Delegado descarta, por ora, motivação sexual na morte de menino de 3 anos e aponta tortura como principal linha de investigação
06 agosto 2026 às 10h33

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A Polícia Civil do Tocantins afirmou, nesta quarta-feira, 5, que a investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, não aponta, neste momento, a ocorrência de violência sexual com finalidade libidinosa. Segundo o delegado Eduardo Menezes, responsável pelo caso na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas, as lesões anais e intestinais encontradas no corpo da criança são tratadas, até o momento, como parte de um contexto de extrema violência e tortura. As declarações foram dadas durante entrevista coletiva. O Jornal Opção Tocantins tenta contato com a defesa dos investigados.
“Nós concluímos, por ora, que essas lacerações no ânus e no intestino fazem parte desse contexto de forte agressão. Então, é um instrumento, um meio de tortura, e não houve ali uma relação sexual”, afirmou Eduardo Menezes.
O delegado ressaltou, entretanto, que a investigação ainda depende da conclusão de exames periciais complementares e que a tipificação jurídica poderá ser revista ao longo do inquérito.
“Outros laudos ainda são aguardados e esse resultado pode se alterar. Existe, inclusive, a possibilidade de inserção do crime de estupro, mas isso será tratado durante o andamento da investigação”, explicou.
Prisões ocorreram na noite de terça-feira
O pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, e a madrasta de Gustavo, Kathellen Moreira, foram presos preventivamente na noite de terça-feira, 4. Segundo Eduardo Menezes, a Polícia Civil representou pelas prisões com base nos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura.
O secretário da Segurança Pública, Luciano Cruz, classificou o caso como um dos mais graves já registrados no Tocantins. “Estamos diante de um caso bárbaro. Um pai que tinha o dever de cuidar, amar e proteger o filho praticou uma conduta extremamente cruel. A Polícia Civil deu uma resposta rápida e agora o caso está à disposição da Justiça”, afirmou.
Versão de afogamento foi descartada ainda no local
O delegado Eduardo Menezes explicou que a investigação começou após Igor Gustavo procurar espontaneamente a 1ª Central de Atendimento da Polícia Civil, por volta das 16h30 de segunda-feira, 3, informando que o filho teria morrido em decorrência de um suposto afogamento ocorrido no domingo.
Segundo o relato apresentado por ele, Gustavo brincava na piscina quando caiu na água. O pai afirmou que conseguiu retirar a criança, que expeliu água, aparentou melhora, tomou banho, comeu um lanche e foi dormir.
Ainda conforme a versão apresentada, o menino estaria respirando às 6 horas da manhã de segunda-feira, mas, por volta das 9 horas, foi encontrado sem sinais vitais. Apesar disso, o advogado somente comunicou a morte à Polícia Civil durante a tarde.
Ao chegar ao imóvel, porém, a equipe da DHPP identificou sinais incompatíveis com a versão apresentada.
“O menino estava com hematomas, lesões pelo corpo e diversas marcas de violência. Pela experiência, já era possível perceber que não estávamos diante de um afogamento, mas de um local de homicídio”, afirmou Menezes.
O delegado disse ainda que o ambiente apresentava sinais de desorganização, com bebidas alcoólicas espalhadas e muita sujeira.
Lesões chocaram investigadores
Entre os elementos que mais chamaram a atenção da equipe estavam as lesões na região anal da criança.
Segundo Menezes, inicialmente a hipótese de crime sexual chegou a ser considerada, principalmente em razão da perfuração que atingiu o intestino.
Após a análise preliminar do laudo cadavérico e conversa com o médico legista, contudo, a investigação passou a entender que as lesões integram o conjunto de agressões sofridas pela criança.
Além das lesões anais e intestinais, Gustavo apresentava diversas agressões na cabeça.
“O médico legista informou que o menino apanhou demais na cabeça. Havia muito sangue na região craniana”, relatou o delegado.
Mãe relatou histórico de violência
Eduardo Menezes também afirmou que o depoimento da mãe da criança, Sabrina Feitosa, foi um dos mais difíceis de sua carreira.
Segundo ele, Sabrina relatou um histórico de conflitos e violência durante o relacionamento com Igor Gustavo, iniciado ainda na gravidez.
“A mãe contou que a relação era conturbada desde a gestação e relatou episódios de abandono financeiro e econômico durante esse período”, disse.
Em 2023, Sabrina já havia obtido uma medida protetiva de urgência contra Igor Gustavo após denunciar ameaças. O caso ocorreu quando Gustavo tinha apenas oito meses de idade.
A Polícia Civil informou que a investigação prossegue com a realização de novas perícias e oitivas. Outros exames periciais ainda deverão esclarecer definitivamente a dinâmica do crime e poderão alterar o enquadramento jurídico dos fatos.
Segundo a corporação, o inquérito permanece em andamento e novas informações serão divulgadas conforme o avanço das investigações.
