Comunidade quilombola Poço Dantas cria projeto para fortalecer saberes tradicionais entre crianças
14 abril 2026 às 10h29

COMPARTILHAR
A valorização da memória ancestral e o fortalecimento da identidade cultural entre as novas gerações são o ponto de partida do projeto “Chão de Saberes”, lançado no último sábado, 11, pela comunidade quilombola Poço Dantas, no município de Almas, a cerca de 250 quilômetros de Palmas.
A abertura da iniciativa foi marcada por apresentações culturais protagonizadas por 14 crianças da própria comunidade. Vestidas nas cores vermelho e branco, elas encenaram, no terreiro da associação, elementos da tradicional folia do Divino Espírito Santo. Durante a apresentação, o alferes conduziu a bandeira ornamentada com fitas coloridas, enquanto os demais participantes o acompanhavam com instrumentos típicos, como caixa, tambor, pandeiro, viola e violão.
Os cânticos entoados mesclaram referências do catolicismo popular com expressões tradicionais das comunidades negras, refletindo a riqueza cultural presente nas folias que, nesta época do ano, percorrem regiões do sudeste tocantinense, como Almas e Natividade.
A programação também incluiu a dança da sussia, em que meninas com saias rodadas e meninos da comunidade apresentaram coreografias e cantos transmitidos pelos mais velhos. A participação das crianças emocionou os moradores, que acompanharam as apresentações com palmas e cantorias.
O lançamento ocorreu durante uma reunião ordinária da comunidade. Na ocasião, a pedagoga Maria Lívia Rodrigues Valadares, idealizadora do projeto, destacou o propósito da iniciativa. “O que queremos é que as crianças vivam a cultura do quilombo no dia a dia, transformando o terreiro e a roça em lugares de aprender. Aqui, o saber não vem apenas de páginas distantes, mas nasce do respeito por quem veio antes e do orgulho de pisar e cuidar deste chão”, explicou. A coordenação do projeto é compartilhada com a presidente da associação, Miguelanes Crisóstomo.
Entre as ações previstas estão encontros entre crianças e anciãos para troca de histórias, rodas de leitura com foco em literatura infantil negra e quilombola, além de oficinas voltadas à construção e ao uso de instrumentos de percussão tradicionais.
O projeto contempla tanto crianças que vivem na comunidade rural quanto aquelas que residem em áreas urbanas, mas mantêm vínculo com o quilombo. A proposta busca reforçar o sentimento de pertencimento, promovendo o contato direto com a memória coletiva, a literatura e o território como bases para a preservação cultural e o protagonismo infantil.
