O Tocantins registrou, em 2024, a maior taxa de mortes no trânsito atribuíveis ao consumo de álcool entre todos os estados brasileiros. Foram 13,4 óbitos por 100 mil habitantes, índice que colocou o estado na liderança do ranking nacional elaborado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), com base em dados do Datasus.

O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira, 18, e mostra que a taxa tocantinense ficou mais que duas vezes acima da média nacional, que foi de 6,2 mortes por 100 mil habitantes. Atrás do Tocantins aparecem Piauí (12,1) e Mato Grosso (11,1).

Em todo o Brasil, foram registradas 13.075 mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool em 2024, o maior número desde 2016, quando houve 13.095 casos. A média nacional corresponde a mais de 35 mortes por dia.

Embora o país tenha reduzido os índices em comparação com 2010, os dados indicam uma tendência de crescimento nos últimos cinco anos. Em 2019, a taxa nacional havia atingido seu menor patamar, com 5,4 mortes por 100 mil habitantes. Desde então, os números voltaram a subir.

Para a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, o aumento das ocorrências está relacionado a uma combinação de fatores. Segundo ela, houve ampliação das operações de fiscalização com bafômetros, mas também crescimento da frota de motocicletas e dos acidentes envolvendo motociclistas.

De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) citados pelo estudo, cerca de 40% das mortes no trânsito envolvem motociclistas. A especialista avalia que o cenário exige políticas públicas mais direcionadas, especialmente para os grupos mais vulneráveis.

“O trânsito ficou mais perigoso”, afirma Mariana. Ela defende que a redução efetiva das mortes depende não apenas da existência da legislação, mas também de fiscalização constante, planejamento estratégico, acesso rápido ao atendimento de emergência e ações preventivas focadas nos perfis mais expostos ao risco.

O estudo também aponta que os homens são as principais vítimas dos acidentes relacionados ao álcool. Em nível nacional, eles representam 86,7% das mortes e 81,8% das internações ligadas à combinação entre bebida e direção.

Além das mortes, o país registrou 102.440 internações associadas ao consumo de álcool no trânsito em 2024, alta de 1,9% em relação ao ano anterior.

A divulgação dos dados ocorre na semana em que a Lei Seca completa 18 anos. Em vigor desde 2008, a legislação estabelece tolerância zero para motoristas que dirigem após consumir bebida alcoólica e é considerada uma das mais rigorosas do mundo.

Segundo o Cisa, o desafio atual não está apenas na existência da lei, mas na sua aplicação de forma contínua e eficiente. A entidade defende o fortalecimento da fiscalização, campanhas voltadas principalmente para homens jovens e motociclistas e investimentos em infraestrutura viária adequada ao crescimento da circulação de motos.

Dos 27 estados brasileiros, 18 apresentaram taxas superiores à média nacional. Na última posição do ranking aparece o Rio de Janeiro, com 2,6 mortes por 100 mil habitantes.

Ranking completo de mortes no trânsito atribuíveis ao álcool por 100 mil habitantes

PosiçãoEstadoTaxa (por 100 mil hab.)
Tocantins13,4
Piauí12,1
Mato Grosso11,1
Rondônia10,9
Goiás8,9
Mato Grosso do Sul8,7
Sergipe8,6
Alagoas8,4
Maranhão8,3
10ºParaná8,1
11ºEspírito Santo7,8
12ºPará7,7
13ºParaíba7,6
14ºBahia7,3
15ºCeará7,2
16ºPernambuco6,8
17ºRoraima6,7
18ºSanta Catarina6,5
19ºMinas Gerais5,5
20ºRio Grande do Sul5,4
21ºAcre5,3
22ºRio Grande do Norte5,1
23ºAmazonas4,6
24ºAmapá4,2
25ºSão Paulo4,0
26ºDistrito Federal3,8
27ºRio de Janeiro2,6

Fonte: Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), com dados do Datasus.