O presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) e candidato a vice-governador na chapa de Vicentinho Júnior (PSDB), Amélio Cayres, mantém em sua estrutura administrativa um diretor preso preventivamente em um caso de violência doméstica. Andrey Marques Queiroz Rocha, diretor de Área Orçamentária e Financeira da Casa, está custodiado desde 18 de setembro, segundo confirmou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) ao Jornal Opção Tocantins.

A situação alcança um tema que Vicentinho tem levado para a campanha eleitoral. O candidato ao governo tem feito discursos em defesa das mulheres e cobrado posicionamentos de adversários diante de episódios de violência contra elas. A cobrança também já foi dirigida à senadora Professora Dorinha (União Brasil), sua principal adversária na disputa pelo Palácio Araguaia. Amélio, que preside a Assembleia e mantém Andrey em cargo comissionado na estrutura da Casa, é o candidato a vice de Vicentinho.

No caso de Andrey, a SSP informou à reportagem que um inquérito policial envolvendo um investigado de iniciais A.M.Q.R. tramitou na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª Deam) de Palmas. O procedimento foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário. Segundo a pasta, o investigado foi preso preventivamente no último dia 18 e permanece custodiado. A secretaria não informou os crimes atribuídos a ele nem detalhes da investigação porque casos de violência doméstica tramitam sob sigilo.

Apesar da prisão, Andrey continua vinculado à Assembleia. A página oficial da Aleto consultada nesta terça-feira, 29, ainda apresenta Andrey Marques Queiroz Rocha como diretor de Área Orçamentária e Financeira. O cadastro funcional consultado pela reportagem também aponta situação “Ativo”.

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Portal da Transparência mostra servidor ativo | Foto: Reprodução

Preso dia 18 e de férias a partir do dia 21

A sequência de datas acrescenta outro ponto ao caso. Andrey foi preso preventivamente em 18 de setembro, segundo informou a SSP. A Assembleia concedeu férias ao servidor para o período de 21 de setembro a 20 de outubro, com início três dias depois da prisão.

A Portaria nº 720/2026, publicada no Diário Oficial da Aleto em 22 de setembro, concede formalmente as férias referentes ao período aquisitivo de 2 de outubro de 2025 a 1º de outubro de 2026.

No mesmo Diário Oficial, a Portaria nº 721/2026 registra que Andrey estava “afastado por motivo de férias” e designa Waldir Demétrios da Costa Junior para responder cumulativamente pela função durante o período.

Os documentos não informam quando as férias foram solicitadas nem permitem afirmar que a Assembleia já tinha conhecimento da prisão quando publicou os atos. O Jornal Opção Tocantins perguntou expressamente à Aleto quando a Casa soube da prisão e se o período de férias já estava programado. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

Na prática, portanto, há duas situações simultâneas documentadas por órgãos públicos: para a SSP, Andrey está preso preventivamente desde 18 de setembro e permanece custodiado; para os registros administrativos da Assembleia, está ativo no quadro funcional e afastado do exercício da função por férias.

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Portaria que aponta que o servidor estaria de férias | Foto: Reprodução

Cargo é comissionado

Andrey não ocupa cargo efetivo de direção. O posto é comissionado. Ele foi nomeado diretor financeiro da Assembleia em fevereiro de 2024 por decreto administrativo da Presidência da Casa, assinado pelo deputado Amélio Cayres. A permanência no cargo depende, portanto, de ato administrativo da própria Assembleia. Até esta terça-feira, a reportagem não encontrou publicação de exoneração do diretor. A própria página institucional da Casa continua apresentando Andrey na função.

No contracheque de agosto, último apresentado à reportagem, Andrey aparece com remuneração bruta de R$ 17.905,21, dos quais R$ 15.805,21 correspondem à remuneração sem agrupador e R$ 2.100 a vantagens indenizatórias ou outros pagamentos. Depois de R$ 4.746,99 em descontos, o valor líquido foi de R$ 13.158,22.

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Nomeação de Andrey feita por Amélio Cayres em 2024 | Foto: Reprodução

Violência contra a mulher entrou na campanha

O caso ocorre no momento em que Vicentinho Júnior tem levado a violência contra a mulher para seus discursos de campanha. O candidato já cobrou publicamente Dorinha Seabra por episódios envolvendo aliados da adversária e defendeu que lideranças políticas adotem posição diante desse tipo de denúncia.

Amélio Cayres é o candidato a vice de Vicentinho e preside a Assembleia, onde Andrey ocupa um cargo de livre nomeação e exoneração. Mesmo preso preventivamente desde o dia 18, o diretor continua no quadro ativo da Casa e não teve a exoneração publicada.

A SSP informou que o inquérito da 1ª Deam foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário. Como o procedimento corre sob sigilo, a pasta não informou os fatos atribuídos ao servidor. Andrey não foi condenado no caso.

Aleto não responde

O Jornal Opção Tocantins procurou a Assembleia para saber se Amélio Cayres e a administração da Casa tinham conhecimento da prisão, quando foram informados, quais providências administrativas foram adotadas e por que Andrey continua registrado como servidor ativo.

A reportagem também perguntou se as férias entre 21 de setembro e 20 de outubro estavam previamente programadas e se o servidor permanecerá no cargo de diretor de Área Orçamentária e Financeira.

A Assembleia não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.