Quatro servidores do município de Aragominas são alvo de investigação do Ministério Público do Tocantins (MPTO) após denúncia que aponta possíveis irregularidades no cumprimento de jornada de trabalho e no recebimento de salários. A apuração envolve suspeitas de servidores que estariam recebendo remuneração sem a correspondente prestação de serviço, além de possíveis casos de desvio de função, acúmulo ilegal de cargos e atuação em comércio particular durante o expediente.

A investigação é conduzida pela 14ª Promotoria de Justiça de Araguaína e teve origem em uma denúncia anônima registrada na Ouvidoria do MPTO. Inicialmente, o caso tramitava como Notícia de Fato, mas foi convertido em Procedimento Preparatório devido à necessidade de aprofundamento das apurações e coleta de provas. O MPTO também apura se houve eventual conivência de superiores hierárquicos responsáveis pelo controle e atesto das frequências.

A Promotoria informou que os fatos relatados podem, em tese, configurar atos de improbidade administrativa relacionados a enriquecimento ilícito, conforme previsto na Lei nº 8.429/1992.

Entre as medidas determinadas pelo MPTO está a solicitação ao prefeito de Aragominas para que apresente, no prazo de 15 dias, informações detalhadas sobre a jornada de trabalho de um dos servidores, incluindo horários de entrada e saída, dias de trabalho e local de atuação. O objetivo é verificar a compatibilidade com uma carga horária estadual de 90 horas mensais já informada pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc).

O município também deverá encaminhar informações sobre as atuais lotações, funções exercidas e horários de expediente dos demais servidores investigados, além da relação de servidores efetivos que trabalham nas mesmas unidades.

Após o recebimento dos dados, o Ministério Público pretende ouvir servidores efetivos das repartições para verificar a presença física dos investigados durante o expediente e apurar as alegações de que alguns deles permaneceriam em seus próprios comércios particulares no horário de trabalho.

A portaria foi assinada em 30 de julho de 2026 pelo promotor de Justiça Pedro Jainer Passos Clarindo da Silva, da 14ª Promotoria de Justiça de Araguaína.

O procedimento ainda está em fase de investigação e não há, até o momento, denúncia formalizada ou condenação contra os servidores citados.