O empresário goiano Adair Antônio de Freitas Meira, pai do ex-presidente do Palmas Futebol e Regatas, Lucas Meira — que morreu em 2021 em um acidente aéreo —, foi preso na última segunda-feira, 27, durante operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a investigação, o empresário aparece em movimentações financeiras consideradas suspeitas, realizadas por meio de entidades e empresas ligadas a ele e de uma fintech criada por João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como integrante da facção.

Relatório policial que embasou a decisão judicial menciona transações que somam cerca de R$ 34 milhões. De acordo com os investigadores, os valores teriam origem em atividades ilícitas, incluindo o tráfico de drogas, e eram inseridos no sistema financeiro por meio da emissão de boletos.

Após as transferências para a fintech, os recursos eram sacados em dinheiro em espécie e repassados a intermediários ou ao próprio empresário, em operações que, segundo a polícia, dificultariam o rastreamento da origem do dinheiro.

A investigação também aponta circulação de valores entre estados, com menção a entregas em cidades como São Paulo, Brasília e Palmas.

O nome da família passou a circular com mais frequência no Tocantins a partir da atuação de Lucas Meira na capital. Natural de Goiânia, ele vivia em Palmas desde 2007, onde atuava como empresário e assumiu a presidência do Palmas Futebol e Regatas em 2017. Em 2020, chegou a integrar uma chapa como candidato a vice-prefeito, mas deixou a disputa antes da eleição.

Lucas morreu em janeiro de 2021, após a queda de uma aeronave logo após a decolagem em Luzimangues, distrito de Porto Nacional. O acidente vitimou também jogadores do clube e o piloto.

O relatório não atribui vínculo direto de Adair com o PCC, mas afirma que ele integra um grupo investigado por operar a movimentação de recursos provenientes de atividades ilícitas.

As suspeitas têm como base mensagens encontradas em celulares apreendidos em outra operação. Em diálogos analisados, o empresário é citado como destinatário de valores e participante de negociações envolvendo duplicatas e contratos.

A Justiça autorizou a prisão temporária de seis investigados e o cumprimento de mandados de busca e apreensão em diferentes estados. Adair foi detido em Goiás.

Outro lado

Em nota a imprensa, a defesa afirmou que teve acesso recente ao inquérito e que ainda analisa o conteúdo. O texto nega vínculo do empresário ou das entidades citadas com organizações criminosas.

A Fundação Sagres informou que confia no esclarecimento dos fatos. Já a Fundação Pró-Cerrado declarou que não é investigada e reafirmou compromisso com suas atividades.

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