Direita divide quatro candidaturas ao Senado enquanto Mourão aposta em Lula no Tocantins
16 setembro 2026 às 14h47

COMPARTILHAR
A disputa pelas duas vagas do Tocantins no Senado reúne, entre os cinco primeiros colocados da Paraná Pesquisas, quatro candidatos que buscam parcelas do eleitorado de direita e centro-direita e um nome identificado com a esquerda. A posição política de cada um, porém, não conta toda a história. Os pontos de partida também são diferentes: Eduardo Gomes (PL) tenta renovar o mandato de senador; Alexandre Guimarães (MDB), Carlos Gaguim (União Brasil) e Eli Borges (Republicanos) são deputados federais e tentam trocar a Câmara pelo Senado; Paulo Mourão (PT), hoje sem mandato, busca retornar ao Congresso.
Na Paraná Pesquisas divulgada nesta terça-feira, 15, Gomes aparece com 36% das intenções de voto, seguido por Alexandre, com 24,5%, Gaguim, com 22,7%, Eli, com 14,9%, e Mourão, com 14,1%. Como o Tocantins elege dois senadores neste ano, cada eleitor tem direito a dois votos. A configuração torna relevante não apenas a disputa pela primeira escolha, mas a capacidade de cada candidatura de buscar o segundo voto em campos políticos que, em vários casos, se sobrepõem.
Gomes parte de uma posição diferente dos demais. É o único dos cinco que já está no Senado e apresenta ao eleitor o mandato, as emendas destinadas ao Tocantins e a relação construída com prefeitos e lideranças municipais. Ao mesmo tempo, reforça sua ligação com o bolsonarismo. Presidente do PL no estado e ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, recebeu pedidos de voto de Michelle Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro. A estratégia permite ao senador combinar estrutura política local, mandato e identificação com a direita.
Alexandre procura outro caminho para disputar parte desse eleitorado. Deputado federal desde 2023, o candidato do MDB passou a dar destaque às discussões sobre o STF e, principalmente, ao papel que o Senado pode exercer diante da Corte. Ao defender a análise de pedidos de impeachment de ministros e cobrar posições de senadores sobre o tema, Alexandre apresenta ao eleitor uma das linhas de atuação que pretende adotar caso seja eleito. A pauta também serve para marcar posição em um terreno disputado por Gomes e Eli.
Gaguim, também deputado federal, sustenta a candidatura principalmente na trajetória política, no mandato e na rede de prefeitos e lideranças construída pelo estado. O ex-governador apareceu, em
agosto, em uma lista de Flávio Bolsonaro para uma das duas vagas ao Senado. Apesar desse direcionamento com o campo bolsonarista e de posições conservadoras assumidas na Câmara, Gaguim tem dado menos centralidade ao confronto com o STF do que Alexandre e Eli. Sua campanha explora com maior frequência a experiência administrativa, os recursos destinados aos municípios e as alianças locais.
Eli enfrenta uma dificuldade diferente. Deputado federal, ele tenta convencer o eleitor de que, entre candidaturas que também recebem apoios da direita, representa uma posição mais diretamente ligada às pautas conservadoras. Nas últimas semanas, passou a dar ainda mais espaço à crise envolvendo o STF e apresenta sua candidatura como a da “direita de verdade”. A estratégia procura criar uma fronteira política com adversários que disputam o mesmo eleitor.
Essa diferenciação, porém, ocorre dentro de um campo no qual os apoios nacionais não são exclusivos. Michelle Bolsonaro já pediu votos para Eli e Gomes. Flávio Bolsonaro declarou apoio a Gomes e Gaguim. Alexandre, embora esteja no MDB, também incorporou à campanha a defesa do impeachment de ministro do STF. A disputa entre os quatro, portanto, não está simplesmente entre direita e centro, mas também sobre quem consegue convencer o eleitor conservador de que melhor representa determinadas pautas no Senado.
Mourão está em situação distinta. Sem mandato atualmente, o ex-deputado federal, ex-prefeito de Porto Nacional e ex-deputado estadual é o único petista entre os cinco primeiros e o único candidato desse grupo identificado com a esquerda. Sua própria campanha utiliza a apresentação de “senador do Lula no Tocantins”. Enquanto seus quatro adversários disputam parcelas de um eleitorado que pode se cruzar, Mourão tenta concentrar em sua candidatura a preferência dos eleitores ligados ao presidente e ao PT.
As estratégias revelam cinco caminhos para chegar às mesmas duas cadeiras. Gomes pede continuidade no Senado e combina mandato com bolsonarismo; Alexandre apresenta pautas que pretende defender como senador, com destaque para a relação entre Senado e STF; Gaguim aposta na experiência, na estrutura municipal e também busca votos à direita; Eli procura diferenciar-se ideologicamente dos concorrentes e reivindica para si uma identidade conservadora mais definida; Mourão tenta transformar em ativo eleitoral o fato de ser o único nome da esquerda e de Lula entre os cinco primeiros.
A particularidade da eleição para o Senado torna essas fronteiras ainda menos rígidas. Como o eleitor escolhe dois nomes, candidatos que disputam o mesmo campo político também podem compartilhar votos. É nesse espaço que Gomes, Alexandre, Gaguim e Eli procuram combinações diferentes dentro de um eleitorado parcialmente comum, enquanto Mourão tenta ocupar praticamente sozinho, entre os cinco primeiros da pesquisa, o espaço eleitoral ligado à esquerda.
