Guaraí-Suape: novo corredor ferroviário pode transformar logística do Tocantins e ampliar escoamento da produção
03 setembro 2026 às 09h07

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O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou nesta quarta-feira, 2, que o governo federal pretende iniciar os estudos para criação de um novo corredor ferroviário ligando Guaraí, no Tocantins, ao Porto de Suape, em Pernambuco. A proposta foi apresentada durante a palestra “Integração dos Modais Rodoviário e Ferroviário do Tocantins”, realizada no auditório da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Tocantins (Fecomércio Tocantins), em Palmas.
O evento reuniu empresários e representantes do setor produtivo para discutir os impactos da integração entre rodovias e ferrovias para a economia tocantinense, especialmente diante do crescimento previsto da produção agrícola e mineral na região do Matopiba.
Segundo Santoro, o edital para contratação dos estudos de engenharia e modelagem da concessão do trecho deve ser lançado em outubro. A intenção é avaliar a ligação entre Guaraí, Suape e Pecém, criando uma nova alternativa logística para o escoamento da produção.
“Guaraí é uma conexão estratégica do Tocantins. A gente começa o projeto provavelmente em outubro para contratar os estruturadores. Esse projeto vai conectar Guaraí a Suape e Pecém”, afirmou.
O ministro explicou que parte do corredor ferroviário será executada por obra pública e outra parte deverá ser concedida à iniciativa privada. A ligação entre Eliseu Martins (PI) e o Porto de Pecém (CE), segundo ele, já possui concessão em operação. A intenção é avançar com a conexão até Suape e estruturar a ligação entre Guaraí e Eliseu Martins.
Santoro afirmou que a própria Transnordestina demonstrou interesse no projeto. “Estive na sede deles e existe interesse total nesse projeto”, disse.

Ferrovia Norte-Sul e novos terminais no Tocantins
Durante a apresentação, o ministro destacou a posição do Tocantins como corredor de integração nacional por estar no eixo da Ferrovia Norte-Sul. Segundo ele, o Estado conecta o Matopiba ao Centro-Sul do país, ao Nordeste e ao Pará.
Santoro anunciou que serão publicados em setembro 11 editais para terminais logísticos, sendo cinco áreas já existentes e seis novos empreendimentos ao longo da Ferrovia Norte-Sul no Tocantins.
Os chamados terminais greenfield — novos empreendimentos ainda sem estrutura instalada — poderão conectar diferentes modais, como rodovia e ferrovia, hidrovia e ferrovia, ampliando a capacidade de transporte e atraindo novos operadores logísticos.
“Terminal logístico é o que conecta rodovia com ferrovia, hidrovia com ferrovia, hidrovia com rodovia. A nossa intenção é colocar essas áreas no mercado”, afirmou.
Segundo o ministro, outros terminais também serão licitados em Goiás. A expectativa é que até dezembro sejam ofertados cerca de 20 projetos dessa natureza.
Governo federal aposta em aporte público para viabilizar ferrovias
Santoro afirmou que o governo federal adotou uma nova estratégia para ampliar investimentos ferroviários: a participação direta do poder público na estruturação dos projetos.
Segundo ele, historicamente o Brasil teve dificuldade para construir ferrovias porque o retorno financeiro demora anos para acontecer.
“Ferrovia não fecha a conta sozinha. No mundo inteiro, ferrovia foi construída com o governo subsidiando financiamento ou colocando dinheiro no projeto”, afirmou.
Como exemplo, citou a renegociação da concessão da Ferrovia Carajás com a Vale. Segundo ele, o acordo garantiu cerca de R$ 22 bilhões em recursos para novos investimentos ferroviários.
Esses valores, conforme o ministro, poderão ajudar a viabilizar projetos como Guaraí-Suape, Ceilândia-Barcarena, Cariacica-Litorânea Sul e a retomada da Malha Oeste, que liga Corumbá (MS) a Marília (SP).
Santoro também informou que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou recentemente o modelo de aporte público em concessões ferroviárias, permitindo um novo ciclo de investimentos com participação do governo e da iniciativa privada.
Tocantins deve ampliar produção e precisa de nova logística, diz ministro
Durante a palestra, o ministro afirmou que o crescimento da produção tocantinense exigirá novas alternativas de transporte. Segundo ele, o Estado pode sair de uma movimentação de cerca de 6 milhões para 23 milhões de toneladas.
“Isso não dá para fazer só no modal rodoviário. Esse é um dado conservador, provavelmente será mais”, afirmou.
Santoro citou o avanço de plantas industriais, como usinas de etanol de milho, e afirmou que o crescimento da produção exigirá logística para transporte de fertilizantes, combustíveis e mercadorias.
Para ele, a criação de novos corredores ferroviários permitirá reduzir custos e aumentar a competitividade dos produtores.
Investimentos em rodovias e concessões
Além das ferrovias, o ministro apresentou um panorama dos investimentos rodoviários no Tocantins.
Segundo Santoro, a malha federal do Estado alcançou o melhor índice de qualidade da história, com 96% das rodovias classificadas como boas ou ótimas.
Ele atribuiu o resultado ao aumento dos investimentos em manutenção. De acordo com o ministro, o orçamento federal destinado à conservação das rodovias passou de cerca de R$ 3 bilhões para R$ 10 bilhões por ano.
Santoro também destacou a importância das concessões rodoviárias. Segundo ele, atualmente existem cerca de R$ 280 bilhões em investimentos contratados em concessões no país.
“Usamos o setor privado para alavancar esses investimentos”, afirmou.
No Tocantins, citou os investimentos previstos no corredor do Araguaia, com previsão total de R$ 8,7 bilhões. Segundo ele, mais de R$ 2 bilhões já foram aplicados no Estado.
Entre as obras entregues, mencionou 12 quilômetros de duplicações, 14 quilômetros de vias marginais, três interconexões em desnível e a recuperação de 25 obras de arte especiais.
BR-010, BR-235 e pontes estão entre prioridades
O ministro também detalhou obras previstas para o Estado. Sobre a BR-010, afirmou que o projeto de restauração e duplicação de 39 quilômetros, incluindo o acesso ao bairro Taquaralto, deve ser concluído até dezembro.
A expectativa é licitar a obra no início do próximo ano, com recursos previstos no orçamento federal.
Na BR-235, informou que os projetos dos três lotes estão em andamento. O lote C deve ser concluído em 2026 e os lotes A e B em 2027. Após a conclusão dos estudos, a intenção é licitar as obras.
Santoro também falou sobre a situação das pontes no Estado e no país. Após o problema estrutural na Ponte de Estreito, o Ministério criou uma área de monitoramento permanente das obras de arte especiais.
Segundo ele, o Brasil possui cerca de 9.640 pontes e viadutos sob responsabilidade do DNIT.
No Tocantins, citou as pontes de Pedro Afonso e Tupirama, que precisarão ser reconstruídas. Os editais para contratação das obras devem ser publicados ainda neste mês.
Enquanto isso, o governo federal pretende disponibilizar balsas gratuitas a partir de 15 de setembro para auxiliar o transporte de cargas.
Também foi anunciado o edital para construção da nova ponte entre Araguatins (TO) e São Domingos do Araguaia (PA), previsto para 30 de setembro.
Custo logístico é desafio para competitividade brasileira
Ao final da apresentação, Santoro afirmou que o objetivo dos investimentos é reduzir o custo logístico brasileiro.
Segundo ele, atualmente o custo logístico representa cerca de 15,7% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a média mundial é próxima de 7%.
“O Brasil não pode continuar competitivo com 15%. A gente precisa transformar esse dinheiro gasto com buracos, manutenção de veículos, tempo perdido em rodovia e gargalos portuários em renda para o país”, afirmou.
O ministro defendeu que a ampliação da infraestrutura deve ser uma política permanente de Estado, independentemente dos governos.
“A gente precisa ampliar e ter investimento em infraestrutura o tempo inteiro. Não é programa de um governo, é programa de Estado”, declarou.
