Na corrida pelo CREA-TO, Fred Anders defende reestruturação e maior presença regional
15 maio 2026 às 11h13

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O engenheiro ambiental e agrônomo Fred Anders entrou oficialmente na disputa pela presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins (CREA-TO) com um discurso voltado à descentralização administrativa, ampliação da presença do conselho no interior e fortalecimento das entidades de classe ligadas ao sistema.
Com passagem pela diretoria-geral da Mútua Tocantins, caixa de assistência dos profissionais do CREA da qual segue licenciado, Fred conversou com o Jornal Opção Tocantins nesta sexta-feira, 15, e afirmou representar um grupo de oposição à atual gestão, embora reconheça avanços recentes na estrutura do conselho. Segundo ele, o desafio agora seria ampliar o alcance institucional e modificar a forma de relacionamento com categorias e associações do setor.
“Não é chegar ali e mudar o rumo do jogo. É fazer o CREA crescer mais. Para isso, muita coisa precisa ser corrigida”, afirmou durante a entrevista.
Natural de Xinguara, no Pará, Fred Anders chegou ao Tocantins no início dos anos 2000, acompanhando a família após transferências do pai, servidor do Banco do Brasil. Morou em cidades como Pedro Afonso e Arapoema antes de se estabelecer em Palmas, onde cursou Engenharia Ambiental. Mais tarde, também concluiu graduação em Agronomia.
Segundo ele, a atuação profissional sempre esteve ligada à consultoria ambiental voltada ao agronegócio. Fred também foi responsável técnico pela limpeza urbana de Palmas, experiência que, segundo relata, abriu espaço para novos contratos e atuação no setor privado. Atualmente, afirma estar cursando Direito, com interesse voltado ao direito ambiental e agrícola.
A aproximação com a política classista começou ainda na universidade, quando presidiu o centro acadêmico de Engenharia Ambiental. A entrada efetiva no CREA ocorreu anos depois, após um embate interno envolvendo a emissão de uma certidão de acervo técnico. O episódio, segundo ele, o levou a disputar uma vaga de conselheiro regional, função que exerceu por seis anos, chegando à vice-presidência da instituição e assumindo interinamente o comando do conselho por cerca de quatro meses.
Na entrevista, Fred também usou a experiência à frente da Mútua como vitrine de gestão. Disse que uma das prioridades foi ampliar a divulgação da entidade entre profissionais que, segundo ele, desconheciam os serviços oferecidos pela caixa de assistência, apesar de contribuírem financeiramente por meio das ARTs.
Segundo o candidato, uma das medidas adotadas durante sua gestão foi a redução temporária do teto de empréstimos concedidos aos profissionais, como forma de reorganizar o caixa da instituição e ampliar o número de atendimentos mensais. “A Mútua não está ali para resolver a vida de ninguém. Ela está para impulsionar o profissional”, afirmou.
Entre as propostas para o CREA, Fred defende a criação de superintendências regionais em cidades como Araguaína e Gurupi, além da ocupação permanente das inspetorias do interior com ações administrativas e capacitações. Na avaliação dele, parte das estruturas existentes hoje estaria subutilizada.
“Temos prédios novos, mas sem uso efetivo. A ideia é colocar o CREA presente de fato na vida do profissional e da sociedade”, disse.
Outro ponto citado pelo candidato foi a preocupação com a queda no interesse de estudantes por cursos de engenharia. Segundo ele, o sistema precisa atuar junto às instituições de ensino e ao público do ensino médio para estimular a entrada de novos profissionais nas áreas técnicas.
A eleição do CREA-TO está marcada para 3 de julho e ocorrerá de forma online. Ao defender maior participação da categoria no processo eleitoral, Fred afirmou que a baixa adesão enfraquece a capacidade de mobilização política do sistema profissional.
“Se de 6 mil profissionais apenas 25% ou 30% participam da eleição, isso demonstra baixa mobilização. Isso impacta inclusive na capacidade de discutir pautas da engenharia em espaços maiores”, afirmou.
