Uma operação conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com as Vigilâncias Sanitárias do Tocantins e do Distrito Federal, levou à interdição da manipulação de produtos à base de tirzepatida em uma unidade da empresa Nutromni no estado, princípio ativo comercializado em canetas emagrecedoras como Mounajro. A fiscalização ocorreu em duas unidades da companhia, especializada na produção de nutrição parenteral, método em que nutrientes são administrados diretamente na corrente sanguínea por meio de soluções líquidas.

Durante a inspeção na unidade tocantinense, os fiscais identificaram que a empresa realizava a manipulação de tirzepatida sem autorização sanitária para atuar com medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Conforme informações da Anvisa, ordens de manipulação analisadas pelas equipes apontaram a produção de aproximadamente 6 mil unidades do produto.

Apesar do volume registrado na documentação, os estoques físicos das preparações não foram encontrados nos locais vistoriados. A fiscalização também constatou que a empresa não apresentou comprovação da realização de testes considerados obrigatórios para assegurar a qualidade e a segurança dos medicamentos manipulados. Segundo a agência reguladora, a ausência desses ensaios laboratoriais impede verificar possíveis contaminações biológicas por bactérias, fungos e outros microrganismos, situação que pode representar risco à saúde dos pacientes.

Diante das irregularidades identificadas, a Anvisa determinou a suspensão imediata da manipulação de produtos com tirzepatida pela empresa no Tocantins, os documentos e materiais recolhidos durante a operação seguem sob análise das equipes técnicas, e novas medidas sanitárias ainda podem ser adotadas após a conclusão da apuração. No Distrito Federal, a fiscalização também alcançou outra unidade da empresa, que foi alvo das inspeções realizadas em conjunto pelos órgãos sanitários. Até o momento, a Anvisa não divulgou detalhes adicionais sobre os resultados da vistoria no local.

Segundo informações divulgadas pela própria empresa em suas redes sociais, a Nutromni mantém atuação no Tocantins, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal.

O Jornal Opção Tocantins tenta contato com a empresa para solicitar esclarecimentos sobre os apontamentos feitos pela fiscalização e aguarda posicionamento.