PF cumpre mandados contra Cláudio Castro em investigação sobre suposto esquema de fraude fiscal
15 maio 2026 às 09h49

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A Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira, 15, no Rio de Janeiro, investiga suspeitas de fraudes fiscais atribuídas ao Grupo Refit, antigo controle da Refinaria de Manguinhos, apontado como um dos maiores devedores de tributos do país.
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública. Entre os alvos estão o ex-governador Cláudio Castro, o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad.
No caso de Cláudio Castro, a PF realizou buscas em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele estava no local no momento da ação e acompanhou os trabalhos com a presença de advogados. Os agentes permaneceram cerca de três horas no imóvel e deixaram o local com materiais apreendidos.
A investigação, segundo a Polícia Federal, apura a suspeita de que o grupo teria usado sua estrutura societária e financeira para ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e possível envio irregular de recursos ao exterior.
A ordem das medidas foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ADPF das Favelas, que estabelece diretrizes para operações policiais no Rio de Janeiro e também trata de possíveis conexões entre organizações criminosas e agentes públicos.
O empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, também é investigado e teve a inclusão do nome solicitada na Difusão Vermelha da Interpol. Ele já havia sido alvo de uma grande operação em novembro do ano passado relacionada ao mesmo esquema investigado.
O grupo é alvo de apurações que apontam um modelo de atuação envolvendo importações de combustíveis com possíveis irregularidades fiscais, redução indevida de tributos e uso de empresas e fundos de investimento para ocultar lucros e patrimônio.
Segundo as investigações, a cadeia de distribuição incluía importadoras, distribuidoras e postos ligados ao mesmo núcleo econômico, além de estruturas financeiras complexas formadas por dezenas de fundos e empresas abertas em sequência.
Cláudio Castro está atualmente sem cargo no Executivo estadual. O governo do Rio de Janeiro é exercido de forma interina pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.
A vacância ocorre após a renúncia de Castro em março, um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que resultou em sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O vice-governador Thiago Pampolha também deixou o cargo ao assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O caso ainda abriu discussão no Supremo Tribunal Federal sobre o modelo de escolha de um eventual governo-tampão no estado, diante da ausência simultânea de governador e vice.
O Grupo Refit já havia sido alvo de outra operação em novembro, quando investigações federais e estaduais apontaram suspeitas de fraude bilionária no setor de combustíveis, envolvendo suposta sonegação fiscal e uso de estruturas empresariais para blindagem patrimonial.
