Josafá Batista dos Santos, preso nesta terça-feira, 1º, sob suspeita de estuprar e esfaquear uma diarista de 52 anos em Palmas, trabalhou como servidor temporário da Prefeitura da Capital em 2025. A contratação ocorreu sete anos depois de ele ter sido preso pela Polícia Civil por suspeita de estupro contra uma adolescente de 17 anos. Na investigação de 2018, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que Josafá confessou o crime durante interrogatório.

Dados do Portal da Transparência de Palmas mostram que Josafá foi admitido em 15 de janeiro de 2025 como assistente geral, com vínculo temporário, jornada de 40 horas semanais e lotação na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. Os registros disponíveis mostram pagamentos entre fevereiro e setembro daquele ano.

O caso de 2018 ocorreu na região sul de Palmas. A vítima, de 17 anos, caminhava por uma área de mata próxima à então Faculdade Católica do Tocantins, na quadra 1.401 Sul, acompanhada do filho de um ano, quando foi abordada. Durante a investigação, a polícia encontrou no local uma camisa que teria sido usada para amarrar a adolescente.

Josafá, então com 32 anos, foi preso em 15 de fevereiro de 2018 em cumprimento a um mandado de prisão temporária. Segundo a SSP informou na ocasião, ele confessou durante interrogatório o estupro e a subtração do celular da vítima. Depois de passar por exame no Instituto Médico Legal (IML), foi encaminhado à Casa de Prisão Provisória de Palmas.

Os dados consultados pela reportagem mostram que, em janeiro de 2025, Josafá passou a integrar o quadro temporário da administração municipal. As informações disponíveis no Portal da Transparência não detalham o procedimento utilizado para a admissão nem as certidões apresentadas pelo contratado.

O vínculo terminou em setembro de 2025. No dia 18 daquele mês, o Diário Oficial do Município publicou a Portaria nº 955, que rescindiu o contrato de trabalho de Josafá na função de assistente geral. O ato, assinado pelo então secretário-chefe da Casa Civil, Rolf Costa Vidal, estabeleceu efeitos a partir de 19 de setembro.

Naquele mesmo período, Josafá voltou a ser conduzido à delegacia sob suspeita de violência sexual. Uma mulher que relatou ter sido estuprada no dia 3 de setembro o reconheceu. Segundo informações divulgadas na época, policiais encontraram com ele o celular e o cartão bancário da vítima. Como a abordagem ocorreu dias depois do crime investigado, ele foi liberado por não haver situação de flagrante. Na ocasição, ele foi abordado dentro da própria secretaria, conforme apurou a reportagem do Jornal Opção Tocantins.

Nesta terça-feira, Josafá voltou a ser preso. Ele é suspeito de atacar uma diarista de 52 anos na manhã de segunda-feira, 31, entre as quadras 601 e 603 Sul. A mulher foi atingida por pelo menos quatro golpes de faca no tórax e no pescoço e levada ao Hospital Geral de Palmas (HGP), onde passou por cirurgia.

Segundo a Polícia Civil, o celular da vítima foi encontrado na residência do investigado. Os policiais também localizaram no local do crime uma garrafa de água que, de acordo com o delegado responsável pelo caso, teria sido comprada pelo suspeito.

A reportagem procurou a Prefeitura de Palmas para saber qual procedimento foi adotado para a contratação de Josafá em janeiro de 2025, quais documentos e certidões foram exigidos e se a administração municipal tinha conhecimento da prisão registrada em 2018. Também questionou o motivo da rescisão do contrato em setembro de 2025 e se o desligamento teve relação com a ocorrência policial registrada naquele período. O espaço permanece aberto para manifestação.

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Informações do Diário Oficial de Palmas da exoneração de Josafá Batista dos Santos | Foto: Reprodução