O deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) saiu de uma desvantagem de 13.412 votos no primeiro turno para vencer a eleição ao governo do Tocantins, neste domingo, 25, com 64,52% dos votos válidos, contra 35,48% de Professora Dorinha (União Brasil). Em três semanas, o tucano conquistou 189.235 votos adicionais, enquanto a senadora perdeu 77.184 em relação à primeira votação.

A virada representou uma derrota para o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), principal apoiador de Dorinha. Mesmo com a aprovação de sua gestão em alta, Wanderlei não conseguiu transferir sua popularidade para a candidata. A senadora chegou ao segundo turno com o respaldo de prefeitos, entre eles os das maiores cidades, e uma base que reunia sete dos oito deputados federais e 15 dos 24 estaduais eleitos. Era uma estrutura política que lhe dava ampla sustentação partidária, mas que não se traduziu em vantagem nas urnas.

A dificuldade de transformar apoio político em votos também apareceu na composição da chapa. Wanderlei indicou Atos Gomes (Republicanos) para vice, mas a escolha de um nome sem trajetória eleitoral própria não acrescentou uma base de votos consolidada à candidatura. Nas cinco maiores cidades do estado, todas administradas por prefeitos aliados de Dorinha, Vicentinho venceu e abriu vantagem de 127.138 votos, pouco mais da metade da diferença estadual.

Enquanto a senadora não conseguiu preservar sua votação, Vicentinho reuniu adversários do governo e ampliou sua base política. O vice-governador Laurez Moreira (PSD), terceiro colocado no primeiro turno, com 69.967 votos (8,24%), declarou apoio ao tucano. Outro movimento foi a mudança de lado do deputado federal Eli Borges (Republicanos), que havia apoiado Dorinha e terminou a disputa pelo Senado sem conseguir uma das duas vagas, apesar dos 271.829 votos recebidos.

As adesões aproximaram Vicentinho de diferentes grupos políticos, inclusive antigos integrantes da base de Wanderlei. Ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (MDB), seu candidato a vice, o deputado reuniu lideranças que haviam participado do governo estadual e passaram a defender uma alternativa à continuidade do atual grupo no Palácio Araguaia.

A escolha pelo bolsonarismo

A mudança de posição de Dorinha na eleição presidencial também acrescentou uma dificuldade à sua campanha. Neutra entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, a senadora aderiu à candidatura de Flávio no segundo e recebeu o apoio de Michelle Bolsonaro, Damares Alves e Bia Kicis.

A aproximação, entretanto, não garantiu a preferência do eleitorado conservador. Vicentinho também apoiava Flávio e contava com lideranças da direita tocantinense. Ao mesmo tempo, a decisão de Dorinha pode ter dificultado a conquista de eleitores de Lula, que também poderiam contribuir para ampliar sua votação.

A senadora, portanto, passou a disputar o eleitorado de esquerda com uma identificação mais explícita com o bolsonarismo, sem conseguir converter o apoio das lideranças nacionais da direita em vantagem sobre o adversário.

A diferença entre apoio político e voto

O resultado mostrou que a quantidade de prefeitos, parlamentares e lideranças nacionais reunidos em torno de uma candidatura não garante a transferência de votos. Dorinha começou o segundo turno com uma estrutura política mais ampla, mas terminou com menos eleitores do que havia conquistado em 4 de outubro.

Vicentinho, por sua vez, ampliou sua votação, venceu nas maiores cidades e reuniu adversários do governo. A diferença final de 253.007 votos indica que a virada não dependeu apenas dos eleitores dos candidatos eliminados no primeiro turno. Houve também uma redução expressiva da votação da senadora.

A vitória levará Vicentinho ao Palácio Araguaia em janeiro de 2027 com uma base menor de deputados federais e estaduais, mas com uma aliança formada por grupos de diferentes origens partidárias. Para Wanderlei e Dorinha, a derrota encerra uma eleição na qual a popularidade do governador, o apoio da maioria dos parlamentares eleitos e a presença de lideranças nacionais não foram suficientes para garantir a continuidade do grupo no comando do Tocantins.