O deputado federal e pré-candidato ao Senado Alexandre Guimarães (MDB) afirmou que não vê incompatibilidade entre a defesa do agronegócio, segmento ao qual é ligado politicamente, e a atuação em programas habitacionais financiados pelo governo federal. Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, nesta quarta-feira, 8, em Araguaína, o parlamentar disse que políticas públicas voltadas à moradia devem ser tratadas como prioridade independentemente da disputa ideológica.

Durante os quatro anos de mandato na Câmara dos Deputados, Alexandre transformou a pauta da habitação em uma das principais bandeiras de atuação no Tocantins, concentrando esforços na viabilização de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. Questionado sobre como concilia esse trabalho com o posicionamento político identificado com a direita e com o setor do agronegócio, o deputado afirmou que as duas agendas são complementares.

“O desenvolvimento econômico do agro é importante, a sustentabilidade, a segurança alimentar, a geração de emprego e renda. Mas nós não podemos apagar as luzes e esquecer daqueles que ainda não tiveram a condição de ter um lar. Dá para convergir as duas pautas”, afirmou.

Segundo Alexandre, a política habitacional representa mais do que a entrega de moradias. Para ele, trata-se de uma medida diretamente relacionada à dignidade da população e também a áreas como saúde e segurança pública.

“A habitação é dignidade. É segurança pública, é saúde pública. Muitas vezes a ausência de um lar adequado contribui para problemas sociais, inclusive situações de violência contra a mulher. Essa pauta precisa continuar sendo prioridade sem que isso signifique abandonar o desenvolvimento econômico”, declarou.

Impeachment de ministros

Na mesma entrevista, Alexandre Guimarães voltou a defender que o Congresso Nacional analise pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar afirmou que, durante o mandato como deputado federal, assinou todos os pedidos apresentados contra integrantes da Corte.

“Eu não tenho nenhum receio de fazer qualquer enfrentamento. Assinei todos os pedidos de impeachment dos ministros do STF porque entendi que, naquele momento, houve um intervencionismo judicial que prejudicou o andamento do país”, disse.

O pré-candidato ao Senado argumentou que o pedido de impeachment não representa uma condenação automática, mas um instrumento previsto para permitir investigação e análise por parte do Congresso.

“Pedido de impeachment é para apreciação. Não significa, por si só, que haverá impeachment. Agora, impedir até mesmo que haja investigação simplesmente porque se trata de um ministro do STF é algo que não podemos aceitar. O Congresso não pode ficar agachado diante do Supremo nem do governo federal. Os Poderes são independentes e harmônicos entre si”, afirmou.

As declarações foram dadas após coletiva e entrevistas concedidas em Araguaína, onde Alexandre Guimarães participa do lançamento oficial de sua pré-candidatura ao Senado ao lado do pré-candidato ao governo, Vicentinho Júnior (PSDB), do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (MDB), e de lideranças da aliança formada por MDB e PSDB para as eleições de 2026