Palmas inicia transição da NPH para glargina para pacientes de 2 a 18 e acima de 70 anos
31 agosto 2026 às 14h58

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A rede municipal de saúde de Palmas iniciou a organização do processo de transição da insulina NPH para a insulina glargina, medicamento de ação prolongada que passou a ser ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos específicos. A mudança será realizada de forma gradual, com avaliação clínica, prescrição médica e acompanhamento dos pacientes durante a adaptação ao novo tratamento.
De acordo com os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, podem participar da transição pessoas de dois a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2. A oferta da glargina ocorre após avaliação clínica e indicação médica.
Em Palmas, a Secretaria Municipal da Saúde (Semus) estruturou um fluxo envolvendo as equipes das Unidades de Saúde da Família (USFs), médicos, farmacêuticos, nutricionistas, enfermeiros e os próprios pacientes. Inicialmente, 60 pessoas serão atendidas. Conforme o Ministério da Saúde encaminhar novos kits, compostos por insulina, caneta reutilizável e agulhas, o número de pacientes será ampliado.
Capacitação das equipes
A primeira etapa do processo é a capacitação dos profissionais que participarão da transição. As equipes deverão realizar, até 30 de agosto, o curso on-line disponibilizado pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
Na terça-feira, 1º de setembro, será realizado um encontro presencial para apresentação do fluxo municipal e alinhamento das orientações que serão adotadas durante a mudança de tratamento.
Busca ativa e avaliação dos pacientes
Depois da capacitação, as equipes das USFs realizarão a busca ativa dos pacientes que atendem aos critérios para a transição, com base na planilha de triagem encaminhada às unidades. Os pacientes serão convidados para avaliação e consulta médica.
Durante a consulta, o médico fará a avaliação clínica e verificará se há indicação para a substituição da insulina. Quando a mudança for indicada, será emitida uma nova prescrição da insulina glargina, seguindo os critérios e cálculos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
O paciente também receberá orientações sobre o novo tratamento, incluindo os sinais de hipoglicemia e os cuidados necessários. As condutas adotadas serão registradas no prontuário.
Retirada da nova insulina
Após receber a prescrição, o paciente deverá retirar a insulina glargina na farmácia indicada pela equipe de saúde. Para isso, será necessário apresentar receita válida, cartão do SUS e caixa de isopor com gelo para o transporte adequado do medicamento.
Além da insulina, serão disponibilizados caneta reutilizável, agulhas e material para acompanhamento das glicemias.
No momento da retirada, o farmacêutico orientará o paciente sobre o uso da caneta, a técnica correta de aplicação, o armazenamento e o descarte da insulina. Também serão esclarecidas dúvidas e reforçados os cuidados relacionados à identificação e prevenção da hipoglicemia.
Após iniciar o uso da glargina, o paciente deverá realizar as medições da glicemia capilar conforme orientação da equipe de saúde e registrar os resultados no material de acompanhamento. Os dados serão avaliados na consulta de retorno, quando o médico verificará a resposta ao tratamento, a adesão, a técnica de aplicação e possíveis intercorrências.
Diferenças entre NPH e glargina
A insulina glargina apresenta ação prolongada e tem como característica proporcionar uma cobertura mais contínua da insulina basal ao longo do dia. A NPH, por sua vez, é classificada como uma insulina de ação intermediária.
O endocrinologista Alberto Messias Alves Júnior explica que a principal diferença entre os dois medicamentos está justamente no perfil de ação. Segundo ele, a NPH tem duração aproximada de 14 a 18 horas, enquanto a glargina possui ação prolongada.
“A glargina tem uma duração mais estendida, de até 24 horas. A vantagem dela é que você consegue manter índices de insulinização ao longo dessas 24 horas”, explica o médico.
Mais estabilidade e menor risco de hipoglicemia
A transição é destinada a públicos definidos pelo Ministério da Saúde e considera, entre outros aspectos, pacientes que podem apresentar maior risco de hipoglicemia, variações importantes da glicemia ou dificuldade para manter o controle adequado com a NPH.
Segundo Alberto Messias, a glargina não apresenta um pico de ação pronunciado como ocorre com a NPH e está associada a menor risco de episódios de hipoglicemia. O aspecto é considerado especialmente relevante para crianças e idosos, que estão entre os grupos contemplados pela estratégia nacional.
“Com a insulina NPH, geralmente o paciente precisa fazer duas ou até três aplicações ao dia, enquanto a glargina é aplicada uma vez ao dia e oferece essa cobertura basal de aproximadamente 24 horas. Isso reduz o número de aplicações e traz mais praticidade e comodidade, além de permitir maior flexibilidade no horário de aplicação. Com a NPH, os horários precisam ser mais fixos; já com a glargina, o paciente pode definir, com orientação da equipe de saúde, um horário que seja mais conveniente para sua rotina e mantê-lo diariamente”, destaca o médico.
Para o médico Alberto Messias, a redução do número de aplicações da insulina basal pode facilitar a rotina e favorecer a adesão ao tratamento.
