Paula Karini Amorim: “O desenvolvimento precisa vir acompanhado da construção de uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva”
14 junho 2026 às 08h00

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Paula Karini Amorim assumiu a Reitoria do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) para o mandato 2026-2030 após entrar para a história como a primeira mulher eleita para comandar a instituição. A posse marca um momento inédito nos quase 18 anos do IFTO e ocorre em um contexto de expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no estado.
Natural de Araguaína, Paula Karini tem mais de 30 anos de atuação na área da educação. É doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestre em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação e Comunicação pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e graduada em Administração pelo Centro Universitário Luterano de Palmas (Ceulp/Ulbra).
Professora do Campus Palmas desde 2011, construiu sua trajetória no IFTO ocupando cargos estratégicos na gestão institucional. Foi pró-reitora de Extensão, pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação e também exerceu a função de reitora substituta, participando diretamente da formulação de políticas voltadas ao ensino, à pesquisa e à extensão.
A nova reitora também atua como pesquisadora associada do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital e integra o Programa de Mestrado Profissional em Administração Pública (Profiap), da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Suas pesquisas estão concentradas nas áreas de comunicação, democracia digital, transparência pública, governança e participação cidadã.
À frente do IFTO, Paula Karini defende uma gestão baseada no cuidado com as pessoas, na valorização dos servidores e estudantes, na transparência e no fortalecimento das políticas de permanência estudantil. Entre as prioridades anunciadas para os próximos quatro anos estão a ampliação da participação feminina em espaços de liderança, a consolidação dos novos campi, o fortalecimento da infraestrutura da instituição e a busca por mais recursos para garantir a expansão das ações de ensino, pesquisa, extensão e inovação.
A senhora entra para a história como a primeira mulher eleita reitora do IFTO. O que esse momento representa para a instituição e para a senhora também?
Representa um momento histórico muito importante, porque sabemos da necessidade e da importância de as mulheres ocuparem os espaços, sobretudo espaços de liderança, espaços de gestão. Afinal, nós somos uma parcela significativa da população, né? E temos, sim, uma contribuição essencial com o desenvolvimento do Estado, da nação, de todas as frentes que compõem a sociedade.
Então, eu assumo essa responsabilidade, assumo esse cargo com um compromisso e uma honra gigantesca de representar as mulheres da instituição. E acho que também serve como uma porta que se abre, um caminho que se inicia para que outras também se encorajem e se sintam motivadas a participar, a estar presentes nessas posições.
Hoje, qual é o maior desafio enfrentado pelo IFTO que a senhora terá de enfrentar à frente da gestão?
Não só do IFTO, mas das instituições públicas de uma maneira geral, o principal desafio é o orçamento.
Nós vivemos uma situação de defasagem orçamentária. Não diria exatamente um déficit, mas uma defasagem. O nosso orçamento não cresceu na mesma proporção em que os custos de funcionamento aumentaram nos últimos anos.
Nós ampliamos o número de estudantes, estamos ampliando o número de campi, mas o orçamento não acompanhou esse crescimento de forma proporcional. Isso faz com que as despesas aumentem muito mais rapidamente do que o volume de recursos disponível.
Esse é, sem dúvida, o maior desafio que temos pela frente.
Como o IFTO pretende lidar com esse orçamento defasado?
Temos trabalhado junto ao Ministério da Educação, apresentando nossas demandas e nos articulando enquanto Rede Federal.
Para você ter uma ideia, nesta semana participei de reuniões do Conif, o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Estivemos na Câmara dos Deputados e no Senado apresentando a necessidade de recomposição e fortalecimento do orçamento das instituições federais.
Nós elaboramos um conjunto de dez objetivos estratégicos para a Rede Federal, e um deles é justamente o fortalecimento orçamentário.
Neste momento, a principal bandeira que estamos defendendo em conjunto é a universalização da alimentação estudantil. Estamos trabalhando em rede para sensibilizar tanto o Ministério da Educação quanto os parlamentares, especialmente neste período de elaboração da Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA), para que essas demandas sejam contempladas na construção do orçamento.
A universalização da alimentação estudantil é hoje uma das nossas prioridades. Com o Novo PAC, avançou a proposta de implantação de restaurantes em todos os campi da Rede Federal. Mas não basta apenas construir o restaurante. O estudante precisa ter acesso à refeição.
Por isso, estamos lutando para garantir duas refeições diárias aos nossos estudantes. A alimentação é um direito fundamental e um fator decisivo para a permanência estudantil, assim como o transporte público.
Em média, cerca de 70% dos nossos estudantes estão em situação de vulnerabilidade econômica. Por isso, garantir alimentação adequada é uma estratégia fundamental para que eles permaneçam e concluam seus estudos.
Além disso, estamos apresentando esses objetivos estratégicos aos parlamentares atuais e também àqueles que pretendem disputar as próximas eleições, buscando sensibilizá-los para que as necessidades da Rede Federal sejam incorporadas aos seus planos de atuação.
Cada instituto faz esse trabalho em seu estado, enquanto o Conif atua nacionalmente na interlocução com o Congresso Nacional em defesa das prioridades da Rede Federal.

E quais serão as prioridades da sua gestão ao longo desse tempo que agora se inicia?
Nós temos algumas prioridades. Uma delas, inclusive, é justamente esse processo de abrir portas e compreender mais e melhor como as mulheres podem participar na gestão da instituição. Então, trabalhar a formação de lideranças femininas, tanto no âmbito das servidoras, entre as servidoras e pesquisadoras, como também na área da gestão e junto às nossas estudantes.
Então, temos como ação prioritária para os próximos 100 dias trabalhar um programa para favorecer e identificar formas de ampliar a participação feminina em todos esses espaços, seja com formação para elas, formação para toda a comunidade, projetos e programas específicos para isso.
Também queremos olhar mais e melhor para as mães gestantes, melhorando os nossos espaços. Temos aqui uma política interna que é o Espaço Kids, para que as servidoras possam trazer os filhos no horário de trabalho. É uma extensão dessa rede de apoio que as mulheres precisam, não só as mães, mas também os pais.
Então, temos uma preocupação de nos aproximarmos, nos vendo como família, como pessoas que cuidam umas das outras. Dentro do nosso programa de qualidade de vida, essa é uma preocupação constante. Queremos fortalecer as ações que já existem e iniciar outras que possam favorecer a participação feminina nos espaços.
Obviamente, temos também outros desafios importantes, que dizem respeito ao enfrentamento da violência e do assédio, tanto contra as mulheres quanto racial. Esse é outro ponto que queremos trabalhar com mais capacitações, letramento e cursos. É uma preocupação não só do Instituto Federal, mas também da Rede Federal. Tanto é que nós participamos do pacto de enfrentamento contra a violência feminina.
No caso da instituição, de um modo geral, temos campi com diversas realidades. Há campi novos, recém-criados, como é o caso do Campus Tocantinópolis. Temos o desafio de finalizar as obras e iniciar as atividades com os equipamentos e toda a infraestrutura necessária, não só física, mas também de pessoal.
Aguardamos o recebimento dos códigos de vaga para poder prover essas vagas do Campus Tocantins e dos três últimos campi que foram transformados de campi avançados para campi de maior porte. Nesses locais também temos desafios de infraestrutura e pessoal.
Então, em resumo, eu destacaria esse olhar para a participação feminina e a formação de lideranças, a consolidação da infraestrutura dos novos campi, a manutenção dos campi já consolidados e o investimento em pessoas, com capacitações para o corpo técnico e docente.
O Tocantins vive um período de crescimento econômico acelerado, com expansão do agronegócio, da tecnologia e da logística. Como o IFTO pode contribuir para a formação de profissionais nessas áreas?
Nós temos plena consciência desse cenário. A própria criação dos institutos federais está ligada à interiorização da educação pública de qualidade e à necessidade de estarmos articulados com o setor produtivo e com os arranjos produtivos locais.
Por isso, temos cursos da área agrária em praticamente todas as unidades. Temos cursos de tecnologia em todos os campi. Na área de logística, contamos com oferta no Campus Porto Nacional e já ofertamos cursos também na modalidade a distância. Temos ainda cursos na área de gestão, que dialogam diretamente com esse setor.
O IFTO tem compromisso com o desenvolvimento regional sustentável e, por isso, procura estar atento tanto às demandas atuais quanto às futuras. Precisamos trabalhar sempre olhando para frente.
Um exemplo disso é a oferta de cursos na área de mineração. Atualmente, existe uma grande discussão sobre terras raras e sobre os novos empreendimentos minerais que estão chegando ao Tocantins. Diante disso, estamos ofertando curso técnico subsequente para capacitar profissionais para atuarem nesse setor.
O processo de identificação, extração e processamento mineral exige profissionais em diferentes níveis de formação, desde operadores de máquinas até especialistas de nível superior.
Nós queremos evitar uma situação em que grandes empreendimentos tragam profissionais de fora, que permanecem por um período e depois vão embora. Queremos que o desenvolvimento também seja protagonizado por pessoas do Tocantins, com mão de obra qualificada e preparada para ocupar esses espaços.

A evasão estudantil hoje é um desafio em todos os níveis de ensino. Quais estratégias o IFTO pretende adotar para enfrentar essa situação?
E aí eu volto a dizer: é uma preocupação ampla e também uma pauta do nosso Conif. No âmbito do Instituto Federal, nós integramos a chamada Rede APE, a Rede de Acesso, Permanência e Êxito. Essa rede tem ações e políticas concretas visando mitigar a evasão, porque não vamos conseguir eliminar completamente a evasão, mas mitigar.
Dentre as ações, temos trabalhado com essa pauta da alimentação, porque já mapeamos e identificamos três grandes fatores: alimentação, transporte e metodologias de ensino, o trabalho que o professor faz em sala de aula.
Na alimentação, estamos fazendo esse pleito em nível nacional para assegurar a universalização da alimentação para toda a educação básica. Em relação ao transporte, é atuar junto a parcerias com os municípios e também junto ao Ministério da Educação (MEC). Temos procurado trabalhar a universalização do transporte para os estudantes.
Nas metodologias, o caminho é o investimento na capacitação de professores. E tem um outro fator que também pesa em alguns campi, que é a questão da moradia. Temos pleiteado que, nas regiões em que isso é um fator preponderante para a permanência do estudante, possamos ofertar vagas para que ele tenha moradia na localidade.
Temos muitos estudantes que vêm de regiões com dificuldade de transporte público regular. Muitas vezes é mais barato residir na cidade. Em municípios onde o agronegócio é muito forte, os custos de moradia acabam ficando elevados. Então, vemos a moradia estudantil como mais uma forma de atuar no enfrentamento da evasão.
Então seriam moradias estudantis e não aluguel social, por exemplo?
Na verdade, precisamos estudar muito cada realidade. Às vezes, a moradia estudantil, por termos espaço e facilidade de adequação da infraestrutura, pode ser uma alternativa. Em outras situações, o aluguel social pode vir a ser uma alternativa. Tudo isso se discute respeitando a realidade de cada campus. Não existe uma solução única para todo mundo. Trabalhamos com flexibilidade, mas as duas possibilidades existem.
Sua trajetória é marcada pela atuação em pesquisa, inovação e democracia digital. Como essas experiências vão influenciar a gestão da Reitoria nos próximos anos?
Eu diria que isso me constitui como profissional. Tenho mais de 30 anos de experiência na área da educação e também já passei pelo setor privado.
Vejo que as instituições, enquanto existirem, sempre terão desafios. E o investimento nas pessoas e na inovação é fundamental. E quando falo em inovação não estou me referindo apenas a equipamentos e tecnologias, mas também à melhoria de processos.
Precisamos conhecer mais os processos e revisá-los continuamente. Passei pela Pró-Reitoria de Extensão e pela Pró-Reitoria de Pesquisa, e acredito muito no ciclo do PDCA: você planeja, executa, avalia e planeja novamente a partir das experiências anteriores.
Então, sim, é preciso profissionalizar o processo de gestão, capacitando gestores. Nós somos professores, não somos gestores. Eu tenho a vantagem de também ter formação na área de Administração, mas as instituições precisam investir na formação de seus gestores.
Por isso, acredito em um trabalho focado no monitoramento de indicadores, na gestão por resultados e no acompanhamento dos processos. Temos metas a cumprir a cada ano e precisamos prestar contas desses resultados.
Minha área de pesquisa é a democracia digital. Então, penso em inovação não apenas nos processos internos, mas também na forma como as instituições públicas se relacionam com os estudantes, os pais, os órgãos de controle e a sociedade.
Para que uma democracia seja forte, precisamos de mais transparência, mais participação, mais abertura e mais canais de comunicação. O IFTO tem indicadores muito positivos nessa área. No ano passado, ficamos em primeiro lugar em transparência ativa. Por isso, queremos fortalecer órgãos como auditoria, corregedoria, ouvidoria e procuradoria, garantindo processos cada vez mais eficazes e seguros.
Todo gestor quer colocar a cabeça tranquila no travesseiro ao final do dia, porque existe uma responsabilidade muito grande envolvida.
Hoje somos 12 unidades. Dessas 12, seis têm diretores que assumem a gestão de um campus pela primeira vez. Então, teremos uma fase intensa de capacitação para que compreendam a gestão orçamentária, o impacto da evasão estudantil e a importância dos indicadores institucionais.
É um conjunto muito grande de indicadores que precisamos trabalhar para alcançar bons resultados quantitativos, mas principalmente qualitativos. Nossa preocupação é oferecer uma educação inclusiva, de qualidade e que tenha impacto real na vida dos estudantes.
Vemos muitos casos de estudantes que hoje ocupam posições profissionais que mudaram completamente a realidade de suas famílias graças às oportunidades que tiveram no Instituto Federal.

O que a comunidade acadêmica pode esperar em termos de investimentos em extensão, pesquisa e inovação durante sua gestão?
Temos trabalhado continuamente. Se você observar os relatórios de gestão, verá que, ao longo dos anos, mesmo sem um incremento proporcional no orçamento, houve crescimento nas ações de ensino, pesquisa e extensão.
Na pesquisa, por exemplo, saímos de cerca de 60 projetos, em 2018, para mais de 400 projetos ao final de 2025. Muitos desses projetos tiveram aumento no valor de financiamento, atualização das bolsas e ampliação do número de iniciativas apoiadas.
Também mantivemos recursos de capital e de custeio. Tivemos um crescimento significativo em pesquisa, extensão, inovação e ensino.
O que pretendemos é seguir avançando com responsabilidade e ampliando os investimentos nessas áreas. Acreditamos muito no fortalecimento do tripé ensino, pesquisa e extensão.
Não adianta ter um ensino muito forte se as outras duas dimensões estiverem defasadas. Nosso compromisso é desenvolver esse tripé de forma equilibrada, oferecendo aos estudantes experiências significativas para sua formação humana integral.
Esse trecho está organizado, mas sem reescrever ideias, sem resumir e sem completar partes que não aparecem na fala.
Vou manter o trecho fiel à fala, apenas organizando a entrevista e retirando marcas excessivas de oralidade que não alteram o sentido.
Como a senhora pretende fortalecer a presença do IFTO no interior e ampliar o impacto social da instituição?
Em termos de interiorização, nós somos a instituição pública que tem mais presença no interior. Isso nós já cumprimos e estamos na batalha para tentar trazer mais campi físicos além das nossas 12 unidades. Mas temos presença em mais de 60 municípios por meio dos polos de educação a distância.
Uma outra forma é atuar junto aos municípios, levando políticas públicas do governo federal. Nós temos o programa Mulheres Mil, que atende um número enorme de mulheres em situação de vulnerabilidade, promovendo inclusão produtiva e social por meio de cursos que permitem geração de renda em pouco tempo.
Temos o Partiu IF, voltado aos estudantes das últimas séries do ensino fundamental. É uma preparação para o ingresso no ensino técnico. Temos agora o CPOP, que é o cursinho popular. Temos cursos de formação em aquicultura e iniciativas ligadas ao empreendedorismo, como o Pronatec Empreendedor.
Essas ações não acontecem apenas onde existem campi, mas também nos municípios do entorno. Temos programas voltados para mulheres, pequenos agricultores e agricultura familiar sustentável.
Então, o Instituto Federal executa uma série de políticas públicas que beneficiam não apenas os estudantes, mas também as comunidades onde está inserido.
Acredito que já estamos muito presentes. O que precisamos é mostrar mais o IFTO. Ainda existem pessoas que acreditam que para estudar no IFTO é preciso pagar. Outras não sabem que oferecemos cursos superiores, cursos de formação inicial e continuada, mestrado e doutorado.
O modelo dos institutos federais é único. Somos uma instituição relativamente nova, criada em 2008. Ainda precisamos mostrar mais claramente tudo aquilo que o IFTO pode fazer para além da formação técnica e superior.
O IFTO é um vetor de desenvolvimento. Podemos prestar serviços ao setor público e ao setor privado. Temos profissionais qualificados e estudantes que podem aplicar seus conhecimentos em projetos reais.
Vejo isso como uma forma de estarmos presentes não apenas fisicamente, mas também no imaginário da população, como um patrimônio do Estado do Tocantins.
Nós ainda temos um grande desafio de letramento social sobre o que é o IFTO e sobre tudo aquilo que oferecemos. Muitas pessoas desconhecem nossos cursos e nossas possibilidades de formação.
O Instituto Federal é uma instituição extremamente ampla. Ofertamos ensino médio integrado, cursos técnicos, graduação, especialização, mestrado, doutorado e cursos de qualificação de curta duração.
Às vezes é difícil até para nós explicarmos toda a dimensão da instituição. Por isso, convidamos os meios de comunicação e a sociedade a conhecerem mais de perto os nossos campi.
Temos eventos como o Identidade IFTO, criado justamente para mostrar um pouco do que produzimos em ensino, pesquisa, extensão e inovação. Reunimos estudantes de todas as unidades para apresentar projetos, pesquisas e experiências.
Também investimos fortemente em cultura, arte e esporte. Na próxima semana, por exemplo, teremos a etapa estadual dos Jogos Estudantis do IFTO, reunindo mais de 600 estudantes.
Entendemos que o esporte também é um fator de permanência estudantil. O vínculo que o aluno cria com a instituição é importante para o seu desenvolvimento integral.
Temos ainda o Festival de Arte e Cultura, com apresentações de teatro, dança, música e artes visuais produzidas pelos estudantes. São experiências que contribuem para a formação humana e ajudam a fortalecer a relação dos alunos com a instituição.
Precisamos mostrar aos pais que vir para o IFTO é proporcionar aos filhos uma série de experiências transformadoras. Nós temos muitos exemplos disso.
Vou citar um caso que guardo com muito orgulho. É de um estudante autista que ingressou na instituição com grande preocupação por parte da família em relação à adaptação dele. Hoje ele é bolsista de iniciação científica, teve projeto premiado e já participou de eventos nacionais apresentando seu trabalho.
Ele concluiu o ensino médio no IFTO e agora continua na instituição cursando o ensino superior. Isso é algo que chamamos de verticalização. O estudante pode ingressar no ensino médio integrado, concluir o curso técnico e seguir para a graduação dentro da própria instituição.
Temos casos de estudantes que fizeram o ensino médio, depois a graduação e hoje estão no mestrado. Pensando em política pública, isso representa um aproveitamento muito grande dos investimentos realizados e proporciona ao estudante uma trajetória mais segura e contínua.
Temos muitos exemplos de vidas verdadeiramente transformadas pela experiência que esses estudantes vivenciam aqui. É motivo de muito orgulho para nós.
Temos problemas? Temos. Temos desafios? Também. Mas temos muitas pessoas comprometidas, com coragem, propósito e paixão pela instituição, lutando diariamente para oferecer o melhor aos nossos estudantes.
Nós acreditamos que somos uma referência em educação no Tocantins e trabalhamos todos os dias para fortalecer essa qualidade. Queremos que a sociedade conheça cada vez mais o IFTO e saiba que, onde houver uma unidade da instituição, haverá ensino de qualidade e pessoas comprometidas com a educação pública.

Que legado a senhora pretende deixar ao final da gestão?
Uma das coisas que trabalhei durante a campanha foi a ideia do cuidado, do acolhimento e da valorização das pessoas. E quando falo em pessoas, refiro-me a todos: estudantes, servidores, técnicos administrativos, colaboradores e também às pessoas impactadas pela presença do Instituto Federal em suas regiões.
A marca que eu gostaria de deixar é a de uma gestão que se preocupou verdadeiramente com as pessoas, que cuidou das pessoas e que, ao mesmo tempo, atuou com responsabilidade na gestão dos processos, observando os normativos legais, a ética, a transparência e os valores democráticos.
Também queremos avançar continuamente na qualidade do ensino, da pesquisa, da extensão e da inovação. Esse é um compromisso permanente.
Tem algo que eu não tenha perguntado e que a senhora gostaria de acrescentar?
A nossa instituição tem um desejo muito forte de contribuir para a transformação da realidade do Tocantins.
Claro que queremos melhorar indicadores, qualificar pessoas e contribuir para o desenvolvimento econômico. Mas acreditamos que o desenvolvimento precisa vir acompanhado da construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais inclusiva.
É em nome desses valores que vamos trabalhar e lutar todos os dias.
