Abrigo em Alvorada tem 16 idosos para nove camas, aponta ação do MPTO
17 agosto 2026 às 17h37

COMPARTILHAR
Uma ação judicial protocolada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) nesta segunda-feira, 17, solicita que uma instituição privada de acolhimento de idosos em Alvorada seja impedida de receber novos internos até que sejam corrigidas irregularidades identificadas no local. O pedido também estabelece a adoção de um cronograma para adequações estruturais, assistenciais, sanitárias e relacionadas ao quadro de pessoal. Atualmente, a unidade abriga 16 idosos e dispõe de apenas nove camas, fazendo com que alguns utilizem redes ou cadeiras de rodas para dormir.
As condições da instituição são acompanhadas desde o início deste ano pela Promotoria de Justiça de Alvorada, com base em relatórios produzidos pelas vigilâncias sanitárias estadual e municipal, pelo Conselho Regional de Enfermagem do Tocantins (Coren-TO) e pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça Criminais e do Tribunal do Júri (Caoccid) do MPTO. As inspeções realizadas apontaram a repetição de irregularidades.
Em fevereiro, a Promotoria de Justiça encaminhou uma recomendação à instituição, com orientações para a realização de melhorias. Segundo o MPTO, não houve resposta efetiva às medidas indicadas.
A ação foi apresentada pelo promotor de Justiça André Felipe Santos Coelho, responsável pela Promotoria de Justiça de Alvorada.
Irregularidades apontadas
Entre os pontos relacionados ao atendimento, o MPTO aponta que a instituição não conta com enfermeiro responsável. As quatro cuidadoras atuam sem supervisão de profissional de enfermagem e realizam procedimentos atribuídos à categoria, como administração de medicamentos e curativos complexos.
A organização e o armazenamento dos medicamentos também foram incluídos entre as adequações solicitadas. Conforme a ação, a instituição não possui histórico médico individual dos idosos nem um plano organizado para a administração das medicações.
Os medicamentos ainda são armazenados no mesmo ambiente destinado a produtos de higiene e limpeza.
Quanto às condições físicas do imóvel, a ação aponta a ausência de barras de apoio nos banheiros. Também são solicitadas intervenções para nivelar os pisos, corrigir infiltrações e realizar reparos nas instalações elétricas e hidrossanitárias.
O MPTO solicita ainda adequações na quantidade e na qualidade das refeições oferecidas diariamente aos idosos. Entre as medidas estão a adoção de procedimentos de higienização mais rigorosos e a climatização dos espaços utilizados para o preparo e o armazenamento dos alimentos.
A instituição também deverá apresentar prontuário e ficha individual de cada idoso, acompanhados de plano de atenção integral.
Outro ponto identificado é o compartilhamento das roupas utilizadas pelos idosos. As peças não possuem identificação individual, situação apontada na ação como incompatível com a exigência de atendimento individualizado e de preservação da identidade pessoal dos residentes desse tipo de instituição.
Documentação
Entre as providências solicitadas também estão a obtenção do Alvará Sanitário junto à Vigilância Sanitária, a apresentação do projeto de prevenção e combate a incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros e a inscrição da unidade no Conselho Municipal da Pessoa Idosa.
