Por que a periferia de Palmas virou endereço preferencial dos grandes atos políticos
01 outubro 2026 às 10h34

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A geografia da campanha eleitoral em Palmas repetiu um roteiro conhecido. Enquanto reuniões setoriais, encontros com entidades e compromissos fechados passaram pela região central, os atos destinados a reunir grandes públicos tiveram endereço recorrente: Taquaralto, Aurenys e outros bairros da região sul. Nesta eleição, candidatos de diferentes grupos recorreram a esses locais para convenções, caminhadas, reuniões e comícios.
A escolha começa pela própria ocupação da cidade. Palmas cresceu com grandes vazios urbanos e diferenças de densidade entre suas regiões. Taquaralto e os Aurenys concentram população, comércio e circulação diária em pontos como a Avenida Tocantins e as feiras. Para uma campanha, são características que facilitam tanto a organização de um público previamente mobilizado quanto o contato com quem já passa pelo local.
A eleição de 2026 deixou essa preferência evidente. Vicentinho Júnior (PSDB) escolheu o estacionamento do Ginásio Ayrton Senna, em Taquaralto, para a convenção de 5 de agosto que oficializou sua candidatura ao governo, Amélio Cayres (MDB) como vice e Alexandre Guimarães (MDB) ao Senado. O ato reuniu caravanas e apoiadores de diferentes municípios e transformou a região sul no ponto de partida formal da chapa para a eleição. Durante a campanha, Dorinha Seabra (UB), ao lado do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos), também realizou caminhada na Avenida Tocantins, em Taquaralto, e levou um dos atos de sua candidatura para a Baixada do Aureny III. Laurez Moreira passou por Taquaralto, enquanto candidatos proporcionais distribuíram agendas pelos Aurenys e bairros próximos.
Há uma lógica própria por trás desses eventos. Comício, caminhada e grande reunião precisam de público, mas também de visibilidade. Ruas comerciais, feiras e bairros populosos permitem juntar militância, lideranças comunitárias e moradores que já circulam pela região. No Plano Diretor, principalmente nas áreas residenciais de menor circulação, as campanhas recorrem com maior frequência a outros formatos: encontros com categorias, reuniões empresariais, agendas institucionais e eventos fechados.
A repetição desse roteiro diz também como os grupos políticos enxergam a capital quando precisam colocar campanha na rua. Não significa que o eleitor da periferia seja necessariamente mais interessado em política, mas que Taquaralto e os Aurenys oferecem condições que boa parte de Palmas não oferece para atos de massa: população próxima, comércio de rua, circulação e espaços capazes de receber grandes concentrações. Em uma cidade planejada, espalhada e marcada por vazios urbanos, a região periférica acabou consolidada também como o principal palco da política eleitoral.
