Alta do petróleo pressiona custo da cesta básica no Tocantins e impacto deve ser maior no interior
25 abril 2026 às 08h31

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A recente elevação do preço do petróleo no mercado internacional já começa a refletir no custo de produtos essenciais no Tocantins, sobretudo em razão do aumento do diesel, insumo central para o transporte de mercadorias no estado. Como a distribuição de alimentos depende majoritariamente do modal rodoviário e parte significativa dos itens consumidos vem de outros estados, a tendência é de pressão sobre os preços da cesta básica, principalmente nos municípios do interior.
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o economista Autenir Carvalho de Rezende, doutor em Planejamento Urbano e Regional, explica que esse cenário está relacionado à maior exposição do país às oscilações do mercado internacional de combustíveis. Segundo ele, após a privatização de unidades estratégicas da cadeia produtiva e de distribuição, o setor passou a responder de forma mais direta aos choques externos.

“Como o setor dos combustíveis no Brasil se tornou altamente internacionalizado e dependente de multinacionais após a privatização de unidades estratégicas da cadeia produtiva e de distribuição do setor, o país passou a sofrer mais diretamente os efeitos dos choques de petróleo nos mercados internacionais”, afirma.
O economista destaca que o Tocantins depende muito do transporte por rodovias e que o aumento do diesel já repercute nos preços em geral e, tende a impactar de forma mais evidente a cesta básica, já que parte importante dos alimentos consumidos no estado vem de cadeias interestaduais. Segundo ele, isso eleva o custo de reposição local dos produtos, ainda que o repasse ao consumidor não ocorra de forma imediata nem uniforme.
Autenir também explica que o efeito é mais forte nos municípios do interior, onde as longas distâncias e a dependência do transporte por caminhões ampliam o custo do abastecimento. “Em um estado como o Tocantins, com longas distâncias internas e forte dependência de caminhões, esse aumento encarece mais o abastecimento dos municípios afastados dos principais eixos logísticos e amplia a diferença entre o custo atacadista e o preço de gôndola”, pontua. Ele acrescenta que no estado, o diesel entra em praticamente todas as etapas: coleta na origem, transferência entre centros atacadistas, distribuição regional e entrega final ao varejo.
Segundo o pesquisador, os primeiros produtos a sentir a alta costumam ser os mais perecíveis e os que dependem de abastecimento externo, por terem giro rápido e menor margem para absorver custo. No Tocantins, isso tende a aparecer primeiro em itens como tomate, banana, feijão, leite UHT e açúcar. “O tomate é muito sensível, exige reposição frequente, e a oferta nacional recente tem sido liderada por estados como Minas Gerais, Goiás e São Paulo.”
A banana, conforme explica o economista, também responde rapidamente por ser perecível e depender parcialmente de fluxos vindos de grandes pólos externos ao estado. Já o feijão e o leite integral sentem o peso do frete por circularem em larga escala, o que aumenta o impacto do transporte no custo final.

Autenir afirma ainda que a produção local ajuda a reduzir parte desse impacto, sobretudo em itens como arroz, carne bovina e parte da mandioca, mas não elimina a pressão sobre os preços ao consumidor.
De acordo com ele, a cesta básica inclui produtos em que o Tocantins mantém dependência estrutural de outras regiões, como pão francês, café, tomate e feijão, além de alimentos industrializados cujo processamento raramente ocorre no estado, como leite UHT, açúcar e derivados da soja. “Em resumo, a produção local reduz o impacto, mas, em um choque de diesel – como estamos vendo agora – não impede a pressão inflacionária sobre os itens essenciais, principalmente onde o frete interestadual pesa mais”, afirma.
O economista acrescenta que mesmo a produção local depende de insumos externos, que chegam de outros estados e, em alguns casos, de outros países, o que mantém a cadeia de abastecimento sensível às oscilações dos custos logísticos.
