Pré-candidatos pedem “benção” a Amarildo e Madureira vira ponto obrigatório na sucessão estadual
31 maio 2026 às 15h39

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A passagem de pré-candidatos ao governo pelo 28º EBADETINS e pelo 31º ENOADETINS, em Araguaína, mostrou a centralidade política do pastor Amarildo Martins, presidente da Assembleia de Deus Nação Madureira no Tocantins, nas conversas para 2026.
Em menos de dois dias, passaram pelo evento a senadora Dorinha Seabra, pré-candidata ao governo pela Federação União Progressista, o vice-governador Laurez Moreira, pré-candidato pelo PSD, e o deputado federal Vicentinho Júnior, pré-candidato pelo PSDB. Também estiveram na programação o senador Eduardo Gomes, presidente estadual do PL, deputados federais, vereadores e lideranças regionais.
A presença simultânea dos principais projetos de poder do estado no mesmo ambiente religioso ajuda a medir o peso de Amarildo. Mais do que líder eclesiástico, ele comanda uma estrutura com capilaridade, disciplina interna e presença eleitoral já testada. Em ano pré-eleitoral, poucos grupos conseguem reunir, no mesmo fim de semana, nomes que disputam diretamente o Palácio Araguaia.
O gesto dos pré-candidatos tem leitura simples: todos querem manter diálogo com a Madureira. O apoio formal do pastor Amarildo, caso ocorra, pode influenciar palanques, agendas, discursos e candidaturas proporcionais ligadas ao segmento evangélico. Não é apenas só o voto religioso, mas a organização política com liderança reconhecida e base distribuída em várias regiões do Tocantins.
Amarildo também tem interesses próprios na eleição. Seu filho, o deputado federal Filipe Martins, filiado ao PL, deve disputar a reeleição. A vereadora de Palmas Débora Guedes aparece como pré-candidata a deputada estadual dentro do mesmo campo religioso. Já o vice-prefeito de Palmas, Carlos Velozo, sobrinho do pastor, é citado como pré-candidato ao Senado.
Esse conjunto coloca Amarildo em posição de negociação com diferentes núcleos. Ele mantém relação próxima com Laurez Moreira, abriu conversas com Vicentinho Júnior e recebeu Dorinha Seabra no evento ao lado de aliados importantes da pré-candidata, entre eles o prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues e Eduardo Gomes, Carlos Gaguim.
O caso mais delicado envolve justamente a convivência entre os projetos majoritários e os interesses proporcionais. Filipe Martins está no PL de Eduardo Gomes, aliado da pré-candidatura de Dorinha. Ao mesmo tempo, Amarildo preserva diálogo com Laurez e Vicentinho. Essa movimentação indica que o líder da Madureira ainda calcula para onde pode levar sua força política em 2026.
A escolha não envolve apenas o governo. Também passa pelas vagas ao Senado, pela reeleição de Filipe Martins, pelo projeto de Débora Guedes à Assembleia e pelo espaço de Carlos Velozo no debate majoritário. Em outras palavras, o apoio da Madureira tende a ser tratado como pacote político, não como adesão isolada a uma candidatura.
Sinalizações
Dorinha usou o encontro para falar de fé, família e responsabilidade pública. Laurez destacou a importância das instituições religiosas. Vicentinho reforçou discurso ligado à fé, à família e ao eleitorado conservador. Cada um falou para o mesmo público, mas com objetivos políticos próprios.
A movimentação deixa claro que Amarildo Martins será procurado até as convenções. Seu grupo tem nomes em disputa, estrutura religiosa e trânsito entre campos adversários. Para os pré-candidatos ao governo, passar pela Madureira foi um gesto de aproximação. Para Amarildo, foi uma demonstração de força.
