Tocantins lidera ranking nacional de mortes no trânsito relacionadas ao álcool
19 junho 2026 às 08h40

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O Tocantins registrou, em 2024, a maior taxa de mortes no trânsito atribuíveis ao consumo de álcool entre todos os estados brasileiros. Foram 13,4 óbitos por 100 mil habitantes, índice que colocou o estado na liderança do ranking nacional elaborado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), com base em dados do Datasus.
O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira, 18, e mostra que a taxa tocantinense ficou mais que duas vezes acima da média nacional, que foi de 6,2 mortes por 100 mil habitantes. Atrás do Tocantins aparecem Piauí (12,1) e Mato Grosso (11,1).
Em todo o Brasil, foram registradas 13.075 mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool em 2024, o maior número desde 2016, quando houve 13.095 casos. A média nacional corresponde a mais de 35 mortes por dia.
Embora o país tenha reduzido os índices em comparação com 2010, os dados indicam uma tendência de crescimento nos últimos cinco anos. Em 2019, a taxa nacional havia atingido seu menor patamar, com 5,4 mortes por 100 mil habitantes. Desde então, os números voltaram a subir.
Para a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, o aumento das ocorrências está relacionado a uma combinação de fatores. Segundo ela, houve ampliação das operações de fiscalização com bafômetros, mas também crescimento da frota de motocicletas e dos acidentes envolvendo motociclistas.
De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) citados pelo estudo, cerca de 40% das mortes no trânsito envolvem motociclistas. A especialista avalia que o cenário exige políticas públicas mais direcionadas, especialmente para os grupos mais vulneráveis.
“O trânsito ficou mais perigoso”, afirma Mariana. Ela defende que a redução efetiva das mortes depende não apenas da existência da legislação, mas também de fiscalização constante, planejamento estratégico, acesso rápido ao atendimento de emergência e ações preventivas focadas nos perfis mais expostos ao risco.
O estudo também aponta que os homens são as principais vítimas dos acidentes relacionados ao álcool. Em nível nacional, eles representam 86,7% das mortes e 81,8% das internações ligadas à combinação entre bebida e direção.
Além das mortes, o país registrou 102.440 internações associadas ao consumo de álcool no trânsito em 2024, alta de 1,9% em relação ao ano anterior.
A divulgação dos dados ocorre na semana em que a Lei Seca completa 18 anos. Em vigor desde 2008, a legislação estabelece tolerância zero para motoristas que dirigem após consumir bebida alcoólica e é considerada uma das mais rigorosas do mundo.
Segundo o Cisa, o desafio atual não está apenas na existência da lei, mas na sua aplicação de forma contínua e eficiente. A entidade defende o fortalecimento da fiscalização, campanhas voltadas principalmente para homens jovens e motociclistas e investimentos em infraestrutura viária adequada ao crescimento da circulação de motos.
Dos 27 estados brasileiros, 18 apresentaram taxas superiores à média nacional. Na última posição do ranking aparece o Rio de Janeiro, com 2,6 mortes por 100 mil habitantes.
Ranking completo de mortes no trânsito atribuíveis ao álcool por 100 mil habitantes
| Posição | Estado | Taxa (por 100 mil hab.) |
|---|---|---|
| 1º | Tocantins | 13,4 |
| 2º | Piauí | 12,1 |
| 3º | Mato Grosso | 11,1 |
| 4º | Rondônia | 10,9 |
| 5º | Goiás | 8,9 |
| 6º | Mato Grosso do Sul | 8,7 |
| 7º | Sergipe | 8,6 |
| 8º | Alagoas | 8,4 |
| 9º | Maranhão | 8,3 |
| 10º | Paraná | 8,1 |
| 11º | Espírito Santo | 7,8 |
| 12º | Pará | 7,7 |
| 13º | Paraíba | 7,6 |
| 14º | Bahia | 7,3 |
| 15º | Ceará | 7,2 |
| 16º | Pernambuco | 6,8 |
| 17º | Roraima | 6,7 |
| 18º | Santa Catarina | 6,5 |
| 19º | Minas Gerais | 5,5 |
| 20º | Rio Grande do Sul | 5,4 |
| 21º | Acre | 5,3 |
| 22º | Rio Grande do Norte | 5,1 |
| 23º | Amazonas | 4,6 |
| 24º | Amapá | 4,2 |
| 25º | São Paulo | 4,0 |
| 26º | Distrito Federal | 3,8 |
| 27º | Rio de Janeiro | 2,6 |
Fonte: Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), com dados do Datasus.
