O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal Opção Tocantins que o balanço de sua gestão deve ser feito pela população, ao avaliar o primeiro ano e meio de mandato. Segundo ele, os resultados estão ligados às entregas e ao cumprimento de compromissos assumidos no plano de governo, com metas que, em alguns casos, podem ultrapassar o atual mandato por envolver financiamentos e parcerias de longo prazo.

Ele destacou que prefere evitar avaliações próprias e disse que o “balanço final” será dado nas urnas, em eventual processo de reeleição. O prefeito também citou investimentos em mobilidade, infraestrutura, saúde e educação como parte de um projeto de transformação da cidade.

Ao comentar investigações recentes e operações policiais que atingiram a gestão, como a Sisamnes, que investiga vazamento de informações do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eduardo disse que o principal impacto foi a paralisação momentânea da cidade durante o período em que esteve afastado. Ele disse ainda que exonerações e substituições ocorridas nesse contexto não teriam relação direta com a administração.

Sobre a chamada Operação Falsa Emergência, que apura suposta fraude no contrato de gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o prefeito defendeu o modelo por meio de entidades sem fins lucrativos. Ele afirmou que as unidades foram recuperadas em comparação ao cenário anterior e rejeitou a tese de irregularidades estruturais no modelo adotado.

Ele ressaltou ainda que eventuais questionamentos administrativos devem ser tratados por órgãos de controle e reiterou que não vê problemas no modelo adotado. Na área da educação, o prefeito destacou projetos para ampliação de vagas em creches e escolas de tempo integral, com possibilidade de parcerias público-privadas. Ele afirmou que a gestão busca dividir responsabilidades entre parte pedagógica e manutenção da estrutura física das unidades.

Em infraestrutura, Eduardo citou obras em execução e planejadas, como recuperação de acessos viários, construção de pontes e projetos de mobilidade urbana financiados pelo Programa de Aceleraçãodo Crescimento (PAC), do governo federal. Segundo ele, os investimentos somam cerca de R$ 169 milhões e incluem intervenções em diferentes regiões da capital.

O gestor também comentou ações de revitalização urbana em áreas centrais e espaços públicos, como feiras, praças, praias e equipamentos culturais. Ele afirmou que parte desses locais foi encontrada em estado de abandono e que há projetos em andamento para requalificação.

No campo político, ao ser questionado sobre a senadora Dorinha Seabra (UB) e o cenário de 2026, Eduardo fez elogios à trajetória da parlamentar, especialmente na área da educação, mas afirmou que seu papel será exclusivamente administrativo. Ele disse que não atuará como coordenador de campanha e que sua prioridade será a gestão de Palmas.

Sobre a relação com o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), o prefeito afirmou que o diálogo institucional segue normal, com encaminhamento de demandas e projetos conjuntos. Segundo ele, eventuais divergências fazem parte do processo administrativo, mas não afetam a cooperação entre as gestões.

Ao final, Eduardo Siqueira Campos acrescentou que seu objetivo é concluir o mandato com entregas estruturantes e políticas de manutenção urbana. Ele disse que pretende deixar como legado uma cidade mais organizada, com melhorias em infraestrutura, saúde, educação e espaços públicos, além de reforço na política de zeladoria urbana.

Qual é o balanço que o senhor faz deste primeiro ano e meio de gestão? O que avançou e o que ainda preocupa?

Eu sempre tenho uma resistência e vejo muito isso ser comum, às vezes, em gestores, em políticos, dizer que o balanço é muito positivo. Quem tem que dizer isso não sou eu. Esse balanço é feito pelo cidadão e ele está diretamente ligado às entregas, a corresponder aquilo ao que eu me comprometi.

Porque o meu pai sempre me dizia que o nosso papel é de fazer compromissos e de realizações. Sonhar, realizar. Palmas é um exemplo disso. Não que eu me recuse a fazer um balanço. Eu fiz um resumo de 500 dias. Eu creio que o resumo expressa aquilo que a gestão produziu. Eu prefiro deixar sempre esse papel para o cidadão. E o meu balanço final será o de reeleição ou não.

Eu tenho um plano de governo, eu tenho um projeto, eu tenho metas, eu tenho ações que eu considero indispensáveis a um mandato de quatro anos. Talvez tenham coisas que ultrapassem isso por conta de engatar financiamentos internacionais e até que esses projetos sejam desenvolvidos junto ao Banco Mundial, a outras instituições, PPPs [Parceria-Público-Privada], que às vezes levam um tempo um pouco maior.

Mas, mesmo assim, eu acho que o meu papel é trabalhar sem medidas para que isso se torne, vamos dizer assim, realizações. Essa cidade, como eu disse, ela é um resultado de sonhos, mas de muita realização, de muita entrega. Eu penso sempre nas entregas que eu tenho que fazer.

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Como se avalia hoje os desdobramentos da Operação Sisamnes? Houve impacto na sua gestão? Qual foi?

O impacto é o conhecido. A cidade parou nos dias em que eu fiquei fora. Houve um sentimento de vazio, exonerações inexplicáveis, substituições de pessoas que não têm relação com a gestão pública, e um sentimento de paralisação na cidade. Esse foi o único reflexo para mim, e será o único que vai permanecer, porque o assunto não me diz respeito.

E sobre a Operação Falsa Emergência, o senhor avalia que ela abalou a confiança da população? O que mudou com as investigações?

Acho que o “falsa” está colocado em um lugar um pouco errado dentro da formulação. Não da sua parte, mas da premissa de ser alguma coisa falsa. Só quem não vive em Palmas não conhece o que eram as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), a calamidade pública que existia na saúde.

Então, a única coisa que eu não faria seria conviver com o transporte coletivo daquele jeito, com as UPAs desse jeito, com a merenda do jeito que estava, com os restaurantes comunitários fechados. Isso não condiz com a minha personalidade nem com a minha maneira de ser.

Então, eu vou me restringir a falar do modelo. Eu não tenho nenhuma dúvida, até porque se você sair daqui agora e for numa UPA, você vai ver lá quanto tempo as pessoas estão sendo atendidas, quais os especialistas em pediatria, ortopedia, coisa que nunca houve.

Se você for ao secretário da saúde do Estado agora e perguntar a ele qual é o resultado das UPAs nesse modelo para o Hospital Geral de Palmas, ele vai dizer: “menos de 200 pessoas por dia nos corredores”.

Então, isso é o que me interessa. Eu não vou discutir questões administrativas, até porque não sou eu quem faz contrato, não sou eu quem publica ou deixa de publicar, não sou eu que coloca uma cláusula ou outra. Eu tenho uma equipe que faz isso, uma controladoria, nós temos um Tribunal de Contas e outros órgãos de controle.

Questões administrativas, eu acho que administrativamente se resolve. Então, eu defendo o modelo. Não defendo instituição nenhuma, claro. Defendi a honra e a integridade moral das pessoas em quem eu confiei, que são seres humanos falíveis.

Você pode encontrar administrativamente algum problema, algum reparo a ser feito. Mas [de outra maneira] você não encontra nada, como não foi encontrado nada.

Eu fico me perguntando: essa pessoa foi presa por quê? Ela não tinha nenhuma cautelar para cumprir. Ela podia falar com as colegas de trabalho, podia falar com a equipe.

Então, eu não quero entrar nesse mérito. A vida já me permitiu, inclusive em relação à minha pessoa, ser alvo de uma operação. Uma semana depois te entregarem meu celular dizendo: “olha, você não tem nada com isso”.

Aí eu falo: “bom, mas por que mesmo eu virei manchete de todos os jornais?” Porque encontraram uma forma de colocar um homem ali que nada tinha a ver com a situação. Isso já aconteceu comigo.

A vida ensina. Eu penso muito em tudo, faço uma reflexão sempre sobre tudo. Nenhuma investigação pode ocorrer em meu desfavor. Porque a nossa intenção é mudar a saúde de Palmas. O modelo, eu não tenho dúvidas dele. Haja o que houver, o modelo das UPAs será esse. 

Uma gestão por entidade sem fins lucrativos, que tenha o certificado do SEBAS [Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social]. Esse certificado só é emitido pelo Ministério da Saúde ou da Educação. Então eu pergunto: como é que esta empresa está funcionando? Hoje, se você for à Itatiba, a empresa está funcionando. Como é que ela não tem certidão?

Então, o falso nessa questão não está diretamente ligado à nossa gestão. A falsidade está na acusação.

Mas caso encontrarem erros administrativos, a administração pode rever seus atos a qualquer momento.

Defendo o modelo, mas não defendo nenhum erro. Não tenho compromisso com meus próprios erros. 

Repito com prazer que estou aqui para fazer o meu melhor e escolher, a meu ver, o melhor sistema que é o que está funcionando no Brasil.

O que o senhor achou da articulação entre o vereador Vinícius Pires e o deputado Vicentinho Júnior em torno das denúncias envolvendo a saúde de Palmas?

Não me cabe julgar comportamento de terceiros. Eles têm os mandatos deles. Eles são os responsáveis pelo cumprimento. Não faço nenhum julgamento, não emito opinião.

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Qual é o plano da gestão para ampliar as vagas em creches e em escolas municipais? 

É importante registrar que Palmas ficou sete anos sem a construção de uma única escola de tempo integral. Eu tenho uma estratégia. São iniciativas inovadoras que estão acontecendo no Brasil e que também estão sendo observadas pelo Ministério da Educação.

O Ministério da Educação está oferecendo agora a construção de mais de dez escolas de tempo integral em regime de PPP.

Todo mundo conhece o conceito em termos de capital privado e gestão pública estatal. Este governo está oferecendo gestão por parcerias público-privadas. Ou seja, a diretora entra na escola para conduzir a parte pedagógica. Ela não é responsável por telhado, comida, limpeza ou reparo de piscina.

Eu penso da seguinte forma: quem fez um curso de pedagogia está preparado para, junto com as professoras, estar diante dos alunos. A gestão é responsável pelos prédios e pela manutenção. Eu penso que funciona quando cada um faz aquilo para o qual foi capacitado.

Então, eu tenho uma estratégia para ofertar um grande número de vagas.

Uma etapa foi resolver o problema do transporte coletivo urbano. Acho que não cabe dúvida sobre isso. O sistema está funcionando. A população percebe isso. Há alguns momentos em que o ônibus fica mais cheio? Há. Mas, com o ar-condicionado ligado e o Wi-Fi funcionando, o sistema está consolidado. O problema foi resolvido. Não é mais pauta.

Como a gestão responde às investigações e aos questionamentos do Ministério Público sobre a merenda escolar? A centralização da compra da alimentação escolar trouxe os resultados esperados?

Eu tenho 45 mil alunos, tenho ouvidoria, tenho a agricultura familiar vendendo diretamente e estamos cumprindo plenamente o que preconiza o PNAE.

Se existem questionamentos administrativos, a minha resposta é a mesma. Para alimentar 45 mil crianças e adolescentes, penso que a melhor estratégia é fazer uma compra centralizada, garantindo igualdade na alimentação em todas as 82 unidades, com pelo menos três proteínas servidas ao longo da semana — peixe, carne e frango —, além de arroz de primeira, feijão de primeira e todos os demais itens com a mesma qualidade.

Isso representa igualdade e democratização de oportunidades. Portanto, defendo o modelo. Não vejo problemas operacionais e, se houver questionamentos administrativos, eles se resolvem administrativamente.

Eu sempre penso que tudo pode ser melhor, mas eu como nas escolas. Eu visito as unidades. Às vezes estou com desembargadores ou promotores e digo: “Vamos fazer uma visita à cozinha”. É uma surpresa. Todos ficam impressionados ao ver a mesma qualidade, o mesmo modelo de despensa, tudo com prazo de validade estabelecido.

Agora, se você pensar em uma cidade de 45 mil habitantes, o que acontece ao longo de um dia ou de uma semana? Alguém é atropelado, acontece um assalto, uma casa pega fogo, explode um botijão de gás, alguém sofre um acidente de moto. Isso faz parte da vida de uma cidade de 45 mil habitantes.

Nós temos 45 mil pessoas todos os dias dentro das nossas escolas. São os alunos. Então, se houver uma ocorrência de qualquer natureza, ela é insignificante diante da qualidade da merenda que estamos oferecendo.

Pode ser melhor? Vamos buscar melhorar sempre.

Qual será a principal entrega da sua gestão nas áreas de infraestrutura até o fim do mandato?

Penso que nós já conquistamos grandes avanços. Tínhamos um problema seríssimo no acesso norte da cidade. Ali existiam duas pontes de péssima qualidade que permaneceram por mais de 25 anos.

E não me refiro apenas à região do Polinésia ou ao condomínio Polinésia. Estou falando do Água Fria, Água Boa, Santo Amaro, Sonho Meu, Setor Fumaça e de toda a região norte. Existe um contingente muito grande de pessoas vivendo ali, muitas delas em áreas resultantes de loteamentos irregulares. A situação dos loteamentos irregulares na região norte é gravíssima. As pessoas sabem quem promoveu isso. Quem criou esses loteamentos precisa ser responsabilizado, porque quem está sofrendo as consequências são os moradores.

Resolvemos o problema do acesso norte, resolvemos questões relacionadas às pontes em Taquaruçu e melhoramos o acesso ao Taquari. Quantas pessoas perderam a vida naquele asfalto esburacado? Agora estamos resolvendo também o principal trecho de entrada da cidade, que durante muito tempo foi um cartão-postal negativo. Trata-se de uma via que não possuía a infraestrutura adequada e que está sendo recuperada. A expectativa é concluir os trabalhos nos próximos dias. Também estou aguardando apenas a autorização do Ministério Público para iniciar as intervenções na Avenida Tocantins.

Além disso, já anunciamos os projetos de duas novas pontes: a ponte do Bertaville e a ponte gêmea para a duplicação da Avenida Siqueira Campos. Os projetos estão prontos, seguirão para licitação e as obras serão iniciadas. Com isso, vamos resolver importantes problemas de mobilidade urbana.

Também estamos estruturando um projeto maior. Em uma reunião pública no Palácio, diante de mais de cem prefeitos, o ministro das Cidades afirmou que os melhores projetos da Região Norte haviam sido apresentados pela Prefeitura de Palmas. Isso me deixou muito orgulhoso.

Trata-se de um corredor de mobilidade que terá início no Taquari e contará com pista de concreto para ônibus, centenas de pontos de parada, pelo menos três estações, novas pontes, ciclovias, faixas exclusivas para motocicletas, sinalização moderna e semáforos inteligentes.

Esses projetos estão em excelente andamento, integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e somam investimentos de R$ 169 milhões. Atualmente, eles chegam até a margem do córrego Taquaruçu Grande, na região do Bertaville. Quem visita o local pode ver a praia que conseguimos implantar para a população.

Em breve, a ponte do Bertaville será licitada, assim como a ponte destinada à duplicação da Avenida Siqueira Campos. Em termos de mobilidade, considero essas obras fundamentais.

O governador também está executando a ampliação da atual ponte que liga Palmas a Luzimangues. Ainda acredito que, no futuro, será necessária uma nova ligação viária, em outro ponto da cidade, por meio de uma ponte menor. Palmas vai precisar dessa estrutura.

Mas, neste momento, minha prioridade é iniciar e entregar a ponte do Bertaville e a ponte gêmea da duplicação da Avenida Siqueira Campos. Essas são as obras que quero ver começadas e concluídas.

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Há algum projeto da Prefeitura de Palmas para a região das quadras 103 Sul, 103 Norte, 104 Sul e 104 Norte, no entorno da Praça dos Girassóis? A área, segundo percepção de moradores e frequentadores, têm demandas importantes de revitalização urbana, especialmente em relação à arborização, manutenção de parques e qualificação dos espaços públicos.

Exatamente. A palavra é revitalização e criação de áreas de interesse. Ali temos, por exemplo, o Centro de Comércio Popular, o Camelódromo, que pode até não permanecer exatamente onde está hoje. Aquela região enfrenta dificuldades, principalmente pela falta de vagas de estacionamento para quem precisa fazer compras ou resolver alguma demanda. Por isso, estamos desenvolvendo um projeto de revitalização completa, com nova cobertura, readequação dos estacionamentos e outras melhorias. Esse trabalho já está em andamento.

Quando você menciona uma área abandonada, eu acrescentaria que existem várias outras situações semelhantes na cidade. As praias de Palmas foram abandonadas. As feiras também. Basta observar a Feira do Bosque aos domingos, uma das mais tradicionais da cidade, com oferta de alimentação, apresentações musicais e grande valor cultural. O estado dela é de abandono.

O Espaço Cultural, que deveria ser motivo de orgulho para nossa cultura, ficou fechado e abandonado. O Ginásio Ayrton Senna, um dos símbolos da cidade, tinha a praça e a estrutura física completamente abandonadas. O estádio que foi repassado para a prefeitura também não recebeu as intervenções necessárias. O kartódromo estava abandonado e nós acabamos de recuperar a pista.

Temos ainda praias, praças, espaços públicos, o Parque do Povo, auditórios e diversos equipamentos urbanos que ficaram sem manutenção. A dimensão do desafio é grande, mas foi justamente para enfrentar esses problemas que eu disputei a prefeitura.

Para todos esses espaços existe planejamento. Temos equipes trabalhando, projetos elaborados e, em muitos casos, projetos arquitetônicos já prontos. Eu cobro constantemente da equipe resultados concretos. A Avenida Tocantins, por exemplo, está há anos em uma situação inadequada. Nós assumimos o compromisso de resolver isso.

Mas é preciso tempo. Não é possível iniciar simultaneamente todas as revitalizações, reformas de feiras, praças, praias, pontes e demais intervenções urbanas. Há também outras demandas importantes. Quantas quadras estão com o asfalto deteriorado? Quantas praças precisam ser recuperadas? Estamos requalificando esses espaços porque eles são fundamentais para a convivência das famílias.

Além disso, encontramos problemas em equipamentos públicos como unidades básicas de saúde, Cras [Centro de Referência de Assistência Social] e CREAS. Recentemente entregamos o Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social] do Santa Bárbara. Também herdamos uma situação em que a cidade passou sete anos sem a construção de uma única escola de tempo integral.

Diante de tudo isso, o caminho é trabalhar, elaborar projetos, buscar recursos, dialogar com a bancada federal, perseverar e fazer acontecer. É isso que estamos fazendo.

Agora, mudando de assunto, saindo da infraestrutura e entrando na política. Como o senhor avalia o cenário atual para as eleições de 2026, especialmente diante da pré-candidatura da senadora Dorinha ao governo?

Em primeiro lugar, quero reiterar algo que já disse inúmeras vezes. Vejo a senadora Professora Dorinha como a figura mais preparada nesse cenário. Ela teve três mandatos como deputada federal, chegou ao Senado, é a única mulher da bancada tocantinense e foi escolhida por unanimidade para coordenar os trabalhos da bancada federal.

Ela conduz com muita responsabilidade a destinação das emendas para o Tocantins. Temos uma bancada bastante voltada ao atendimento dos municípios e vejo que essas emendas têm ganhado cada vez mais efetividade. Sempre que solicito apoio parlamentar, os pedidos são direcionados para educação, saúde e infraestrutura, porque considero essas as áreas prioritárias para a população.

Isso não representa demérito para nenhum outro nome. Não preciso diminuir ninguém para reconhecer as qualidades de uma candidata. Apenas expresso uma opinião que já manifestei anteriormente, baseada no conhecimento que tenho da trajetória dela.

Conheci Dorinha ainda no início da carreira pública. Meu pai me chamou atenção para aquela professora de Arraias que havia assumido responsabilidades na área da educação. Ele costumava fazer boas apostas políticas. Da atuação dela surgiram iniciativas importantes, como o Saúde na Escola, avanços na educação indígena e diversas outras políticas públicas relevantes.

Se existe uma frase repetida por muitos políticos de que a sociedade se transforma pela educação, a trajetória dela está diretamente ligada a essa ideia. Hoje, considero Dorinha uma das maiores referências da educação brasileira no Congresso Nacional. É frequentemente citada quando o assunto é política educacional. Foi relatora e protagonista de pautas importantes, entre elas o Fundeb, o que lhe rendeu reconhecimento nacional.

Trata-se de uma pessoa com reputação ilibada, que está no mesmo partido desde o início da vida política. Tenho orgulho do apoio que ofereço a ela.

Mas o meu papel nessa eleição é outro. Meu compromisso é ser prefeito de Palmas. Cabe a mim continuar cuidando da gestão da cidade. Não serei coordenador político de campanha nem exercerei qualquer outra função que não seja administrar Palmas.

O que posso fazer de melhor é entregar resultados. Quero que ela tenha a tranquilidade de caminhar por Palmas ao lado de uma gestão bem avaliada e de uma cidade que esteja avançando.

Além disso, Dorinha tem uma relação muito próxima com Palmas. Ela mora aqui. Quando retorna de Brasília ou de viagens pelo país, é para Palmas que ela volta. Esta é a cidade dela. E eu acredito que alguém que vive aqui conhece as necessidades da população e tem condições de cuidar bem deste lugar.

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Como estão essas discussões internas em relação a sua reeleição?

Olha, a reeleição é uma questão de merecimento. Por isso eu digo que não gosto muito de fazer balanço antecipado. Quem vai fazer esse balanço é a população, no momento certo, quando avaliar se o gestor fez um bom mandato e se merece permanecer mais um período. Uma coisa está diretamente ligada à outra.

Eu desejo, sim. Tenho projetos, tenho planos e venho buscando realizar o máximo possível. Acredito que a população já percebe um prefeito presente, que está nas ruas, acompanhando de perto a cidade. Nada abala minha convicção de que fui colocado nessa função para promover transformações.

Talvez o “diferente” tenha sido exatamente isso: alguém que alguns não esperavam ver nessa posição, mas que acabou conquistando espaço e avaliação positiva. Isso, porém, não muda minha forma de pensar.

Existe algo que eu considero muito ruim na política, que é quando algumas pessoas se veem como poderosas. Poderoso é Deus. Eu sou servidor público. Fui contratado para resolver problemas. É assim que eu me vejo. Atendo a todos da mesma forma, quem votou e quem não votou, porque entendo que meu papel é servir à população.

Eu me comporto sempre com essa lógica: trabalho para as pessoas.

Sobre a relação com o governador Wanderlei Barbosa, recentemente surgiram questionamentos sobre possíveis desgastes em razão da Operação Falsa Emergência. Como está essa relação hoje?

Olha, pouco antes de você entrar aqui, eu estava encaminhando documentos ao governador, ao presidente da Ageto [Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura] e ao chefe da Casa Civil, relacionados a licenças e autorizações para obras importantes, como a pavimentação da Quadra 1007 Sul. Isso mostra que o diálogo institucional segue normalmente.

A cidade do automóvel, o parque tecnológico e outras iniciativas ficaram anos paradas. Hoje, com o apoio do governo do Estado, conseguimos destravar esses projetos. Então, a relação institucional entre município e Estado está acima de qualquer questão pessoal.

Eu tenho a melhor relação possível com o governador. Dentro das diferenças naturais de cada gestão, há respeito mútuo. Eu não tento mudar o governador, e ele também não tenta me mudar. O que existe é respeito institucional.

Eu participo de agendas, dialogo, apresento demandas e sigo meu papel. Ele também me trata com cordialidade, e isso facilita o andamento das ações.

O que precisamos evitar são intrigas e tentativas de criar conflitos onde eles não existem. Quanto mais elevado for o nível institucional dessa relação, menor espaço haverá para esse tipo de interferência.

Eu não me deixo levar por teorias ou especulações. Posso concordar ou discordar de métodos, de decisões pontuais, mas isso faz parte do processo. O que não muda é o respeito institucional.

E sobre o futuro, eu tenho um objetivo claro: se possível, concluir esse mandato e, se for da vontade da população, seguir para um novo. Eu quero encerrar minha vida pública deixando um legado melhor do que aquele que deixei em experiências anteriores.

Se a avaliação vier positiva, isso é resultado de trabalho. E é isso que sigo buscando: entregar resultados e sair melhor do que entrei.

Qual então o legado político e administrativo que o senhor quer deixar ao final deste mandato, que ainda tem mais dois anos e meio?

Entre trabalhar e preparar Palmas para o futuro, penso em pontes, viadutos, na resolução de pequenos gargalos de trânsito, na recuperação dos nossos prédios públicos, praias, praças e feiras, na ampliação de vagas em creches e na construção de uma política habitacional mais significativa.

Existe um outro cuidado tão importante quanto, que é o da zeladoria. O cuidado com o lugar onde você mora, por onde você caminha, onde vai com seu filho. A praça é a mais democrática das opções. Você vai à praça e está todo mundo convivendo, alguns assistindo a uma partida de futebol, outros de beach tennis ou futsal. A praça é um espaço muito democrático.

Ter a zeladoria como política criada por mim e uma secretaria de obras que pense em projetos futuros é fundamental. Isso inclui mudanças na saúde, recuperação e retomada da construção de escolas, creches e outros espaços. Há, por exemplo, uma demanda muito forte no centro da cidade, que está praticamente pronta, aguardando apenas mobiliário.

Essa é a contribuição que eu quero deixar: um prefeito que pensou a cidade do futuro, mas que também cuidou do dia a dia do morador e deixou Palmas bem cuidada. Palmas é um patrimônio inestimável para as pessoas. Quem vem para cá não volta de onde veio. Não há possibilidade de uma pessoa morar em Palmas e voltar a pensar em trânsito, violência ou assaltos como em outros lugares.

Tenho tido um cuidado muito de fora para dentro, especialmente com as pessoas menos assistidas, que precisam de boa saúde, boa educação e vagas em creche.

Eu creio que terei deixado o legado de ter sido um prefeito reeleito por três vezes em Palmas. Importa menos ser o melhor prefeito da história ou o melhor prefeito que Palmas já teve. O que eu quero é que as pessoas digam que foi um prefeito que cumpriu os compromissos que fez e que fez uma boa passagem pela prefeitura.

Acho que isso é o que incomoda muita gente, sabe? Eles conhecem a minha capacidade e sabem da minha determinação. Isso é suficiente para que, sem querer, alguns tentem atrapalhar.