Com desgaste de Flávio e avanço de Rogério Marinho no PL, Eduardo Gomes pede apoio de prefeitos para chegar à presidência do Congresso
20 maio 2026 às 14h54

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Em meio à movimentação da direita pela sucessão no comando do Senado em 2027, o senador Eduardo Gomes fez nesta terça-feira, 19, um aceno público sobre a disputa interna pelo comando do Congresso Nacional. Diante de prefeitos tocantinenses reunidos em Brasília durante a Marcha dos Prefeitos, o parlamentar pediu “uma chance” para alcançar a presidência da Casa.
“Me deem uma chance que nós vamos chegar juntos. Os três senadores, nós vamos chegar juntos. A presidência”, afirmou o senador durante reunião da bancada federal do Tocantins com gestores municipais.
A fala ocorreu no momento em que o entorno bolsonarista em Brasília já trata a eleição para a presidência do Senado como uma das principais disputas de poder do pós-2026. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que setores da direita mantêm desconfiança em relação ao atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e passaram a trabalhar nomes próprios para o comando do Senado caso o grupo amplie sua bancada na próxima legislatura.
Entre os nomes citados nos bastidores estão Rogério Marinho, hoje um dos principais articuladores da oposição e coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, além da senadora Tereza Cristina, nome ligado ao PP e ao bloco do centrão.
Nesse cenário, a manifestação de Eduardo Gomes ocorre em uma disputa que ainda passa, primeiro, pela construção de consenso dentro do próprio PL. Embora ocupe atualmente a primeira vice-presidência do Senado e tenha trânsito entre diferentes alas do Congresso, interlocutores da direita apontam que Rogério Marinho larga na frente no núcleo bolsonarista mais ideológico.
A equação ganhou um novo componente após o desgaste recente envolvendo Flávio Bolsonaro. Áudios e mensagens divulgados pela imprensa mostraram pedidos de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio abriu, nos bastidores de Brasília, discussões sobre eventual impacto político para a pré-candidatura presidencial de Flávio, ainda que aliados rejeitem qualquer hipótese de retirada do nome neste momento.
Na terça-feira, o próprio Flávio confirmou ter visitado Vorcaro após a primeira prisão do empresário, quando ele já utilizava tornozeleira eletrônica. A dimensão eleitoral do desgaste ainda é tratada com cautela por parlamentares do PL, sobretudo porque o partido tenta manter unido o campo conservador antes da definição da chapa presidencial.
A eventual força de Flávio em 2026 é considerada decisiva também para a disputa pelo Senado. A leitura entre parlamentares ouvidos em Brasília é que uma vitória do filho do ex-presidente ampliaria a pressão interna para que o comando da Casa ficasse com um nome identificado diretamente com o bolsonarismo.
Foi justamente nesse ambiente que Alcolumbre passou a fazer movimentos de aproximação com setores da direita. Nos últimos dias, o presidente do Senado patrocinou derrotas do governo Luiz Inácio Lula da Silva, atuou para barrar a indicação de Jorge Messias ao STF e abriu espaço para pautas defendidas pela oposição.
Mesmo assim, parlamentares bolsonaristas ainda demonstram resistência à hipótese de apoiar a recondução de Alcolumbre em 2027. O argumento repetido nos bastidores é que a direita precisa ter um nome próprio no comando do Senado caso consiga maioria nas eleições do próximo ano.
No Tocantins, Eduardo Gomes já havia sinalizado alinhamento político com o grupo de Flávio Bolsonaro. Em março, o senador afirmou ao Jornal Opção Tocantins que o palanque do filho do ex-presidente no estado estaria próximo do grupo formado por ele e pela senadora Dorinha Seabra.
Na publicação feita após a reunião com prefeitos em Brasília, Gomes reforçou o discurso de articulação municipalista e unidade política da bancada tocantinense.
“União da bancada, diálogo com os gestores e compromisso com quem vive nos municípios”, escreveu o senador nas redes sociais ao comentar o encontro realizado durante a Marcha dos Prefeitos.
