A possível derrubada dos vetos do governador Wanderlei Barbosa sobre as indenizações de servidores estaduais passou a ser tratada, nos corredores da Assembleia Legislativa, como uma demonstração direta da força política do presidente da Casa, Amélio Cayres, dentro de um parlamento em que a base governista é maioria.

A leitura feita entre deputados, assessores e servidores que acompanham a tramitação é de que, caso os vetos sejam rejeitados em plenário, a movimentação terá peso político além da pauta administrativa. O entendimento é de que a derrubada evidenciaria capacidade de articulação da presidência da Assembleia mesmo diante de um cenário em que Republicanos, União Brasil, PL e partidos aliados ao grupo do Palácio Araguaia concentram a maior parte das cadeiras da Casa e sustentam a pré-candidatura da senadora Dorinha Seabra ao governo.

O impasse começou após deputados alterarem medida provisória enviada pelo governo estadual que previa indenização de R$ 1 mil para categorias do executivo. Durante a tramitação, a Assembleia elevou o valor para R$ 1,5 mil. O governador vetou integralmente a mudança sob argumento de ausência de previsão orçamentária e aumento de despesa por iniciativa parlamentar. Desde então, o tema passou a envolver não apenas discussões jurídicas e regimentais, mas também uma disputa política entre executivo e Assembleia sobre capacidade de condução e influência dentro da Casa.