O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), saiu em defesa da secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, presa preventivamente na quarta-feira, 10, durante a segunda fase da Operação Falsa Emergência. Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 12, para apresentação da programação do 34º Arraiá da Capital, o gestor afirmou que não pretende condenar servidores antes da conclusão das investigações e reiterou apoio ao modelo de gestão terceirizada das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Ao comentar o caso, Eduardo afirmou que acredita na inocência da secretária e argumentou que uma prisão não representa condenação.

“Eu não posso pegar uma profissional em quem eu acredito e jogar a reputação dela lá embaixo para ver alguns poucos se divertirem no dia seguinte”, declarou.

Dhieine Caminski e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, tiveram as prisões mantidas pela Justiça após audiência de custódia realizada na quinta-feira, 11. A empresária Cláudia Maria Cândido também é alvo de mandado de prisão preventiva e ainda não foi localizada.

Defesa do modelo de terceirização

Durante a coletiva, Eduardo voltou a defender a contratação da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para administrar as UPAs Norte e Sul de Palmas.

Segundo o prefeito, a terceirização permitiu ampliar a presença de especialistas nas unidades e melhorar o abastecimento de medicamentos.

“Eu defendo o modelo. Eu defendo o modelo porque se nós sairmos daqui agora, você vai ver especialistas atendendo e unidades funcionando. Está abarrotado de remédio”, afirmou.

O contrato firmado pela Prefeitura de Palmas prevê repasses de aproximadamente R$ 139 milhões e é alvo de investigações da Polícia Civil, além de questionamentos judiciais e administrativos.

Críticas ao Ministério Público

Eduardo também criticou a forma como fiscalizações vêm sendo realizadas nas unidades de saúde. Segundo ele, representantes do Ministério Público teriam realizado visitas sem formalizar atas assinadas pelas partes presentes.

“O que nós estamos requerendo formalmente é que nunca mais haja uma visita sem que seja feita uma ata pública”, afirmou.

O prefeito argumentou que a formalização permitiria registrar oficialmente aspectos como disponibilidade de medicamentos e presença de especialistas.

Sem processo administrativo próprio

Questionado sobre eventual abertura de procedimento administrativo contra os investigados, Eduardo afirmou que não vê elementos concretos para adotar medidas além das já tomadas pela administração municipal.

Segundo ele, a Prefeitura encaminhou todos os documentos solicitados pelos órgãos de controle e ainda não teve acesso aos elementos que fundamentaram as prisões.

“O procedimento já está aberto na ação popular, está aberto no Ministério Público. Com que elementos eu posso fazer, sendo que os documentos nos foram solicitados e nós enviamos todos?”, questionou.

O prefeito destacou ainda que Dhieine não foi exonerada, mas substituída temporariamente em razão da prisão preventiva.

“O afastamento dela não se deu com a palavra afastamento assinada por uma autoridade judicial. Ela simplesmente foi cerceada pela sua liberdade. Eu não posso deixar a secretaria sem comando, então nomeei alguém para responder pela pasta”, disse.

Questionamentos sobre a investigação

Durante a entrevista, Eduardo também levantou dúvidas sobre alguns aspectos da investigação e afirmou que pessoas ligadas ao superintendente Andreis Vicente teriam sido alvo de mandados de busca e apreensão.

Sem apresentar provas, o prefeito questionou a relação entre alguns dos endereços alvo das diligências e o servidor investigado.

Apesar das críticas, Eduardo afirmou que a gestão irá corrigir eventuais problemas caso irregularidades sejam comprovadas pelos órgãos de controle.

“Eu não vou insistir com um contrato que tenha qualquer defeito. Não há nenhuma razão para isso. Se tivermos que reparar, vamos reparar. Se tivermos que fazer outro chamamento, faremos. Mas o modelo seguirá o mesmo, porque o modelo deu certo”, declarou.

A Operação Falsa Emergência investiga suspeitas de fraude documental e irregularidades no processo que resultou na terceirização das UPAs Norte e Sul de Palmas. As defesas dos investigados afirmam que ainda aguardam acesso integral aos autos para se manifestar sobre as acusações.