Duas notas fiscais emitidas pelo escritório do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e posteriormente canceladas indicavam a prestação de serviços de consultoria jurídica para a Copenhagen Assessoria. A empresa não possui sede própria nem site e, conforme registro na Receita Federal, funciona no endereço da Contábil Corrêa, em um prédio comercial localizado em São Caetano do Sul (SP).

O responsável pela empresa, Rogério Lourenço Novo, já foi investigado pela Polícia Federal por suspeita de operar um esquema de emissão de notas fiscais falsas por meio de empresas de fachada para evasão de impostos entre 2013 e 2015. À época, a fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões.

Criada em novembro de 2024, com capital social de R$ 40, a Copenhagen passou a figurar entre as dez empresas que mais receberam recursos do Banco Master. Segundo as informações, Daniel Vorcaro realizou depósitos que somam R$ 58 milhões para a empresa. Os primeiros aportes, totalizando R$ 11,2 milhões, ocorreram logo após a abertura da companhia.

Os registros apontam ainda que, formalmente, a Copenhagen pertence ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM. A gestora é investigada pela Polícia Federal por movimentar e ocultar patrimônio do grupo de Daniel Vorcaro.

Nota fiscal cancelada | Foto: Divulgação Metrópoles

O que diz Flávio Bolsonaro

A assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro enviou a seguinte nota, reproduzida na íntegra:

“Diante de tentativas de vincular falsamente meu nome ao Banco Master, esclareço o que segue:

Firmei contrato de prestação de serviços de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contabil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., empresa de contabilidade e auditoria que atende mais de 200 empresas e clientes em São Paulo.

Em determinada ocasião, fui consultado sobre a possibilidade de prestar serviços a uma cliente da BR Global, a Copenhagen Assessoria. Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram cancelas. Ou seja, estou sendo ‘acusado’ de NÃO receber alguma coisa.

Não tenho e jamais tive conhecimento de qualquer relação ou vinculação entre a BR Global ou a Copenhagen e o Master. Qualquer tentativa de me associar a este banco é capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático e será tratada com as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, contra quem lhe der causa.

Por fim, como não sou investigado e meus dados são sigilosos, não poderiam estar em nenhuma investigação formal. Recai a suspeita de que órgãos governamentais, com fins eleitoreiros, tenham vazado dados protegidos por sigilo fiscal à imprensa. Conduta gravíssima, ilegal que será objeto de representação aos órgãos competentes para responsabilização dos autores.”

Dono da Copenhagen confirma controle da empresa

Ao Metrópoles, Rogério Lourenço Novo afirmou que é o proprietário da Copenhagen desde setembro de 2025. Segundo ele, o escritório de Flávio Bolsonaro foi contratado para prestar serviços “aos clientes do seu escritório de contabilidade”, em um modelo que classificou como “quarteirização”.

Rogério Lourenço Novo, diretor da Copenhagen | Foto: Divulgação

Questionado sobre quais clientes receberam os serviços e quais atividades foram executadas pelo escritório de Flávio Bolsonaro, Rogério Lourenço Novo afirmou que possui mais de 200 clientes e disse não se lembrar para quais deles o trabalho foi realizado. O contador informou que buscaria as informações, mas não retornou o contato.

Em nota, a Trustee DTVM afirmou que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre a definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para ocultar patrimônio de quem quer que seja.

Com informações do Metrópoles*