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Por Fernando Maciel Vieira
Existe uma tradição muito bem preservada na educação brasileira — e o brasileira, diga-se de passagem, é um guardião fiel dessa tradição — que consiste em reformar, reestruturar, revolucionar e "ressignificar" a educação pública sem consultar, em momento algum, aquela figura secundária e quase irrelevante que aparece todo dia de manhã na frente de uma sala cheia de adolescente: o professor.
Sim. Aquele ser humano que passa mais tempo com os alunos do que os próprios pais. Que conhece o nome, a história, as dificuldades e os sonhos de cada criança. Que compra material do próprio bolso, imprime apostila em casa, responde mensagem de responsável à meia-noite e ainda sorri — sorri! — na segunda-feira de manhã. Esse aí. Ele não precisa ser consultado. Afinal, o que ele sabe?
As Autoridades Educacionais desenvolveram ao longo dos anos uma habilidade que poucos organismos no mundo dominam com tanta elegância: a capacidade de criar soluções para problemas que elas mesmas não entendem, destinadas a pessoas que não ouviram, aplicadas em realidades que nunca visitaram. É quase um dom. Chega uma nova gestão. Reuniões acontecem. Powerpoints florescem. Consultorias são contratadas — caras, bem vestidas e com um inglês impecável. Nasce um novo programa. Um novo nome bonito. Uma nova sigla. Um novo sistema de avaliação. Uma nova plataforma digital que vai "transformar" a aprendizagem.
E o professor? O professor recebe um e-mail na sexta-feira às 17h informando que na segunda-feira haverá uma "formação obrigatória" para implementar tudo aquilo. Sem perguntas. Sem debates. Sem resistência, por favor. O ônibus da inovação não para.
Há quem acredite — ingenuamente, sei — que o professor deveria ser o centro de qualquer política educacional. Que antes de mudar currículo, grade horária, metodologia ou sistema de avaliação, alguém deveria ter o trabalho hercúleo, o esforço sobre-humano, o gesto revolucionário de... perguntar a ele o que pensa. Mas isso seria perigoso, não é? Porque professor, quando abre a boca, faz perguntas inconvenientes. Coisas do tipo: "Mas isso funciona na prática?", "Já foi testado em algum lugar?", "Quem vai pagar o material?", "E os alunos da zona rural que não têm internet, como ficam?" — perguntas chatas, sem glamour, que atrapalham a narrativa bonita da apresentação.
É muito mais fácil desenhar a política lá em cima, em ar-condicionado, e descer com ela pronta. Como se educação fosse um decreto. Como se aprendizagem fosse uma portaria. Como se sala de aula fosse uma planilha que você ajusta sem sair da cadeira.
E aqui mora o detalhe mais delicioso de toda essa história: as Autoridades Educacionais querem melhorar a qualidade do ensino, mas tratam o professor como aluno ruim. Não ouvem. Não perguntam. Não valorizam o que ele já sabe. Mandam fazer. Avaliam pelo cumprimento de formulário. E quando a coisa não funciona, a culpa — adivinha — é do professor que "não soube implementar." É uma pedagogia às avessas. As autoridades ensinam exatamente o oposto do que dizem querer ensinar nas escolas. Lá na escola, querem pensamento crítico, autonomia, protagonismo do aluno. Cá fora, com o professor, querem silêncio, obediência e execução. Freire deve estar revirando no túmulo. Com força suficiente pra gerar energia elétrica pro Estado inteiro.
Não estou pedindo muito. Não quero auditório lotado, processo participativo de dois anos, votação com urna eletrônica e transmissão ao vivo. Quero apenas que, antes da próxima grande reforma da educação tocantinense, alguém nas Autoridades Educacionais faça o seguinte: vá a uma escola. Sente na sala dos professores. Tome um café — pode ser aquele café ralo de cantina mesmo. Olhe nos olhos de quem chegou às seis da manhã, enfrentou ônibus lotado ou estrada de barro, entrou na sala, respirou fundo e decidiu, mais uma vez, acreditar na educação pública. E pergunte: "O que você precisa? O que está funcionando? O que não está? O que devemos mudar e o que devemos, pelo amor de Deus, parar de mudar?"
Só isso. Porque mudar a educação sem o professor não é inovação. É arrogância com PowerPoint.
O Tocantins tem professores extraordinários. Tem gente que faz milagre com giz, vontade e salário minguado. Tem educadores que conhecem cada família, cada rio, cada dificuldade do seu entorno. Esses professores não são o problema da educação tocantinense. Eles são, e sempre foram, a solução. Mas solução que não é ouvida vira frustração. Frustração acumulada vira adoecimento. Adoecimento vira ausência. Ausência vira a crise que a próxima gestão vai tentar resolver com um novo programa, uma nova sigla, uma nova plataforma. E o ciclo recomeça.
Então, Autoridades Educacionais, com todo o respeito e todo o sarcasmo que esse respeito merece: escutem seus professores. Não como protocolo. Não como foto para o release. Não como "momento de escuta ativa" que dura quarenta minutos e não muda nada. Escutem de verdade. Com humildade. Com caneta e papel. Com a disposição real de mudar o que precisa ser mudado — inclusive, e especialmente, dentro das próprias secretarias.
A educação não vai melhorar no dia em que as Autoridades Educacionais tiverem um plano perfeito. Vai melhorar no dia em que entenderem que o plano perfeito já está na cabeça de quem está dentro da sala de aula. Só falta alguém ter a coragem de perguntar.
Professor da educação básica do Tocantins
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