entre os 40 e 50 anos como reflexo da exposição solar ocorrida na infância ou adolescência.
Não é porque o câncer de pele é menos comum em crianças que elas não precisam de proteção. Pelo contrário: a proteção é fundamental justamente para evitar problemas no futuro.
Como ocorre esse processo?
Ocorre uma alteração no DNA das células da pele. A exposição solar agride essas células continuamente.
Quando a pessoa é jovem, o organismo consegue corrigir muitos desses danos. Porém, chega um momento em que essas alterações deixam de ser corrigidas adequadamente. A partir daí, as células passam a sofrer modificações que podem evoluir para um câncer de pele.
Existe diferença entre os produtos utilizados por crianças e adultos?
Sim. Existem produtos específicos para crianças a partir dos seis meses de idade, tanto filtros solares quanto hidratantes.
Depois que a pessoa entra na fase adulta, pode utilizar qualquer filtro solar ou hidratante adequado para o seu tipo de pele.
Quais orientações práticas a senhora considera essenciais para os moradores de Palmas?
Além da ingestão adequada de água, é importante manter a pele hidratada e fazer uso regular do filtro solar. Isso garante uma pele tratada e saudável. Hidratação e proteção são indispensáveis.
